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Como escrever em folhetim: a história em capítulos, do jornal ao Wattpad

Para escrever em folhetim, planeje a história em blocos de partes, tenha capítulos prontos antes de publicar o primeiro, fixe um tamanho e um dia e termine cada parte numa ação cujo resultado só a próxima conta. Na nossa leitura, o que muda o ofício é que cada parte tem de valer a espera de quem a lê naquela semana, e isso pesa mais que o gancho do fim.

Você tem três capítulos prontos e vontade de postar o primeiro hoje. Não sabe se devia esperar o livro inteiro, quantas palavras pôr em cada parte nem o que vai acontecer na semana em que não der para escrever.

O que você leva

Um plano de folhetim em seis decisões (pivô, plano por parcela, tamanho, dia fixo, estoque e saída para livro), com o que Dickens, Alencar, Machado, Wildbow e quem publica hoje fizeram em cada uma, e o ritmo real de dez folhetins numa tabela.

Pra quem é

Quer publicar a história em capítulos, no Wattpad, num blog ou numa newsletter, e não sabe quanto precisa ter pronto, de quanto em quanto postar, como fechar cada parte nem o que fazer quando o estoque acaba.

Nesta página
  1. O que muda quando a história sai em capítulos?
  2. Como planejar uma história em capítulos sem ter o livro pronto?
  3. Qual o tamanho de cada parte e com que frequência publicar?
  4. Como terminar cada parte de um folhetim para o leitor voltar?
  5. O comentário do leitor deve mudar a história do folhetim?
  6. Onde publicar uma história em capítulos hoje?
  7. Como transformar o folhetim em livro?
  8. Como montar o plano do seu folhetim?
  9. Perguntas frequentes
  10. O que fazer com isso
Jornal aberto sobre uma mesa de madeira, com óculos sobre as páginas, um copo d'água e uma xícara ao lado
O folhetim nasceu no rodapé do jornal: a história saía em partes, enquanto ainda era escrita. Foto de Maria Orlova no Pexels

Preço vem com a data na frase. O que estiver sublinhado em mostarda é análise nossa; o resto tem fonte no fim da página. Termo com ponto abre a definição ao passar o mouse.

O que muda quando a história sai em capítulos?

Muda o leitor: ele lê antes de o autor terminar, e cada parte precisa prender sozinha, sem o resto do livro em volta. O romancista inglês Charles Dickens, que publicou vários romances em partes, sentiu a diferença ao voltar à parcela semanal, que já tinha usado na revista Master Humphrey's Clock.

Escrevendo Hard Times para a revista semanal Household Words, em 1854, achou mais fácil cumprir o prazo e muito mais difícil pôr interesse suficiente em cada porção; a dificuldade do espaço, escreveu depois de algumas semanas, segundo o amigo e biógrafo John Forster, "is CRUSHING" (é esmagadora). Cinco anos depois, em A Tale of Two Cities, publicou ao mesmo tempo a parcela semanal na revista All the Year Round e, no fim do mês, o número mensal, porque aquela história precisava de leitores que a lessem "in no portions smaller than a monthly part" (em porções não menores que uma parte mensal).

O folhetim nasceu de um espaço de jornal e de um hábito de leitura. O Journal des Débats, de Paris, chamou de feuilleton em 1800 o rodapé da página, separado do noticiário por um fio, como conta o termo folhetim. Girardin, fundador do jornal La Presse, lançou-o em 1836 com assinatura mais barata e anúncios, e fez do romance em capítulos uma rotina do jornal. Les Mystères de Paris, do romancista francês Eugène Sue, saiu em 90 partes no Débats, de junho de 1842 a outubro de 1843. O crítico brasileiro Brito Broca resumiu o efeito: "O gênero criou o hábito do leitor procurar todos os dias o folhetim dos jornais".

O livro pronto nem sempre foi o padrão. Segundo Michael Lund, autor de um estudo sobre o folhetim americano de 1850 a 1900, no século XIX americano a publicação em partes era tão comum que a revista Scribner's Monthly dizia, em 1878, que só o romancista de segunda, sem lugar em revista, era obrigado a publicar direto em volume. Hoje o folhetim mora na internet: Worm, a história que o autor assina como Wildbow, teve a primeira parte postada no blog dele em 11 de junho de 2011 e a última em 19 de novembro de 2013, em 30 arcos e um epílogo.

O que o leitor de folhetim compra, a nosso ver, é a parte da semana, e não a promessa do livro. Daí as decisões que um livro pronto não pede, a começar por três: o que precisa estar escrito antes de publicar, de que tamanho e com que frequência sai cada parte, e onde cada uma termina.

Como planejar uma história em capítulos sem ter o livro pronto?

Mãos organizam sobre uma mesa de madeira fichas com cenas numeradas, poucas linhas em cada uma
O plano por parte cabe em poucas linhas por capítulo, escritas antes da primeira publicação. Foto de Ron Lach no Pexels

Antes da primeira parte, precisam estar prontos o pivô da história, o plano de cada parte e um estoque de partes escritas; o livro inteiro, não. Dickens planejava por parte. Antes de começar cada número de um folhetim, anotava em poucas linhas o que poria nele, capítulo por capítulo, segundo Forster, que reproduz o primeiro plano de Edwin Drood: "Mr. Sapsea. Old Tory jackass. Connect Jasper with him." (Sr. Sapsea. Velho asno conservador. Ligar Jasper a ele.)

Ao mandar o começo de Great Expectations, em 1860, descreveu o arco por blocos de partes: nos três primeiros números semanais o herói é um menino; depois será aprendiz; e "the pivot on which the story will turn" (o pivô sobre o qual a história vai girar) já estava na abertura.

Na nossa leitura, o estoque é o que deixa o folhetim atravessar a semana ruim. Em 1837, Dickens escrevia ao mesmo tempo a primeira metade de Oliver Twist e a segunda de Pickwick Papers, "not even by a week in advance of the printer" (nem uma semana à frente do tipógrafo) em nenhum dos dois. Naquele ano, Pickwick ficou sem o número de junho: de luto pela cunhada, Dickens perdeu o prazo, e sem folga não havia parte pronta para cobrir o mês.

Barnaby Rudge, em 1841, já começou com boa quantidade de história adiantada, que ele só precisou redistribuir em partes semanais. E em 1859, com A Tale of Two Cities, ele mantinha "my old month's advance" (o meu velho mês de vantagem), e mandava provas quatro números à frente da publicação.

No Brasil, o romancista José de Alencar começou a publicar O Guarani no rodapé do Diário do Rio de Janeiro com só dois capítulos prontos, e admitiu que não tinha medido o alcance da tarefa; a rotina dele no jornal está no guia sobre como escrever um livro.

O fim não precisa estar decidido antes da primeira parte. Matt Dinniman, que postou Dungeon Crawler Carl de graça no Royal Road antes do sucesso contado em sites parecidos com o Wattpad, se diz um "pantser", quem inventa enquanto escreve: uma personagem central do livro não estava planejada. O autor brasileiro Felipe Sali, que em 2019 publicava um capítulo por semana no Wattpad, disse naquele ano ao PublishNews que pode escrever sem o final e deixar a recepção moldar a história: "eu também posso não ter o final pronto e observar a reação das pessoas".

Na nossa leitura, os dois casos não desmentem Dickens: o plano que o folhetim exige é o da parte da semana e o do estoque, e o fim pode esperar. Os sinais de falta aparecem cedo: escrever a parte na véspera indica estoque curto, e parte em que nada acontece indica plano curto. E o lugar de trabalho conta: escrevendo Dombey and Son na Suíça, em 1846, Dickens disse que inventar vinha fácil, mas que manter o passo rápido longe das ruas de Londres era "almost an impossibility" (quase uma impossibilidade).

Qual o tamanho de cada parte e com que frequência publicar?

O tamanho da parte segue o meio em que ela sai, e a frequência é um compromisso com o leitor: prometa só o dia que você sustenta por meses. O número mensal de Pickwick começou com 24 páginas e quatro ilustrações e, depois da morte do primeiro ilustrador, passou a 32 páginas com duas ilustrações e ficou assim até o fim; o número custava um xelim. Great Expectations, semanal, saiu em 36 partes, de 1º de dezembro de 1860 a 3 de agosto de 1861, sem ilustração. Pela nossa conta, no texto do Project Gutenberg, o romance tem cerca de 184 mil palavras, o que dá umas 5.100 palavras por parte.

A parte menor muda a escrita. Dickens chamou o trabalho de A Tale of Two Cities em partes semanais de "incessant condensation" (condensação incessante). Na tela do celular, a parte encolhe de novo: a central de ajuda do Wattpad sugere capítulos curtos, de cerca de 2.000 palavras, de um a três por semana, com o dia anunciado na sinopse ("New chapters every Friday!").

Os números de cada plataforma e de cada tipo de livro estão em quantas palavras tem um capítulo. O que a tabela abaixo mostra é outra coisa: como dez folhetins marcaram o ritmo.

O ritmo de dez folhetins

obra onde saiu parte período
Pickwick Papers, Dickens números mensais avulsos 32 páginas e 2 ilustrações, a um xelim abr./1836 a nov./1837: 19 números em 20 meses
Oliver Twist, Dickens Bentley's Miscellany, mensal parte mensal a partir de 1837
Barnaby Rudge, Dickens Master Humphrey's Clock, semanal parte semanal a partir de jan./1841
Hard Times, Dickens Household Words, semanal parte semanal 1854
A Tale of Two Cities, Dickens All the Year Round, semanal, e número mensal semanal e mensal ao mesmo tempo 1859
Great Expectations, Dickens All the Year Round, semanal cerca de 5.100 palavras (média, conta nossa) 1º/12/1860 a 03/08/1861: 36 partes
Les Mystères de Paris, Eugène Sue Journal des Débats 90 partes 19/06/1842 a 15/10/1843
O Guarani, José de Alencar Diário do Rio de Janeiro, rodapé 52 edições 1º/01 a 20/04/1857
Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis Revista Brasileira "aos pedaços" 1880
Worm, Wildbow blog próprio 30 arcos e epílogo 11/06/2011 a 19/11/2013

Lida de cima a baixo, a tabela mostra duas coisas (leitura nossa). A primeira: o tamanho acompanha o meio, das 32 páginas impressas do número mensal às 2.000 palavras da tela. A segunda: o atraso que a lista registra, o número de Pickwick que não saiu em junho de 1837, aconteceu no ano em que Dickens escrevia sem uma semana de folga. O Guarani saiu em 52 edições em pouco mais de três meses e meio, quase uma a cada dois dias (conta nossa).

Como terminar cada parte de um folhetim para o leitor voltar?

Na nossa leitura, a parte do folhetim funciona quando termina depois que a personagem passou à ação, e o resultado dela fica para a próxima. A primeira parte semanal de Great Expectations, de 1º de dezembro de 1860, ocupa os capítulos I e II no fac-símile de All the Year Round. No capítulo II, o menino Pip, ameaçado na véspera por um condenado fugido, rouba da despensa uma torta e da forja do cunhado uma lima, e o capítulo fecha com ele saindo de casa e correndo "for the misty marshes" (para os pântanos enevoados). O leitor de 1860 esperou uma semana para saber o que o condenado faria com ele.

O contraste está dentro da mesma parte. O capítulo I, que fica no meio dela, termina com Pip ainda assustado, correndo para casa sem parar depois do encontro no cemitério: ele prometeu ao condenado a lima e a comida, mas ainda não agiu. Dickens guardou o fecho da parte para o capítulo II, quando a ação já estava em curso e a consequência ainda não tinha chegado.

Isso não pede perigo de morte a cada semana: é o fecho que como terminar um capítulo com gancho chama de ação sem resultado, um de seis tipos com exemplos; o custo do gancho em excesso está no guia sobre como manter a tensão no meio do livro, e o nome do recurso, no termo cliffhanger.

O comentário do leitor deve mudar a história do folhetim?

Mãos seguram um celular apoiado no colo, com um texto aberto na tela
Na internet, o comentário do leitor chega a cada capítulo publicado. Foto de Pixabay no Pexels

Pode mudar, e no folhetim a correção chega antes do fim; o risco é deixar o comentário escrever no lugar do autor. Os primeiros números de Pickwick venderam pouco, segundo Simon Callow, num livro sobre Dickens; a entrada de Sam Weller, no quarto número, fez a popularidade subir de repente, e o último número vendeu 40 mil exemplares, segundo o crítico Robert L. Patten.

Dickens também mudou personagem por reação de leitor. Segundo o crítico David Lodge, ele media a resposta do público ao longo das partes e alterava enredo e personagens por causa dela: a podóloga da mulher dele se reconheceu em Miss Mowcher, personagem de David Copperfield, e Dickens deu à figura traços positivos nos números seguintes. No capítulo 32, Miss Mowcher pede a David que não associe defeitos do corpo aos da mente: "Try not to associate bodily defects with mental" (tente não associar defeitos do corpo aos da mente).

Na internet, o comentário chega a cada capítulo. O escritor Andy Weir postava os capítulos de The Martian no próprio site, e os leitores, segundo ele, apontavam na hora qualquer erro técnico, científico ou de conta: era "like having 3,000 fact checkers" (como ter 3 mil checadores).

A nosso ver, o comentário serve para corrigir fato e mostrar onde o leitor se perdeu, e o rumo continua com o autor. Sali admite fazer o contrário, deixar a recepção moldar a história: é uma opção, desde que o autor saiba que está entregando a decisão.

Onde publicar uma história em capítulos hoje?

Na nossa leitura, o lugar decide o tamanho do compromisso: o site gratuito dá leitor, e o dinheiro, quando vem, vem direto dos fãs; o programa pago pede uma história longa; e a newsletter serve a quem já traz leitor. O Royal Road, site gratuito de histórias seriadas, é o centro do que a especialista em mercado editorial Jane Friedman, num artigo sobre carreiras de autor que vendem direto aos fãs, chama de modelo "serial-first". O programa pago do Wattpad, o Originals, pede história com projeção de 150 mil palavras ou mais e não inclui o português, como mostra o guia sobre como ganhar leitores e dinheiro no Wattpad.

A newsletter atende outro autor. O romancista Salman Rushdie anunciou em 2021 que publicaria em partes no Substack uma novela inédita de 35 mil palavras, The Seventh Wave, para falar com os leitores sem intermediários, e lembrou que "that's how novels used to be published back in the day" (era assim que os romances saíam antigamente). Chuck Palahniuk, autor de Clube da luta, fez o mesmo no Substack naquele mês, segundo a Bookseller. Os dois chegaram com público formado.

Dois aplicativos que cobravam do leitor por capítulo fecharam: o Kindle Vella, da Amazon, em fevereiro de 2025, e a Radish, em 31 de dezembro de 2025. O que cada site pede e paga, e quais contratos cedem direitos, está em sites parecidos com o Wattpad.

Como transformar o folhetim em livro?

Mãos anotam a lápis páginas impressas de um manuscrito marcadas com abas coloridas, sobre uma mesa de madeira
Ao passar para o livro, reorganiza-se o texto e corta-se o que só servia à espera entre as partes. Foto de Ron Lach no Pexels

Na nossa leitura, o livro é uma segunda edição do folhetim, em que se reorganiza e se corta o que só servia à espera.

A passagem para o livro mexe na divisão e no texto. O romancista francês Alexandre Dumas teve um capítulo de O conde de Monte Cristo partido em dois na passagem do jornal ao livro, segundo a bibliografia de Dumas organizada por Munro, e o jornalista e romancista Tom Wolfe, que publicou A fogueira das vaidades em 27 partes na Rolling Stone a partir de 1984, reescreveu muito antes do livro. O romancista Machado de Assis escreveu, no prólogo da 3ª edição, que ao pôr em livro as Memórias póstumas de Brás Cubas "corrigi o texto em vários lugares", e as voltas dele ao romance depois de publicado são contadas no guia sobre como escrever um livro.

O que se corta é o que só fazia sentido com uma semana de intervalo: a cena que recapitula, a repetição de quem é quem, o fecho de parte que não fecha nada no meio de um capítulo de livro. Dinniman conta que a versão do Royal Road de Dungeon Crawler Carl tinha várias cenas que não entraram no livro, cortadas porque não faziam a história andar.

O estoque pode virar livro antes do fim do folhetim. Em Oliver Twist, o que Dickens tinha escrito à frente das partes mensais formou o grosso do último volume do livro, que saiu antes de a revista terminar. O Guarani saiu em livro no mesmo ano, numa tiragem de mil exemplares, mas naquela época poucos folhetins viravam livro: a impressão dependia do jornal ou do bolso do autor.

Hoje o caminho pode começar no blog: quando os leitores de Weir tiveram dificuldade para baixar o texto de The Martian, ele publicou o livro pelo KDP, da Amazon, pelo menor preço permitido, 99 centavos de dólar, e depois vieram agente, editora e a venda dos direitos para o cinema.

Como montar o plano do seu folhetim?

O plano do folhetim são seis decisões tomadas antes da primeira parte. A tabela junta o que decidir, o que os casos desta página fizeram e o sinal de que a decisão está faltando.

Monte o plano do seu folhetim em seis decisões
decisão o que decidir o que os casos fizeram sinal de alerta (critério nosso)
pivô o que move a história inteira e já aparece na abertura Dickens pôs o pivô de Great Expectations nas primeiras partes na terceira parte você ainda não sabe para onde a história vai
plano por parte poucas linhas por parte, capítulo por capítulo os planos de número de Dickens parte em que nada acontece
tamanho o que cabe numa leitura no meio escolhido 32 páginas no número mensal; cerca de 5.100 palavras na parte semanal de Great Expectations; cerca de 2.000 no Wattpad parte que só faz sentido com a seguinte
dia fixo a frequência que você sustenta por meses o Wattpad sugere o dia na sinopse; Sali, em 2019, publicava um por semana o primeiro atraso
estoque partes prontas antes da primeira e uma folga mantida Barnaby Rudge começou adiantado; A Tale of Two Cities tinha um mês de folga; em 1837, sem folga, um número não saiu escrever na véspera
saída para livro onde e como vira livro, e o que se corta Dumas partiu capítulo; Dinniman cortou cenas; Weir foi do blog ao KDP cenas que só serviam à espera

Perguntas frequentes

O Kindle Vella ainda existe?

Não. A Amazon anunciou o fim da plataforma em 29 de outubro de 2024 e tirou as histórias do ar em fevereiro de 2025; o que era o Vella está no termo Kindle Vella, e o que mudou para quem publicava, em sites parecidos com o Wattpad.

Quantas palavras deve ter cada parte?

Depende do meio em que a parte sai: a parte semanal de Great Expectations tinha, em média, cerca de 5.100 palavras. As faixas por tipo de livro e por plataforma, com a do Wattpad, estão em quantas palavras tem um capítulo.

Preciso saber o final antes de começar a publicar?

Não necessariamente. Matt Dinniman se diz um escritor que inventa enquanto escreve, e Felipe Sali disse que pode publicar sem ter o final; o que Dickens deixava pronto era o pivô e o plano das partes seguintes.

Folhetim é só romance?

Não. O folhetim começou como o rodapé de variedades do jornal, de onde também nasceu a crônica, e só depois passou a publicar romances em capítulos, como mostra o termo folhetim.

Com quanto tempo de antecedência devo escrever?

Com o bastante para atravessar uma semana ruim sem atrasar. Dickens mantinha um mês de vantagem em 1859; em 1837, sem uma semana de folga, ficou sem o número de junho quando o luto o parou.

Dá para publicar web novel em português?

Dá: em 2019, Felipe Sali publicava um capítulo por semana no Wattpad. Só o programa pago fica fora do português, como mostra o guia sobre como ganhar leitores e dinheiro no Wattpad; o que é a forma está no termo web novel.

O que fazer com isso

Antes de postar a primeira parte, preencha as seis linhas do plano, escreva as partes do estoque e anuncie o dia. Se a sua história ainda não tem forma, decida-a antes de fatiá-la: a escolha entre conto, crônica ou novela vem antes. E se o folhetim virar livro, a revisão segue o caminho de qualquer manuscrito, descrito no guia sobre como escrever um livro.

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Guias que saem daqui

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Termos usados nesta página

Quem fala sobre isso 2pessoas

  • Marlyse Meyer †professora, ensaísta e crítica literária brasileira (1924–2010); ensinou na Unicamp e na USP, onde foi professora emérita a partir de 2009

    Obra sobre o tema: Folhetim, uma história, Companhia das Letras, 1996, história do romance publicado em capítulos no jornal, prêmio Jabuti de ensaio em 1997.

    Página ↗
  • Lenita Rímoli Estevesprofessora associada do Departamento de Letras Modernas da USP, na área de estudos da tradução; publica hoje como Lenita Maria Rimoli Pisetta

    Obra sobre o tema: "A tradução do romance-folhetim no século XIX brasileiro", Trabalhos em Linguística Aplicada (Unicamp), n. 42, 2003, sobre como o folhetim francês traduzido chegou ao leitor brasileiro.

    Página ↗

O que a rede diz 4 vozes

  • Capa do post de Daiana Pasquim: MACHADO estreou em FOLHETINS, assimYouTube

    Machado de Assis teve de se readaptar quando publicou um romance em folhetim pela primeira vez, A mão e a luva, em 1874, e conversa com o leitor o livro inteiro enquanto conta a história.

    Daiana PasquimYouTube ↗
  • Capa do post de Editora Danúbio: O Folhetim: origem, estrutura e segredos do formato que viciou leitores desde 1836YouTube

    O vício de não conseguir parar de ler sem saber o que vem depois tem nome, história e técnica: é o folhetim. O professor Wilson Filho apresenta um módulo de curso sobre a origem e a estrutura do formato.

    Editora DanúbioYouTube ↗
  • Capa do post de Dimensão Cultural: O QUE É FOLHETIM?YouTube

    O folhetim é uma das estruturas narrativas mais populares; o vídeo parte da pergunta sobre o que quer dizer, afinal, escrever um folhetim.

    Dimensão CulturalYouTube ↗
  • Capa do post de How about a coffee?: TUDO sobre meu novo livro: Matérias do Coração! Seu novo folhetim de romance favorito!YouTube

    Apresenta o próprio romance novo, lançado em partes numa plataforma de leitura on-line a partir de 1º de novembro, e o chama de folhetim.

    How about a coffee?YouTube ↗

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Autoria: Verse MediaRevisado em 8 out. 2026Passos conferidos em 8 out. 2026Publicado em 8 out. 202630 fontes · 19 no integral

Lidas no texto integral

Lidas em resumo ou pela referência

  • Jane Friedman, "The Serial-First Model: How Royal Road Powers Direct-to-Fan Author Careers", janefriedman.com.
  • The Bookseller, "Fight Club author Palahniuk to release new book on Substack", 21/09/2021.
  • Simon Callow, Charles Dickens and the Great Theatre of the World, 2012, p. 60.
  • Robert L. Patten, em The Cambridge Companion to Charles Dickens, Cambridge UP, 2001, p. 16–18.
  • David Lodge, Consciousness and the Novel, Harvard UP, 2002, p. 118.
  • Michael Lund, America's Continuing Story: An Introduction to Serial Fiction, 1850–1900, Wayne State UP, 1993.
  • Kremers, A Comparative Bibliography of the Sheets and Publishers' Cloth Cases of the Demy Octavo Works of Charles Dickens; Paul Schlicke (org.), Oxford Reader's Companion to Dickens, Oxford UP, 1999.
  • Bruce Taylor (org.), The Facts on File Companion to the French Novel, 2007, p. 277.
  • Munro, Alexandre Dumas Père: a bibliography of works translated into English to 1910, 1978, p. 91–92.
  • Brian Abel Ragen, Tom Wolfe: A Critical Companion, Greenwood, 2002.
  • "The Feuilleton: Its Effect Upon Journalism in France", jornal de 03/11/1900, p. 7 (recorte em newspapers.com).
Cite esta página
VERSE MEDIA. Como escrever em folhetim: a história em capítulos, do jornal ao Wattpad. Enciclopédia Verse, 7 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/formas-narrativas/como-escrever-em-folhetim. Acesso em: [data].

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