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Ensaio literário exemplos: sete ensaios para ler e o que cada um ensina

Sete ensaios abertos bastam para começar: "Of Cannibals", de Michel de Montaigne, "Of Studies", de Francis Bacon, "Why I Write", de George Orwell, "The Death of the Moth", de Virginia Woolf, "Instinto de nacionalidade", de Machado de Assis, Minha formação, de Joaquim Nabuco, e "Dialética da malandragem", do crítico Antonio Candido. Cada um mostra uma técnica visível na página: o caso que vira tese, o aforismo, a lista que se corrige, a cena mínima, o consenso deslocado. A forma em si está no guia sobre como escrever um ensaio literário.

Esta página foi feita com base nos ensaios e nos ensinamentos de mestres do gênero, como Michel de Montaigne, George Orwell e Virginia Woolf; no Brasil, Machado de Assis, Joaquim Nabuco e Antonio Candido.

Você digita "ensaio literário exemplos" e a tela devolve modelo de redação com introdução, desenvolvimento e conclusão. Não é isso que você quer escrever: quer ver um ensaio de verdade, de alguém que pensa no papel. Falta um nome para começar a ler.

O que você leva

A lista de sete ensaios abertos para ler e modelar, o critério para escolher entre eles e uma ficha de leitura em branco para copiar.

Pra quem é

Quem busca quer ler ensaios prontos para modelar o próprio, mas cai em redação escolar e em teoria sem texto.

Nesta página
  1. Quais ensaios ler primeiro, e o que cada um ensina?
  2. Como escolher o exemplo para o seu ensaio?
  3. Como ler um ensaio por dentro? Uma ficha em branco e um exemplo preenchido
Pilha de livros antigos com cortes marmorizados sobre uma mesa de madeira, sob luz de janela
Ler os ensaios clássicos é a forma mais direta de aprender o que um ensaio pode fazer. Foto de Suzy Hazelwood no Pexels

Quais ensaios ler primeiro, e o que cada um ensina?

Leia os sete na ordem da tabela, os estrangeiros primeiro e os brasileiros depois, e anote em cada um a técnica da terceira coluna.

ensaio forma o que ensina onde ler
Montaigne, "Of Cannibals" (Essais, 1580) ensaio de ideias abrir por um caso e tirar dele a regra do texto inteiro Gutenberg #3600, tradução de Charles Cotton
Francis Bacon, "Of Studies" (Essays, 1625) ensaio aforístico o ensaio como conselho condensado, aberto por uma sentença sobre o deleite, o ornamento e a habilidade Gutenberg #575
Orwell, "Why I Write" (Gangrel, 1946) ensaio pessoal de ofício classificar os próprios motivos em lista e corrigir a lista no fim Orwell Foundation
Woolf, "The Death of the Moth" ensaio narrativo de observação um acontecimento mínimo, olhado até o fim, que carrega o tema grande sem anunciá-lo Project Gutenberg Australia
Machado de Assis, "Instinto de nacionalidade" (Crítica, 1910) ensaio crítico partir de um consenso e deslocá-lo com um exemplo estrangeiro Wikisource
Joaquim Nabuco, Minha formação (1900) ensaio pessoal de interpretação partir do eu e fechar a ideia numa frase de antítese Gutenberg #76030
Antonio Candido, "Dialética da malandragem" (1970) ensaio crítico longo ler uma obra pela história de suas leituras publicação da UERJ (Revista Leme)

Os dois primeiros abrem a lista porque a forma começa com eles; a história está no termo ensaio.

Orwell pede um aviso: o texto na Orwell Foundation continua sob direito autoral em algumas jurisdições, inclusive nos Estados Unidos. Leia no endereço do espólio e cite só frases curtas. O ensaio fecha corrigindo a impressão que deixou, com a admissão de que "All writers are vain, selfish, and lazy", e é essa revisão diante do leitor que o torna modelo.

Woolf, em "The Death of the Moth", começa por uma distinção miúda, a mariposa que voa de dia, e passa à cena de quem estende um lápis para ajudar o inseto a se endireitar; o texto termina dando voz ao bicho: "death is stronger than I am". A coletânea é póstuma, e o editor, Leonard Woolf, diz que só pontuou os textos e corrigiu erros verbais óbvios: o que se lê é quase o rascunho final dela.

Machado pergunta o que faz uma literatura ser brasileira e responde contra a cor local: o que se exige do escritor é "certo sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e do seu país", e o contraexemplo é Shakespeare, "essencialmente inglês" sem tratar de temas ingleses. Nabuco condensa a tese do seu livro numa simetria: "O sentimento em nós é brasileiro, a imaginação européa".

Candido abre "Dialética da malandragem" contando como a crítica leu as Memórias de um sargento de milícias, com José Veríssimo em 1894, Mário de Andrade em 1941 e Darcy Damasceno em 1956, cada um deslocando o anterior. O ensaio crítico, aqui, começa pelo debate que já existe.

Como escolher o exemplo para o seu ensaio?

Escolha pela forma do que você quer escrever, não pelo prestígio do autor. O ponto de partida do seu texto aponta o exemplo:

  • Uma experiência sua: Orwell e Nabuco. Os dois usam o eu como ponto de partida e chegam a uma ideia, um sobre o ofício, outro sobre um povo.
  • Uma leitura ou uma polêmica: Machado e Candido. O ponto de partida é o que outros disseram, e a tese desloca isso.
  • Uma ideia a testar: Montaigne e Bacon. O primeiro vai e volta por digressões; o segundo condensa em sentenças.
  • Uma cena: Woolf. O tema grande entra sem ser nomeado.

A busca por "ensaio" traz outra coisa junto, e convém separar. O ensaio escolar é outra coisa. Se a tarefa é entregar um texto à escola ou à universidade, siga o formato que o professor pede; estes sete servem de modelo de pensamento, não de formato.

Variar a forma pesa mais que variar o autor. Virginia Woolf abre "The Modern Essay" lembrando que o ensaio pode ser curto ou longo, sério ou trivial, sobre Deus e Espinosa ou sobre tartarugas e Cheapside; a lista cobre esse espaço.

Como ler um ensaio por dentro? Uma ficha em branco e um exemplo preenchido

Mão escrevendo anotações num caderno ao lado de um livro aberto, sobre uma mesa
A ficha de leitura transforma o ensaio lido em anotações que servem ao seu próprio texto. Foto de Mikhail Nilov no Pexels

Leia com lápis e preencha a ficha abaixo; ela separa o que o texto diz do modo como ele diz. Copie a versão em branco:

Copie a ficha de leitura de ensaio
FICHA DE LEITURA DE ENSAIO
Ensaio / autor / ano:
Onde li (endereço ou edição):
1. Por onde abre? (caso, sentença, cena, polêmica)
2. Qual é a tese, em uma frase minha?
3. Onde o autor se desvia do assunto, e como volta?
4. Que prova usa? (caso, testemunha, trecho, exemplo)
5. Como fecha? (corrige, condensa, devolve, para)
6. Que técnica eu roubo para o meu ensaio?

Cada campo pergunta uma coisa: a abertura mostra de onde o autor tira o assunto; a tese, o que ele quer provar; o desvio, como pensa em voz alta; a prova, em que apoia; o fecho, que impressão deixa; a técnica, o que você leva. Preenchida com "Of Cannibals", de Montaigne:

  1. Por onde abre: pela anedota do rei Pirro diante do exército romano, de onde sai a regra do ensaio: julgar "by the eye of reason", e não pelo que se diz por aí.
  2. A tese: cada um chama de barbárie o que não é costume do próprio país; Montaigne diz não achar naquele povo nada de "barbarous and savage" além disso.
  3. O desvio: passa por Atlântida, Aristóteles e o rio Dordogne e avisa em voz alta que volta: "Now, to return to my subject".
  4. A prova: uma testemunha, um homem que viveu dez ou doze anos no Novo Mundo, na região onde Villegaignon desembarcou; Montaigne explica que confia nele por ser simples demais para inventar.
  5. O fecho: a ironia. Depois de relatar a conversa com um dos nativos, Montaigne termina com "they wear no breeches", eles não usam calças, a objeção que o leitor europeu faria, posta no próprio texto.
  6. A técnica a roubar: pesar a testemunha diante do leitor, dizendo por que se acredita nela.

Repare no ponto brasileiro: a fonte de Montaigne esteve no Brasil de 1557, segundo a nota da edição. O ensaio que abre listas de clássicos europeus nasce de um relato daqui.

Com as sete fichas prontas, a coluna de técnicas vira o seu cardápio. Escolha duas que sirvam ao seu assunto e escreva a primeira página imitando só a abertura.

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O guia-mãeComo escrever um ensaio, um livro-reportagem ou um true crime: a não-ficção que prende — Um ensaio começa pelo assunto e para onde se sente completo, ensinou o filósofo Theodor Adorno; um livro-reportagem ou um true crime usa as ferramentas do romance que o repórter Tom Wolfe listou, a cena à frente, para o que o editor Mark Kramer pede do jornali

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Termos usados nesta página

Quem fala sobre isso 4pessoas

  • Phillip Lopateensaísta, romancista e poeta americano (nascido em 1943); em 2008, professor de inglês na Universidade Hofstra e no mestrado do Bennington College

    Organizou a antologia The Art of the Personal Essay: An Anthology from the Classical Era to the Present (Anchor, 1994), com mais de setenta ensaios pessoais.

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  • John D'Agataensaísta americano; professor do departamento de inglês da Universidade de Iowa

    Organizou The Lost Origins of the Essay (Graywolf, 2009), antologia dos ensaios mais antigos da forma, de Teofrasto a Francis Bacon.

    Página ↗
  • Robert Atwanescritor e organizador de antologias americano; fundou em 1986 a série anual The Best American Essays e foi o editor dela

    Fundou em 1986 a série anual The Best American Essays, que reúne a cada ano ensaios publicados nos Estados Unidos.

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  • Virginia Woolf †romancista, ensaísta e crítica inglesa (1882–1941)

    Escreveu sobre o ensaio e sobre uma antologia de ensaios ingleses em "The Modern Essay" (The Common Reader, Hogarth Press, 1925).

    Página ↗

O que a rede diz 4 vozes

  • Capa do post de Henry Bugalho: COMO ESCREVER UM ENSAIO? │ MONTAIGNE, WALTER BENJAMIN, CAMUS │ HENRY BUGALHOYouTube

    Ensina a escrever um ensaio a partir de três ensaístas tomados como modelo: Montaigne, Walter Benjamin e Camus.

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  • Capa do post de Rodrigo Gurgel: Qual a diferença entre ensaio e artigo?YouTube

    Rodrigo Gurgel, num vídeo ligado ao seu Seminário de Literatura, explica qual é a diferença entre ensaio e artigo.

    Rodrigo GurgelYouTube ↗
  • Capa do post de Samy Bersi: Da ideia à publicação: meu processo de escrita de ensaio | diário de escrita 01YouTube

    Mostra, num diário de escrita, como nasce um ensaio dela: do primeiro estalo e do caderno cheio de anotações, perguntas e referências até a publicação.

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  • Capa do post de @etoilesindeTikTok

    Recomenda um breve ensaio de Laia Argüelles Folch sobre a carta, publicado pela editora Temporal, e faz dele um convite a voltar a escrever cartas.

    @etoilesindeTikTok ↗

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Autoria: Verse MediaRevisado em 28 out. 2026Passos conferidos em 28 out. 2026Publicado em 28 out. 20269 fontes · 6 no integral

Os sete ensaios foram escolhidos por estarem abertos para leitura e por mostrarem formas diferentes. Os trechos de Montaigne, Orwell, Woolf, Nabuco e Candido foram conferidos no texto; o de Machado, em extração curta do Wikisource; a abertura de Bacon, no texto do Projeto Gutenberg. Ficaram de fora ensaios sem texto aberto, como "Stranger in the Village", do americano James Baldwin, fechado na *Harper's*.

Cite esta página
VERSE MEDIA. Ensaio literário exemplos: sete ensaios para ler e o que cada um ensina. Enciclopédia Verse, 28 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/nao-ficcao/exemplos-de-ensaio-literario. Acesso em: [data].

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