Perfil jornalístico: exemplos de jornalismo literário e livros-reportagem para estudar
Exemplos de perfil jornalístico para estudar são "Frank Sinatra Has a Cold", de Gay Talese (Esquire, 1966), e os 22 perfis de Perfis: o mundo dos outros, do jornalista Sergio Vilas Boas; de reportagem narrativa, Hiroshima, de John Hersey (The New Yorker, 1946), e "Os Tatuadores", do cronista João do Rio (edição de 1910). Um exemplo vale pelo que ensina a reconhecer, e não só pela fama. Esta página trata do jornalismo literário, não do "perfil jornalístico" de aula de redação.
Esta página foi feita com base nos ensinamentos de especialistas, mestres e autores consagrados do jornalismo literário, como Mark Kramer, Josh Roiland e Gay Talese; no Brasil, João do Rio, Sergio Vilas Boas e Caco Barcellos.
Você digitou "perfil jornalístico exemplos" e a primeira tela foi de artigos acadêmicos e de um modelo de currículo de jornalista. O que você queria era ler um perfil de verdade, com cena, voz e gente, para ver como se faz. Sobra a dúvida de por onde começar a ler e o que olhar quando o texto estiver na frente. "Eu só queria um texto bom para aprender o jeito."
A peça de perfil jornalístico exemplos pronta para copiar ou adaptar: a lista de textos para ler, o critério de cada um e a ficha para analisá-los, em branco e preenchida
Quem busca quer ver perfis e reportagens narrativas prontos, e os livros de referência do gênero, para modelar; a busca por perfil jornalístico exemplos mistura o texto escolar com o jornalismo literário
Nesta página
O gênero está definido no guia sobre jornalismo literário, ensaio e true crime; aqui o trabalho é escolher o que ler e saber o que olhar.
Como escolher um bom exemplo de jornalismo literário?
Um bom exemplo cumpre o pacto de exatidão com o leitor que o editor Mark Kramer pede do gênero e que o guia sobre jornalismo literário, ensaio e true crime desenvolve; texto que quebra o pacto serve para discutir ética, não para modelar.
O segundo critério é o que cada peça ensina. O professor Josh Roiland, que publicou no Nieman Storyboard o programa da disciplina "Literary Journalism in America", justifica a leitura de "The Pig", de Ben Hecht (1921), pelo que ela ajuda o aluno a reconhecer: um elemento literário que ele vai reencontrar muitas vezes. O programa é um panorama de obras em sua maioria canônicas do século XX, e Hiroshima é o texto que mais tempo ocupa: duas semanas.
O terceiro é o tamanho. O perfil e a reportagem narrativa cabem numa tarde; o livro-reportagem pede semanas. Quem quer aprender a abrir um texto começa pelo curto, e quem quer aprender a sustentar uma apuração vai ao livro.
Por último, data e veículo: cada item da lista traz os dois, como o programa de Roiland os registra, ou a edição consultada.
Quais perfis, reportagens e livros-reportagem ler primeiro?
Comece pelo perfil de Talese, depois leia Hiroshima, um texto de Didion e um texto brasileiro. A tabela junta peças de língua inglesa do programa de Roiland, com autor, veículo e ano como ele os dá, um texto de Stephen Crane de 1894 em domínio público e peças brasileiras; a última coluna diz o que olhar em cada uma.
| Peça | Autor | Onde e quando | Forma | O que olhar nela |
|---|---|---|---|---|
| "Frank Sinatra Has a Cold" | Gay Talese | Esquire, 1966 | perfil | apuração em volume: mais de cem entrevistas para um único perfil, o caso que o guia sobre jornalismo literário, ensaio e true crime usa |
| "Old Mr. Flood" | Joseph Mitchell | The New Yorker, 1944 | perfil | o que não imitar: Kramer põe Mitchell entre os mestres antigos que usaram personagens compostos, exceção de outra época |
| Hiroshima | John Hersey | The New Yorker, 1946; no Brasil, Companhia das Letras, 2002, trad. Hildegard Feist | reportagem longa, livro | poucos personagens, seis sobreviventes entre os mortos; avanço pelos dias; abertura com hora e data |
| "Some Dreamers of the Golden Dream" | Joan Didion | The Saturday Evening Post, 1966 | reportagem pessoal | a perspectiva pessoal e a metáfora para dar a desordem do assunto, que o crítico Mark Muggli lê no jornalismo de Didion; Muggli aponta também que ela às vezes inventa detalhes e falas, o que não se imita |
| "The Kentucky Derby is Decadent and Depraved" | Hunter S. Thompson | Scanlan's, 1970 | reportagem | a voz íntima, informal, franca e irônica que Kramer descreve no gênero |
| "An Experiment in Misery" | Stephen Crane | New York Press, 22/04/1894 | reportagem | abre em cena, sem lide, e entra no diálogo na segunda frase |
| "Os Tatuadores" | João do Rio | A alma encantadora das ruas, Garnier, 1910 | reportagem | cena de abertura, contagem como apuração, perfil dentro da reportagem (ficha abaixo) |
| Perfis: o mundo dos outros | Sergio Vilas Boas | Manole, 3ª ed. (em circulação em 28/09/2014, data da entrevista do autor) | 22 perfis | de Tostão a João Ubaldo Ribeiro, escritos de maneiras diversas: compare como cada um abre; o livro reúne perfis do caderno "Fim de Semana" da Gazeta Mercantil (entre os perfilados, Maurício Kubrusly, Jayme Sirotsky, do Grupo RBS, e o escritor Francisco J. C. Dantas) |
| Rota 66: a história da polícia que mata | Caco Barcellos | 1992; Prêmio Jabuti de melhor reportagem do ano seguinte | livro-reportagem | a apuração de fôlego que sustenta um livro inteiro, com leitura obrigatória em cursos de jornalismo |
Dois lembretes sobre o material brasileiro. João do Rio é tratado como pioneiro da "crônica-reportagem" (a história do termo está no verbete). A revista Realidade (Editora Abril, 1966–1976) reuniu em grandes reportagens jovens jornalistas da Quatro Rodas liderados por Paulo Patarra, e a primeira fase, de 1966 a 1968, é o "tempo da reportagem".
Como analisar um perfil ou uma reportagem narrativa?
A ficha tem oito campos e serve a qualquer item da tabela. Preencha-a com o texto aberto ao lado; o que não encontrar no texto fica em branco, nunca inventado. Para o método de apurar e de contar, o guia sobre como fazer um perfil jornalístico e um livro-reportagem segue de onde a ficha para.
Os campos explicados.
- Peça: autor, título, veículo ou editora, ano. Sem os quatro, o exemplo não é citável.
- Forma: perfil, reportagem narrativa ou livro-reportagem.
- Abertura: a primeira frase abre em cena, em dado ou em declaração? Hersey abre com a hora exata e a data.
- Cena e diálogo: onde a história vira cena e quantas falas entram literais.
- Apuração visível: o que o texto mostra do trabalho de campo, em número, contagem ou tempo declarado.
- Personagem: como a pessoa aparece, por ação e por detalhe, não por adjetivo.
- Voz: quem narra, e se aparece em primeira pessoa.
- Fecho e ressalva: como termina, e o que no texto não se deve imitar.
Versão para copiar.
FICHA DE LEITURA — JORNALISMO LITERÁRIO
1. Peça (autor, título, veículo/editora, ano):
2. Forma (perfil / reportagem / livro-reportagem):
3. Abertura (cole a 1ª frase; é cena, dado ou declaração?):
4. Cena e diálogo (onde vira cena; falas literais):
5. Apuração visível (números, contagens, tempo de campo no texto):
6. Personagem (por ação e detalhe: qual?):
7. Voz (quem narra; aparece o "eu"?):
8. Fecho e ressalva (como termina; o que não imitar):
O que vou levar para o meu texto (uma técnica):
Preenchida com "Os Tatuadores", de João do Rio. O texto é de domínio público (João do Rio morreu em 1921) e está no Wikisource, na edição da H. Garnier de 1910, p. 49 a 59.
- Peça: João do Rio, "Os Tatuadores", em A alma encantadora das ruas, Rio de Janeiro, H. Garnier, 1910.
- Forma: reportagem curta, com um perfil dentro.
- Abertura: cena e diálogo, sem apresentação: "— Quer marcar?" Um menino de uns doze anos oferece uma tatuagem a um rapaz, e os dois negociam o desenho e o preço antes de qualquer explicação.
- Cena e diálogo: só depois da cena o repórter situa o lugar, a Rua Clapp, perto do cais, e passa à digressão sobre a palavra e a prática da tatuagem; a estrutura alterna cena e contexto. As falas entram curtas e literais, como o funileiro que recusa a estrela e quer Nossa Senhora no peito.
- Apuração visível: a contagem aparece no texto, cerca de trinta marcadores só na Rua Barão de S. Félix e nas ruelas da Saúde, e o chefe, o Madruga, fez trezentas e dezenove marcações num mês de abril, além da tabela de preços dos desenhos. O repórter declara o campo em primeira pessoa: "Andei com o Madruga três longos meses".
- Personagem: o Madruga entra por endereço, passagens pela cadeia, amantes e modinhas que compõe; teve três mulheres, a Jandira, a Josefa e a Maria, e seu coração tatuado muda de nome a cada uma.
- Voz: narrador em primeira pessoa, presente na cena e no campo, que cita Lombroso como autoridade.
- Fecho e ressalva: volta ao menino da primeira cena com uma pergunta e um número, "Hoje fiz doze mil réis", e fecha numa ironia sobre a profissão de amanuense. A ressalva é que o texto, na edição de 1910, carrega o vocabulário e o olhar racializado da época ("atrasados morais"); serve de modelo de técnica, não de ética de representação.
A técnica a levar é a volta ao ponto de partida: abrir com uma cena e fechar na mesma personagem, com um número, dá ao texto um arco sem precisar de conclusão.
Como adaptar a lista e a ficha a cada texto?
Troque o item da tabela pelo gênero do texto que se quer escrever. Quem vai escrever um perfil lê Talese, Mitchell e os perfis de Vilas Boas; para Vilas Boas, a dificuldade de escrever um perfil é do autor, nunca do personagem, e a sintonia com o perfilado é questão de tempo e paciência. Quem vai escrever um livro-reportagem lê Hiroshima (Companhia das Letras, 2002) e Rota 66 (1992), e preenche a ficha duas vezes, uma no capítulo de abertura e outra no de fecho.
Para fechar o estudo, preencha a ficha de três textos da tabela e coloque lado a lado a linha "Apuração visível": cada autor mostra o campo de um jeito, em entrevistas, contagens ou meses, e o estudo termina com três fichas e uma técnica anotada em cada uma.
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O guia-mãeComo escrever um ensaio, um livro-reportagem ou um true crime: a não-ficção que prende — Um ensaio começa pelo assunto e para onde se sente completo, ensinou o filósofo Theodor Adorno; um livro-reportagem ou um true crime usa as ferramentas do romance que o repórter Tom Wolfe listou, a cena à frente, para o que o editor Mark Kramer pede do jornaliGuias do mesmo assunto
Termos usados nesta página
Quem fala sobre isso 3pessoas
- Josh Roilandem 2015, professor assistente de jornalismo no departamento de Estudos Americanos e no Honors College da Universidade do Maine
Publicou no Nieman Storyboard, em 2015, o programa comentado da disciplina "Literary Journalism in America", com as leituras do gênero dos anos 1890 até hoje.
Página ↗ - Jacqui Banaszynskijornalista americana (nascida em 1952); Prêmio Pulitzer de reportagem especial em 1988; professora emérita da Escola de Jornalismo do Missouri; editora do Nieman Storyboard a partir de 2018
Escreveu sobre Hiroshima, de John Hersey, como modelo de reportagem narrativa: "The enduring power of John Hersey's 'Hiroshima'" (Nieman Storyboard, 2020).
Página ↗ - Sergio Vilas Boasjornalista brasileiro; autor e estudioso do perfil jornalístico
Livro de perfis com um ensaio sobre o gênero: Perfis: o mundo dos outros (Manole, 3ª ed., 22 perfis e o ensaio "A arte do perfil"), tema de entrevista dele ao Hoje em Dia em 2014.
Página ↗
O que a rede diz 4 vozes
TikTokDiz que estes livros mostram que o jornalismo pode ser tão envolvente quanto um romance.
@bylivia.mariaTikTok ↗
TikTokDá cinco indicações de livros de jornalismo literário, entre eles George Orwell, Joan Didion e Roberto Saviano.
@isasinayTikTok ↗
TikTokNum vídeo sobre jornalismo literário, avisa na legenda que sempre erra o sobrenome da jornalista Leila Guerriero.
@esmariasintildeTikTok ↗
YouTubeNuma aula aberta e gratuita, o IDP explica como nasce um perfil no jornalismo literário.
IDPYouTube ↗
O que está acontecendo
- Mario Sérgio Cortella e Martha Gabriel vencem Prêmio Jabuti 2026 ↗
O filósofo Mario Sérgio Cortella e a especialista em inovação e tecnologia Marta Gabriel, comentaristas da CBN, estão entre os vencedores do Eixo Não Ficção do Prêmio Jabuti 2026.
- Prime Video foca em true crime como prioridade no Brasil ↗
Plataforma de streaming investirá mais de US$ 2 bilhões na América Latina até 2030 e prioriza histórias reais
- Morre Zuenir Ventura, o mestre do jornalismo literário brasileiro ↗
Morreu aos 95 anos Zuenir Ventura, autor de obras como "Chico Mendes — Crime e Castigo" e "Cidade Partida".
- Annie Dillard, Pulitzer prize-winning author of nonfiction and nature essays, dies aged 81 ↗
Pilgrim at Tinker Creek, published when Dillard was 28, skyrocketed her to become one of the most prominent nonfiction writers of her generation
- Nonada Jornalismo lança editora dedicada à não ficção, memória e cultura brasileira ↗
Nova frente editorial amplia a presença do veículo no campo da Cultura e da Comunicação
A Verse Media faz infraestrutura para quem escreve e publica livros no Brasil. A Enciclopédia é a parte pública disso: páginas escritas a partir de fonte aberta, com preço e data na frase, para que um autor decida sem depender de quem vende o serviço. Toda afirmação de fato tem fonte listada. O que é análise nossa está marcado no texto. Fato que nenhuma fonte sustenta não entra. A pesquisa e a redação usam modelos de linguagem com regras de fonte e checagem independente; a revisão é humana.
"Os Tatuadores" foi lido na íntegra no Wikisource, e é dele que saem a ficha preenchida e as citações. Os itens de língua inglesa entram com autor, veículo e ano do programa de Roiland, sem as páginas originais abertas, exceto o texto de Crane, lido em trechos no Wikisource; o livro de Vilas Boas entra pela entrevista do autor ao *Hoje em Dia*. Os artigos do *Nieman Storyboard* foram lidos na página. O modelo de ficha e a escolha dos itens são análise desta página, não regra de uma fonte. Conferido em 28/10/2026.
Lidas no texto integral
- João do Rio, "Os Tatuadores", em A alma encantadora das ruas, H. Garnier, 1910, p. 49–59 · https://pt.wikisource.org/wiki/A_Alma_Encantadora_das_Ruas/Os_Tatuadores
- Josh Roiland, "Annotation Tuesday! (Back-to-School Edition) Josh Roiland and His 'Literary Journalism in America' Syllabus", Nieman Storyboard, 25/08/2015 · https://niemanstoryboard.org/2015/08/25/annotation-tuesday-literary-journalism-in-america/
- Jacqui Banaszynski, "The enduring power of John Hersey's 'Hiroshima'", Nieman Storyboard, 06/08/2020 · https://niemanstoryboard.org/2020/08/06/the-enduring-power-of-john-herseys-hiroshima-the-first-nonfiction-novel/
- Gabriel Bhering e Iluska Coutinho, "Os bastidores da adaptação do livro-reportagem Rota 66", Estudos em Jornalismo e Mídia v. 23, UFSC, 2026 · http://doi.org/10.5007/1984-6924.2026.e108075
Lidas em resumo ou pela referência
- Stephen Crane, "An Experiment in Misery", New York Press, 22/04/1894, p. 2 (lido em trechos) · https://en.wikisource.org/wiki/An_Experiment_in_Misery
- Patrícia Cassese, "Entrevista: Sergio Vilas-Boas", Hoje em Dia, 28/09/2014 · https://www.hojeemdia.com.br/entretenimento/entrevista-sergio-vilas-boas-cada-individuo-e-um-universo-1.277565
- Mark Z. Muggli, "The Poetics of Joan Didion's Journalism", American Literature 59(3), 1987 · doi 10.2307/2927124
- Mark Kramer, "Breakable Rules for Literary Journalists", Nieman Storyboard (1995) · https://niemanstoryboard.org/stories/breakable-rules-for-literary-journalists/
- José Salvador Faro, Revista Realidade, 1966-1968, Ulbra, 1999
- John S. Bak e Bill Reynolds (orgs.), 2011, p. 164, 168–169, e ge.globo.com, 24/06/2021 (João do Rio e a crônica-reportagem)
- Companhia das Letras, página de Hiroshima · https://www.companhiadasletras.com.br/9788535902792-hiroshima/p
VERSE MEDIA. Perfil jornalístico: exemplos de jornalismo literário e livros-reportagem para estudar. Enciclopédia Verse, 28 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/nao-ficcao/exemplos-de-jornalismo-literario. Acesso em: [data].
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