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Como fazer a escaleta (o roteiro) do seu livro, cena a cena, com modelo

Faça o roteiro do livro, a escaleta, como uma tabela de uma linha por cena, com seis campos: onde e quando, quem vê, o que a personagem quer, o que a impede, como a cena termina e o que muda por causa dela. Depois agrupe as linhas em capítulos. A escaleta lista o que acontece, na ordem em que o leitor vai ler, e não resume a história.

'Você já escolheu a estrutura e tem a premissa numa frase. Abre um documento em branco, escreve "capítulo 1: apresentação da personagem" e "capítulo 2: o conflito" e para na terceira linha, porque nenhuma delas diz o que acontece. "Isso não é um plano, é um índice."'

O que você leva

A escaleta do livro pronta para copiar (tabela em branco, uma linha por cena) e preenchida com um conto de Machado de Assis, com o critério para escolher entre a versão enxuta e a detalhada, e o caminho até o PDF.

Pra quem é

Quem já escolheu o modelo de estrutura precisa transformá-lo num plano cena a cena do próprio livro e não sabe o que cada linha deve conter.

Nesta página
  1. O que cada linha da escaleta precisa ter?
  2. A escaleta deve ser curta ou detalhada?
  3. Qual é o modelo de escaleta de livro para copiar?
  4. Como adaptar a escaleta ao seu livro?
Cartões de anotação dispostos em fileiras sobre uma parede de cortiça
Uma escaleta em fichas guarda uma cena por cartão, que se rearranja na parede. Foto de Ron Lach no Pexels

Esta página começa depois da escolha da estrutura e da premissa: o guia sobre como escrever um livro mostra onde a escaleta entra no caminho (a etapa de decidir quanto planejar) e como escolher entre planejar antes e descobrir escrevendo. A escaleta vem do roteiro de cinema, onde a lista descreve cada cena em poucas linhas, muitas vezes com as cenas numeradas na ordem em que ocorrem.

Preço vem com a data na frase. O que estiver sublinhado em mostarda é análise nossa; o resto tem fonte no fim da página. Termo com ponto abre a definição ao passar o mouse.

O que cada linha da escaleta precisa ter?

Esquema de uma linha de escaleta com seis campos: onde e quando, quem vê, quer, o que impede, como termina e o que muda
Cada linha da escaleta tem seis campos, uma cena por linha. Diagrama: Verse

Cada linha descreve uma cena como uma tentativa com resultado, e não como um estado. Randy Ingermanson, autor do método do floco de neve, que atribui o modelo a Dwight Swain (Techniques of the Selling Writer), divide a cena em objetivo (o que a personagem do ponto de vista quer no começo, algo específico), conflito (os obstáculos no caminho) e desastre (o fracasso em alcançar o objetivo). A cena de reação que vem depois, a sequela (sequel) da mesma fonte, tem reação, dilema e decisão; na escaleta, a decisão pode virar o objetivo da cena seguinte (leitura nossa).

A editora de ficção Jodie Renner propôs em 2014 uma lista de cenas com dez campos por cena: número da cena, número do capítulo, lugar, data, personagem do ponto de vista, outras personagens principais, objetivo, motivação do objetivo, conflito principal e desfecho, em geral um revés. A Writer's Digest descrevia em 2011 a mais completa das três formas que comparava como a que registra o cenário de cada cena, as personagens envolvidas e a motivação ou o propósito. Os seis campos abaixo são a nossa redução dessas listas ao que muda a escrita da cena:

campo pergunta que responde preenchimento certo sinal de que está errado
Onde e quando em que lugar e momento a cena acontece um cômodo ou um trecho de rua e uma hora do dia a cena poderia acontecer em qualquer lugar
Quem vê de quem é o ponto de vista uma pessoa duas pessoas dividem a cena e nenhuma decide
Quer o que essa pessoa quer ao entrar na cena verbo e objeto ("convencer o irmão a assinar") um sentimento ("estar triste")
O que impede quem ou o que se opõe outra pessoa, um objeto, um medo ninguém se opõe: a cena virou apresentação
Como termina o resultado visível, em geral um revés consegue, não consegue ou consegue o que não queria "continuam conversando"
O que muda o que o leitor passa a saber, o que a personagem decide ou como a relação fica uma frase com a diferença entre o começo e o fim da cena nada muda: candidata a corte

O erro que o teste a seguir pega é a linha que descreve um estado ("Camilo está com medo") ou um tema ("a culpa"). Leia só as colunas "quer" e "como termina": se dá para preenchê-las sem escrever nada que a personagem faça, a linha virou resumo.

A escaleta deve ser curta ou detalhada?

Use a linha enxuta, de uma frase por cena, enquanto o enredo ainda se forma, e a detalhada, com os seis campos, quando o meio do livro precisa de prova de que se sustenta. Descrições curtas, de uma frase por ponto-chave do enredo, são a recomendação da Reedsy; manter cada descrição no mínimo, para a tarefa não ficar árdua, é a de Renner. As formas são três, na divisão da Writer's Digest: a "structure-plus", que ela chama de a mais completa das variedades que lista; a de placas (signpost), com marcadores que só anotam o tipo de cena necessário, de que Mark Twain usou uma espécie em As aventuras de Tom Sawyer; e a de fichas, uma cena por cartão, com cenário, personagens, fatos principais e propósito da cena.

A escolha, pela nossa leitura, segue o que o autor já sabe:

se o autor use troque quando
sabe o fim e quer ligar o caminho a detalhada, cena a cena preencher os campos começar a substituir a escrita da cena
descobre o enredo escrevendo a enxuta, só das próximas cenas (estilo placas) duas linhas seguidas não deixarem dizer o que mudou
muda a ordem das cenas com frequência fichas ou post-its, uma cena por peça as peças forem mais do que a parede aguenta: passe para tabela

Quanto à ferramenta: a romancista e editora Kirsten Bakis monta a escaleta em post-its na parede, que se rearranjam. No Scrivener, o Corkboard (quadro de cortiça) guarda um cartão por cena, com título e sinopse; o cartão nasce em Project > New Text ou com Ctrl+N, e vira ao mesmo tempo um documento e uma linha no Outliner. A própria Literature & Latte, fabricante do programa, admite montar o quadro com ou sem sinopse nos cartões. Numa planilha, use uma coluna por campo, como na lista de Renner. A planilha de oito colunas da escritora Stephanie Zvan, de 2007, pergunta de cada cena o que ela faz pelos objetivos das personagens, pelo que se revela delas e pela emoção pretendida; pela nossa leitura, serve mais para conferir a cena escrita do que para planejar.

Qual é o modelo de escaleta de livro para copiar?

A versão em branco é a tabela abaixo: copie, preencha uma linha por cena e deixe a coluna "Cap." para depois de ter as cenas.

Cap. Cena Onde e quando Quem vê Quer O que impede Como termina O que muda
1 1
1 2
2 3

A versão enxuta cabe numa linha por cena:

Copie o modelo de escaleta, cena a cena
Cena [n] (cap. [n]): [quem] [faz o quê] contra [o quê] → [resultado].

Para ter o roteiro em PDF, cole a tabela num documento e exporte. No Word na web, o caminho é Arquivo > Exportar > Baixar como PDF, e depois Baixar; no Google Docs, Arquivo > Baixar e a escolha do tipo de arquivo, ou Arquivo > Imprimir, com "Salvar como PDF" em "Destino".

O exemplo preenchido é "A cartomante", de Machado de Assis, publicado na Gazeta de Notícias em 1884 e recolhido em Várias histórias (1896). A escaleta foi feita depois do conto, a partir do texto, e não diz como Machado planejou; o texto da edição de 1896 corre sem capítulos numerados, e a divisão em oito cenas é nossa. A coluna "Quem vê" ficou fora da tabela para ela caber.

cena onde e quando quer o que impede como termina o que muda
1 casa do encontro, antiga Rua dos Barbonos, sexta-feira de novembro de 1869 Rita, ser acreditada: a cartomante adivinhou tudo; Camilo, não lhe tirar as ilusões a descrença de Camilo, que ri separam-se contentes; Camilo desce pela Rua da Guarda Velha olhando a casa da cartomante o leitor conhece a casa da cartomante e a descrença de Camilo
2 Botafogo, a partir do começo de 1869: Vilela volta da província, casado com Rita Camilo, ficar ao lado de Rita a amizade com Vilela e os escrúpulos dele, que não resistem: "Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde" "a batalha foi curta e a vitória delirante" o amigo vira amante e a confiança de Vilela continua
3 sem lugar marcado: resumo das semanas depois da carta anônima Camilo, afastar as suspeitas uma carta anônima que o chama de imoral e pérfido as visitas à casa de Vilela cessam Vilela nota as ausências; Camilo mente que é "uma paixão frívola de rapaz"
4 sem lugar marcado: resumo, "por esse tempo" os dois, não ser descobertos mais cartas anônimas e um Vilela sombrio combinam meios de se corresponderem e separam-se com lágrimas fica pronto o canal de aviso entre eles
5 repartição, depois do meio-dia do dia seguinte; perto de uma hora, a caminho do Largo da Carioca Camilo, saber o que Vilela quer o bilhete "Vem já, já, à nossa casa" e o medo de estarem descobertos toma um tílburi no Largo da Carioca, a trote largo Camilo já imagina Vilela esperando para matá-lo
6 Rua da Guarda Velha, logo depois, carroça caída Camilo, ganhar tempo antes de encarar Vilela: "estimou o obstáculo" a descrença, que luta com as velhas crenças diante da casa da cartomante desce na calçada, "ao pé da porta" o descrente entra na casa que Rita visitou
7 sótão da cartomante Camilo, saber se algo vai acontecer, "a mim e a ela" o próprio medo ela diz que não tenha medo e que nada acontecerá nem a um nem a outro; ele paga dez mil-réis, quando o preço usual era dois Camilo sai com "uma fé nova e vivaz"
8 casa de Vilela, logo depois de passar pela Glória Camilo, explicar a demora e voltar à antiga assiduidade nada que ele veja; Vilela o espera Rita morta no canapé; Vilela mata Camilo com dois tiros a promessa da cena 7 é desmentida

As cenas 3 e 4 são resumo narrado, sem lugar nem hora; numa escaleta do próprio livro, uma linha assim é candidata a virar cena ou a ser fundida com a seguinte. Num livro, as cenas 1 a 4 fariam um capítulo de preparação, e as cenas 5 a 8 o capítulo da tarde do bilhete (divisão nossa). A versão enxuta da cena 6 seria: "Cena 6 (cap. 2): Camilo, parado no tílburi diante da casa da cartomante, luta contra a própria descrença → desce e bate à porta."

A tabela mostra o que a escaleta faz: a coluna "o que muda" da cena 7 (a certeza de que nada vai acontecer) só vale como surpresa porque a cena 8 a desmente, e a cena 1 já plantou a casa e a descrença. Para localizar cada linha no texto, a cena 6 abre com "Quase no fim da Rua da Guarda Velha, o tílburi teve de parar" e a 8 com "Daí há pouco chegou à casa de Vilela". Lida só pela coluna "o que muda", a tabela mostra a virada de cada cena; se alguma linha não tem o que pôr ali, a escaleta ainda não está pronta.

Como adaptar a escaleta ao seu livro?

Preencha primeiro as cenas de que já tem certeza, na ordem em que o leitor as lê, e deixe linhas de placa ("uma cena em que X descobre Y") nos buracos; só depois agrupe as linhas em capítulos. No método do floco de neve, a lista de todas as cenas vem antes do primeiro rascunho. Se uma linha não permite dizer o que muda, a cena ainda não existe e a pergunta volta para a premissa ou para a estrutura do livro. Quando a tabela fechar na última cena, o resultado é um arquivo de poucas páginas, com as cenas numeradas, que o primeiro rascunho vai seguindo do começo ao fim.

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O guia-mãeComo escrever um livro: o passo a passo, da ideia ao ponto final — Para escrever um livro, siga sete etapas nesta ordem: ter a ideia, testá-la como premissa, decidir quanto planejar, fixar uma meta de trabalho, terminar o primeiro rascunho, revisar e entregar o texto a primeiros leitores; publicar vem depois.

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Termos usados nesta página

Quem fala sobre isso 5pessoas

  • Sarah Dometescritora e professora de escrita; autora do guia 90 Days to Your Novel (Writer's Digest Books, 2010)

    Obra sobre o tema: 90 Days to Your Novel: A Day-by-Day Plan for Outlining & Writing Your Book, 2010, e o artigo "Choosing the Best Outline Method for You", Writer's Digest, 2011.

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  • Jodie Rennereditora freelance de ficção e autora da série de guias An Editor's Guide to Writing Compelling Fiction (2014)

    Obra sobre o tema: "Creating a Scene Outline for Your Novel", The Kill Zone, 2014, uma lista de cenas com campos por cena.

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  • Anne Lamottromancista e escritora de não ficção norte-americana, professora de escrita (nascida em 1954)

    Obra sobre o tema: Bird by Bird: Some Instructions on Writing and Life, 1994, livro de conselhos sobre escrever, com o capítulo "Shitty First Drafts".

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  • Stephen Kingromancista norte-americano (nascido em 1947)

    Obra sobre o tema: On Writing: A Memoir of the Craft, 2000, memória e conselhos para quem quer escrever.

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  • Lajos Egri †dramaturgo e professor de escrita criativa húngaro-americano (1888–1967)

    Obra sobre o tema: The Art of Dramatic Writing, 1942, manual de escrita que abre pela premissa de três partes.

    Página ↗

O que a rede diz 6 vozes

  • Capa do post de @nandapinheiroautoraTikTok

    Uma autora descreve a escaleta como um mapa da história, que organiza começo, meio e fim, deixa ver o desenvolvimento das personagens e evita se perder na narrativa; para ela, é um guia que pode e deve ser ajustado ao longo da escrita, e não uma prisão.

    @nandapinheiroautoraTikTok ↗
  • Capa do post de @quesia.loretoTikTok

    Conta que não fazia escaletas e que, depois de aprender, as ideias do livro ficaram mais organizadas.

    @quesia.loretoTikTok ↗
  • Capa do post de @emillyescreveofcTikTok

    Conta que planejou o primeiro romance pelo método do floco de neve, que lhe parecia o mais completo, encheu páginas e páginas antes de começar a escrever e, já escrevendo, teve uma descoberta decepcionante.

    @emillyescreveofcTikTok ↗
  • Capa do post de @beabissigo.autoraTikTok

    Respondendo a uma seguidora, mostra como faz a escaleta do próprio livro, num tutorial.

    @beabissigo.autoraTikTok ↗
  • Capa do post de Rolê do Roteiro: COMO ESCREVER ESCALETAS DE ROTEIRO (SIMLPES E RÁPIDO!) ROLÊ DO ROTEIROYouTube

    Ensina a escrever a escaleta de um roteiro de forma simples e rápida, num canal para quem quer ser roteirista ou escrever o próprio livro.

    Rolê do RoteiroYouTube ↗
  • Capa do post de Letícia Black: COMO PASSAR A IDEIA PARA O PAPEL: TÉCNICAS DE ROTEIRO | Guia de Sobrevivência do EscritorYouTube

    Para passar a ideia do livro para o papel, apresenta duas técnicas de organizar o pensamento antes de escrever, a lista e a sinopse detalhada, com programas como o Miro e o Scrivener.

    Letícia BlackYouTube ↗

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A Verse Media faz infraestrutura para quem escreve e publica livros no Brasil. A Enciclopédia é a parte pública disso: páginas escritas a partir de fonte aberta, com preço e data na frase, para que um autor decida sem depender de quem vende o serviço. Toda afirmação de fato tem fonte listada. O que é análise nossa está marcado no texto. Fato que nenhuma fonte sustenta não entra. A pesquisa e a redação usam modelos de linguagem com regras de fonte e checagem independente; a revisão é humana.

Autoria: Verse MediaRevisado em 6 out. 2026Passos conferidos em 6 out. 2026Publicado em 6 out. 202611 fontes · 2 no integral

Os campos da tabela são uma redução nossa das listas de Ingermanson, Renner e da Writer's Digest. O exemplo foi montado depois da leitura do conto inteiro, no texto da edição de 1896 reproduzido pela Wikisource, e a divisão em oito cenas é nossa. As páginas da web citadas foram lidas por extração automática do texto. Os caminhos de tela do Scrivener, do Word e do Google Docs seguem a documentação dos fabricantes.

Lidas no texto integral

Lidas em resumo ou pela referência

Cite esta página
VERSE MEDIA. Como fazer a escaleta (o roteiro) do seu livro, cena a cena, com modelo. Enciclopédia Verse, 4 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/estrutura/como-fazer-a-escaleta-do-livro. Acesso em: [data].

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