Ensaio
Ensaio, no sentido literário, é um texto em prosa, geralmente não muito longo, em que o autor trata um tema de forma analítica, especulativa ou interpretativa, sem esgotá-lo, segundo o dicionário Priberam. A mesma palavra nomeia a repetição de uma peça de teatro, o experimento (ensaio clínico) e a obra sobre um tema sem pretensão de esgotá-lo, como no ensaio fotográfico. O guia sobre ensaio, jornalismo literário e true crime mostra como se escreve a forma literária.
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De onde vem a palavra ensaio?
Do verbo francês essayer, "tentar", "pôr à prova": o escritor francês Michel de Montaigne (1533–1592) foi o primeiro a chamar a própria obra de essais, no sentido de tentativas, segundo a Encyclopaedia Britannica. O dicionário Priberam traz outra raiz para o português, o latim tardio exagium, "pesagem". Montaigne começou a compor os ensaios em 1572, sob o impacto de Plutarco, e a primeira edição, em dois volumes, saiu em 1580.
No livro II, ele escreve que seu livro é consubstancial ao autor, uma parcela da vida dele. O que isso pede de quem escreve está no guia.
Como o ensaio chegou ao inglês?
O filósofo inglês Francis Bacon publicou Essays em 1597, com dez ensaios, ampliados em 1612 e 1625; foram as primeiras obras em inglês a se descreverem como ensaios. O dramaturgo Ben Jonson usou "essayist" pela primeira vez em 1609, segundo o Oxford English Dictionary, conforme o artigo de Edmund Gosse na Britannica de 1911. Para a biógrafa Sarah Bakewell, em How to Live (2010), houve influência direta de Montaigne sobre Bacon, que o cita em ensaios posteriores. A lista de exemplos de ensaio literário mostra o que ler dele.
O que separa o ensaio formal do informal?
C. Hugh Holman e William Harmon, em A Handbook to Literature (2003), caracterizam assim os dois tipos. O ensaio formal tem propósito sério, dignidade, organização lógica e extensão; o informal, o elemento pessoal (autorrevelação, gostos e experiências individuais, tom confidencial) e humor. O recorte do ensaio pessoal segue essa linha do tom confidencial, e o termo trata também do ensaio familiar e do crítico.
Ensaio é a redação escolar?
Não no sentido desta página. O manual de composição de Cheryl Glenn, Making Sense (2005), dedica capítulos à descrição, à exemplificação, à classificação e divisão, à comparação e à causa e efeito. Nos Estados Unidos e no Canadá, o ensaio virou parte central da educação formal, segundo Owens (1996). É o uso de sala de aula; a palavra que Montaigne tomou para a própria obra, essais, tentativas, é a do gênero desta página.
Que exemplos de ensaio existem na literatura brasileira?
Dialética da malandragem (1970), de Antonio Candido, é um exemplo de ensaio crítico brasileiro; outros estão na lista de exemplos de ensaio literário. A serrote, revista de ensaios do Instituto Moreira Salles, nasceu em março de 2009, editada pelo jornalista Paulo Roberto Pires, e se dedica a ensaios de não ficção.
O que o ensaio pede de quem escreve?
Antes de tudo, escolher o registro: o formal pede organização lógica e extensão, o informal pede o elemento pessoal e o tom confidencial, na caracterização de Holman e Harmon. Como isso vira método, e o que muda do ensaio literário para o pessoal e para a reportagem, está no guia.
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O guia completoComo escrever um ensaio, um livro-reportagem ou um true crime: a não-ficção que prende — Um ensaio começa pelo assunto e para onde se sente completo, ensinou o filósofo Theodor Adorno; um livro-reportagem ou um true crime usa as ferramentas do romance que o repórter Tom Wolfe listou, a cena à frente, para o que o editor Mark Kramer pede do jornaliTambém nesta enciclopédia
Termos vizinhos
Lidas no texto integral
Lidas em resumo ou pela referência
- Priberam, Dicionário da Língua Portuguesa, "ensaio", https://dicionario.priberam.org/ensaio (aberta em 28/10/2026)
- Encyclopaedia Britannica, "Essay", https://www.britannica.com/art/essay
- Edmund Gosse, "Essay", Encyclopaedia Britannica, 11. ed., 1911, p. 777
- Sarah Bakewell, How to Live, 2010, p. 280
- Montaigne, Essais, 1580, facsímile Gallica/BnF, https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b8609579f
- C. Hugh Holman e William Harmon, A Handbook to Literature, 2003, p. 193
- Cheryl Glenn, Making Sense: A Real-World Rhetorical Reader, Bedford, 2005; Owens, Keywords in Composition Studies, 1996, p. 85–88
- Antonio Candido, "Dialética da malandragem" (1970), abertura do texto
- serrote: "serrote completa 10 anos…", Folha Vitória, 2019; tese PUC-Rio, https://maxwell.vrac.puc-rio.br/52698/52698_5.PDF
VERSE MEDIA. Ensaio. Enciclopédia Verse, 28 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/nao-ficcao/ensaio. Acesso em: [data].
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