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Como escrever um livro sobre minha vida: memórias, autobiografia e autoficção

Para escrever um livro sobre a própria vida, William Zinsser, que ensinava memórias a adultos na New School, propõe um método: um episódio vívido por manhã, de três a cinco páginas, e só meses depois, com os episódios no chão, o fio do livro. Antes vem a forma, que é um contrato: para Philippe Lejeune, há autobiografia quando o nome na capa é o do narrador, e Henri Delangue lê nisso um compromisso com a verdade; a autoficção, batizada por Serge Doubrovsky em 1977, põe esse nome num romance.

Este guia foi feito com base nos ensinamentos de especialistas, mestres e autores consagrados das memórias e da autobiografia, como William Zinsser, Philippe Lejeune, Serge Doubrovsky, Mary Karr, Vivian Gornick, Annie Ernaux e Georges Perec; no Brasil, Graciliano Ramos, Pedro Nava, Carolina Maria de Jesus, Zélia Gattai, Conceição Evaristo e Cristovão Tezza.

Você carrega essa história há anos, e toda vez que senta para escrever ela chega inteira de uma vez: o nascimento, os pais, a casa, tudo pedindo para entrar primeiro. Ou escreveu dez páginas e parou na dúvida se pode contar aquilo do seu irmão. Agora olha o caderno sem saber se o livro é memória, romance ou só um desabafo.

O que você leva
  1. A forma do livro escolhida (memórias, autobiografia, diário, autoficção ou história de família) com o contrato que ela assina com o leitor
  2. o método dos episódios curtos para começar
  3. uma lista de perguntas dos mestres para destravar a memória
  4. e o que a lei brasileira diz sobre pôr gente real no livro.
Pra quem é

Quer contar a própria vida, mas a lembrança vem em pedaços, não sabe por onde começar nem que livro é aquele, e tem medo de errar o que aconteceu ou de ferir quem aparece nas páginas.

Nesta página
  1. Memórias, autobiografia ou autoficção: qual é o livro da sua vida?
  2. Por onde começar um livro sobre a sua vida?
  3. Que perguntas fazer para escrever uma autobiografia?
  4. Como organizar as memórias: cronologia, tema ou um recorte?
  5. Quem conta a história: a criança de antes ou o adulto de hoje?
  6. Como fazer a lembrança virar cena?
  7. Pode inventar? A memória falha e o pacto com o leitor
  8. Posso citar nomes reais da família?
  9. Vale a pena escrever um livro sobre minha vida se não for publicar?
  10. Perguntas frequentes
  11. O que fazer com isso
Mãos escrevendo à caneta numa folha já meio preenchida, sobre uma mesa de madeira com uma xícara de café e cadernos amarrados com barbante.
Antes de virar livro, a história da própria vida é folha escrita à mão, uma de cada vez. Foto de cottonbro studio no Pexels

Preço vem com a data na frase. O que estiver sublinhado em mostarda é análise nossa; o resto tem fonte no fim da página. Termo com ponto abre a definição ao passar o mouse.

Memórias, autobiografia ou autoficção: qual é o livro da sua vida?

Para Zinsser, a diferença que importa a quem escreve é de tamanho: a autobiografia atravessa a vida inteira, e as memórias, nas palavras dele, "assumes the life and ignores most of it" (dá a vida por suposta e ignora quase tudo dela). Zinsser, professor de escrita em Yale, publicou em 1976 On Writing Well, manual de não-ficção que passou de um milhão de exemplares.

Para Philippe Lejeune, professor e ensaísta francês especialista em autobiografia, o que decide é a capa. Ele mostrou em Le pacte autobiographique (1975) que ela existe quando autor, narrador e personagem são a mesma pessoa, e que o texto afirma essa identidade remetendo, no fim das contas, ao nome do autor na capa. Na leitura do pesquisador Henri Delangue, esse pacto é um compromisso de dizer a verdade ao leitor, e se opõe ao pacto da ficção, em que o autor propõe ao leitor um jogo de acreditar (jouer à croire).

Serge Doubrovsky deu nome em 1977 à autoficção, com Fils, romance cujo herói se chama Serge Doubrovsky. Na síntese de Arnaud Genon (2007), citada por Delangue, ela fica entre dois pactos: o nome do autor no herói e a palavra "romance" na capa; a origem do termo e o debate em volta dele estão no termo autoficção.

A fronteira tem casos difíceis, e um deles, no Brasil, é O filho eterno (2007), de Cristovão Tezza, livro sobre um pai e o filho com síndrome de Down que ganhou o Jabuti, o Portugal Telecom e o Prêmio São Paulo de Literatura em 2008. A pesquisadora Anna Faedrich o lista entre as autoficções brasileiras, ao lado de A chave de casa, de Tatiana Salem Levy, e de Divórcio, de Ricardo Lísias.

Mas o livro é contado na terceira pessoa, e Philippe Vilain, no verbete de The Novelist's Lexicon (2011), exige da autoficção primeira pessoa e protagonista com o nome do autor; pelo critério dele, o livro seria romance autobiográfico. O próprio Tezza disse que a ficção lhe dá liberdade: não fala de si, mas de alguém que conhece bem e de quem mantém "uma distância segura".

As formas lado a lado, pelo que os mestres dizem de cada uma (as definições completas estão nos termos autobiografia, memórias e autoficção):

Memórias, autobiografia ou autoficção: as formas lado a lado
forma o que a capa promete quanto da vida cobre o que se pode inventar quem ensina e um exemplo no Brasil
Autobiografia autor = narrador = personagem (Lejeune); compromisso de verdade (Delangue) a vida inteira, revista de um ponto no tempo (Zinsser; Roy Pascal, Design and Truth in Autobiography) nada, pelo pacto (Lejeune, na leitura de Delangue) Lejeune; as Confissões de Jean-Jacques Rousseau —
Memórias Zinsser e Pascal as distinguem da autobiografia pelo tamanho e pelo foco um recorte da vida, com o olhar nos outros e no mundo em volta (Zinsser; Pascal) a "remembered truth", a verdade lembrada (Zinsser) Zinsser; a poeta e memorialista Mary Karr, The Liars' Club; a ex-repórter Vivian Gornick, Fierce Attachments Pedro Nava, Baú de ossos; Zélia Gattai, Anarquistas, graças a Deus
Diário momentos sucessivos no lugar da revisão (Pascal) momento a momento, sem a revisão de conjunto (Pascal) — Pascal Carolina Maria de Jesus, Quarto de despejo
Autoficção nome do autor no herói e "romance" na capa: dois pactos (Genon, via Delangue) — os fatos, não: são "estritamente reais"; a ficção está na linguagem (Doubrovsky) Doubrovsky, Fils Tatiana Salem Levy, A chave de casa; Ricardo Lísias, Divórcio (Faedrich)
Romance autobiográfico "romance" na capa, sem narrador em primeira pessoa com o nome do autor: não é autoficção (Vilain) — o pacto da ficção, o jogo de acreditar (Delangue) Vilain Cristovão Tezza, O filho eterno, pelo critério de Vilain (Faedrich o lista como autoficção)
História de família um registro para os seus (Zinsser) um lado da família por vez (Zinsser) — Zinsser e as histórias que o pai escreveu —

Por onde começar um livro sobre a sua vida?

Zinsser manda começar pelo episódio, não pelo livro: na segunda de manhã, escrever sobre algum acontecimento ainda vívido, de três a cinco páginas, com começo e fim, e guardar numa pasta; na terça, outro, sem ligação com o primeiro; e assim por dois, três ou seis meses. Só então tirar tudo da pasta, espalhar no chão e ler: os episódios dizem do que é o livro e do que não é, o que é central e o que é secundário, e o desenho da história começa a aparecer. O método responde a um diagnóstico dele: a maioria de quem começa umas memórias paralisa diante do tamanho da tarefa, e muitas ficam anos pela metade ou nunca são escritas.

O obstáculo anterior, para Zinsser, é a permissão. Alunos de escola, mulheres de meia-idade com os filhos criados e um amigo jornalista que adiou a vida toda escrever sobre o pai pastor diziam a mesma coisa, que não se achavam autorizados a escrever sobre o que conheciam melhor; o amigo só começou aos 65, e se surpreendeu com o quanto descobriu. A idade não fecha a porta: Zélia Gattai, fotógrafa que viria a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, começou a escrever memórias aos 63 anos e estreou com Anarquistas, graças a Deus (1979). No outro extremo, Benvenuto Cellini abriu a autobiografia dizendo que ninguém deveria começá-la antes dos 40.

O começo pelo pequeno tem um exemplo brasileiro. Carolina Maria de Jesus, catadora de papel na favela do Canindé, em São Paulo, abre o diário que viraria Quarto de despejo (1960) por um dia: 15 de julho de 1955, aniversário da filha Vera Eunice, e um par de sapatos que ela não pôde comprar e achou no lixo. A filha conta que ela parava a catação e dizia "Agora, tenho que escrever", e escrevia no papel que encontrasse, no "papel de pão".

A tradição da autobiografia longa começa por outro lugar. Baú de ossos (1972), primeiro volume das memórias do médico mineiro Pedro Nava, abre, segundo a editora, pelos antecedentes genealógicos da família, e a obra memorialística de Nava soma cerca de 2.600 páginas; o lugar dela na tradição brasileira está no termo memórias. Lidos juntos, os dois caminhos não se excluem: o de Nava parece o de quem já tem o livro desenhado; o de Zinsser e o de Carolina servem a quem ainda não sabe que livro tem. A primeira frase em si, a que abre o livro pronto, é assunto do guia sobre como começar um livro.

Que perguntas fazer para escrever uma autobiografia?

Lata aberta com envelopes escritos à mão e fotografias guardadas dentro e ao lado dela.
Cartas e retratos guardados fazem a lembrança voltar, e cada um vira uma pergunta. Foto de cottonbro studio no Pexels

Para Zinsser, o próprio ato de escrever é um mecanismo de busca: mexendo no passado, ele se surpreendia com incidentes esquecidos que voltavam na hora certa, e a memória quase sempre dá material quando as outras fontes secam. As perguntas abaixo saem do que os mestres fizeram, cada uma com o dono:

pergunta de onde vem
Je me souviens… (eu me lembro): uma lembrança por linha, pequena, sem escolher o Je me souviens (1978) do escritor francês Georges Perec, 480 lembranças quase todas de uma frase, cujo título, forma e, até certo ponto, espírito, diz Perec, vieram do I remember do pintor e poeta americano Joe Brainard
Que som ou cheiro marcava a casa? a escritora americana Eudora Welty abre One Writer's Beginnings com os relógios da casa; Alfred Kazin volta ao bairro pelo cheiro do bolo e do macacão do pai (exemplos de Zinsser)
Quem cruzou a vida da família, e que mania tornou essa pessoa inesquecível? Zinsser: o ingrediente crucial das memórias são as pessoas
Que episódio pequeno ainda está vívido? Zinsser: se ainda se lembra, é porque tem uma verdade que o leitor reconhece
Que fragmento ficou de cada pessoa? Graciliano Ramos, romancista de Vidas secas: dos companheiros de prisão, guardou nomes, olhos azuis, uma contração do rosto, uma queimadura
O que mostra cada fotografia, e o que ficou fora dela? Annie Ernaux, Nobel de Literatura de 2022, e Marc Marie, que organizaram L'Usage de la photo (2005) em torno de fotografias
Que histórias se contavam em casa na infância? a romancista mineira Conceição Evaristo, que diz ainda ter na cabeça as histórias que escutava menina
O que aquela situação fez da pessoa que veio depois? Zinsser: as maiores histórias falam menos do assunto que do significado

Graciliano conta que dos companheiros de prisão só gravou fragmentos, e foi com eles que escreveu Memórias do cárcere.

Como organizar as memórias: cronologia, tema ou um recorte?

Para organizar, Zinsser pede "a series of reducing decisions", uma série de decisões que reduzem o livro. Numa história de família, escrever sobre um lado só, o da mãe ou o do pai, e deixar o outro para outro projeto; nas memórias, lembrar que quem escreve é o protagonista e o guia, e deixar de fora quem não precisa estar, irmãos inclusive.

Uma aluna que ia escrever sobre a casa da infância em Michigan planejava entrevistar o pai e os dez irmãos; Zinsser perguntou se a história era deles, ela disse que era dela, e ele a poupou de centenas de horas de entrevista: "It's your story". Com outra aluna, Helen Blatt, que não conseguia fatos bastantes para contar a fuga do pai da Polônia, o conselho foi o inverso do esperado: escrever a própria viagem à aldeia dele, porque ao contar a busca ela contaria também a vida do pai.

Para Zinsser, o poder das memórias que ele admira vem do foco estreito, e Growing Up, de Russell Baker, é uma caixa dentro de outra: a história de um menino dentro da história de uma família batida pela Depressão. Vivian Gornick escreveu sobre a mãe em Fierce Attachments; Annie Ernaux, sobre o pai em La Place; Tezza, sobre o filho. Zinsser fecha o argumento: as maiores histórias falam menos do que se fez numa situação que do modo como ela formou a pessoa.

Graciliano, para o crítico Alfredo Bosi um dos três ou quatro maiores prosadores da literatura brasileira, reivindicou o contrário do método na abertura de Memórias do cárcere (1953): andar para a direita e para a esquerda "como um vagabundo", saltar passagens sem interesse, omitir acontecimentos essenciais e ampliar insignificâncias. Lidos juntos, Graciliano e Zinsser sugerem a mesma coisa por lados opostos: quem decide o que entra é quem escreve, não a ordem do calendário. A forma também organiza: diário datado, genealogia, memória presa a fotografias ou a vida contada na terceira pessoa; a tabela da primeira seção mostra as principais, e o guia de exemplos de autobiografia reúne livros de cada uma.

Quem conta a história: a criança de antes ou o adulto de hoje?

Esquema com duas colunas, a criança de antes e o adulto de hoje, cada uma com o que o narrador sabe.
As duas vozes possíveis para contar a própria vida e o que cada uma deixa o narrador saber. Diagrama: Verse

Zinsser responde com duas palavras: "Choose one", escolha uma. Para ele, as memórias mais fortes preservam a unidade de um tempo e de um lugar lembrados, como Growing Up, de Baker, e The Road from Coorain, de Jill Ker Conway, que contam como era ser criança num mundo de adultos em apuros; o outro caminho, o do adulto que olha para trás com o que sabe hoje, tem integridade própria, como em Poets in Their Youth, em que Eileen Simpson, já psicoterapeuta, revê os anos ao lado do primeiro marido, o poeta John Berryman. O que não funciona é misturar os dois.

Sobre a voz, os mestres discordam. Zinsser admirava as histórias de família que o pai escreveu na velhice: ele escrevia como falava, e por isso o filho ouvia nelas a personalidade e o humor dele; daí o conselho "Don't try to be a 'writer'", não tente ser escritor.

Vivian Gornick, ex-repórter do Village Voice cujo Fierce Attachments entrou na lista dos 50 melhores livros de memórias do New York Times, diz o oposto em The Situation and the Story (2001): "I had to find the right tone of voice", e o tom com que vivia no dia a dia não servia. Para ela, o narrador das memórias é uma persona construída, "the instrument of illumination", o instrumento que ilumina. Mary Karr, poeta e memorialista texana de The Liars' Club (1995), põe a voz no centro do pacto: o leitor aceita a subjetividade do livro porque a voz dela é tão marcada que ele nunca esquece de quem é o ponto de vista.

Annie Ernaux achou a voz numa carta: a "escrita plana" de La Place (1983), diz ela, é a mesma que usava para dar aos pais as notícias essenciais. E a distância da terceira pessoa também é uma escolha de voz: Ernaux escreveu de si na terceira pessoa, "elle", pela primeira vez em Les Années (2008), a vida de uma mulher dentro da sociedade francesa do pós-guerra aos anos 2000; Tezza também contou O filho eterno na terceira pessoa.

Como fazer a lembrança virar cena?

Para Zinsser, um dos segredos das memórias é o detalhe, de qualquer tipo, um som, um cheiro, o título de uma canção, desde que tenha moldado a parte da vida que se escolheu destilar. Welty abre One Writer's Beginnings com os relógios da casa em Jackson, no Mississippi, o carrilhão do corredor que chegava até a varanda de dormir, e em poucas linhas o leitor sabe que casa era aquela e que homem era o pai. Alfred Kazin, que Zinsser chama de decano dos críticos literários americanos, volta à infância no Brooklyn pelo nariz: o bolo assando na sexta à tarde, o macacão do pai cheirando a terebintina, o jornal dobrado no bolso do casaco.

O ingrediente crucial, segundo Zinsser, são as pessoas: o que as tornou inesquecíveis, que jeito de pensar, que manias. O exemplo dele é o pai do advogado e escritor inglês John Mortimer, um advogado que ficou cego e seguiu trabalhando: a mulher lia em voz alta, no trem, os relatórios dos detetives nos casos de divórcio, e quando ela baixava a voz nos trechos mais escabrosos, ele gritava "Speak up, Kath!" para o vagão inteiro ouvir. E o personagem mais interessante de umas memórias, ele espera, deve ser quem as escreveu.

O limite vem do mesmo Zinsser: cada componente das memórias precisa fazer trabalho útil, mover a história, porque a linha entre ego e egotismo é fina, e as memórias não são licença para tagarelar como terapia. A escritora americana Patricia Hampl, autora de I Could Tell You Stories (1999), define o papel de quem escreve memórias como o de testemunha, mais que o de contador de histórias.

Sobre se toda página precisa de cena, Tom Wolfe, organizador da antologia The New Journalism (1973), e o ensaísta Phillip Lopate discordam: Wolfe pôs a construção cena a cena em primeiro lugar entre os recursos do New Journalism, e Lopate recusa que toda não-ficção precise de cena ou diálogo; o debate pertence ao guia sobre ensaio, jornalismo literário e true crime.

Pode inventar? A memória falha e o pacto com o leitor

Para Zinsser, o ofício é "the art of inventing the truth": impor a um amontoado de lembranças pela metade uma forma e uma ideia.

Quem passou do limite foi James Frey: A Million Little Pieces (2003), livro de memórias dele, tinha experiências inventadas, reveladas pelo site The Smoking Gun em janeiro de 2006; Oprah Winfrey, que o havia escolhido para o clube de leitura dela, disse a ele no programa "I feel duped", sentiu-se enganada. Na outra ponta, Alexandra Pringle, ex-editora-chefe de uma grande editora, disse em 2026 que o livro de memórias é obra de literatura que beira a ficção.

Karr, por sua vez, não acredita numa memória sem falha. Ao Fresh Air, programa da rádio pública americana NPR, disse em 2015: "I have no doubt that I've gotten a million things wrong", não tem dúvida de que errou um milhão de coisas. E contou ter jogado fora 1.200 páginas prontas, publicáveis, porque eram ruins. Zinsser conta um caso intermediário. Escreveu sobre a avó como uma presença difícil; depois do livro, a mãe dele a defendeu, dizendo que a avó era tímida e queria ser querida; para ele, a verdade estava entre as duas versões, mas a dele era "my remembered truth", a verdade lembrada, e assim ele a escreveu.

Graciliano Ramos deu ao problema a formulação brasileira. Em Memórias do cárcere admite que, se tivesse guardado as páginas escritas na prisão, acharia nelas "incongruências, erros, hiatos, repetições", e avisa: "Essas coisas verdadeiras podem não ser verossímeis". Para Alfredo Bosi, o resultado não é pura ficção nem pura historiografia, é testemunho, que quer ser verídico e casa memória individual com história. Até Perec, no posfácio do seu exercício de lembrança, admitiu que nem tudo estava certo.

Karr confere: manda o original às pessoas sobre quem escreveu antes de publicar, e diz que não por medo de ser desmascarada, mas porque desconfia da própria memória. O norueguês Karl Ove Knausgård, cujo Min kamp (Minha luta, 2009–2011) tem seis volumes e mais de 3.500 páginas, chegou a duvidar de si e do livro quando o tio o acusou de distorcer a história do pai.

No jornalismo literário, assunto do guia sobre ensaio, jornalismo literário e true crime, o editor Mark Kramer põe entre as regras do gênero não compor cenas nem inventar citações. Lido com o pacto de Lejeune na versão de Delangue, o caminho de quem precisa compor cenas é mudar de contrato, para romance ou autoficção; a conclusão é nossa.

Posso citar nomes reais da família?

Álbuns de família antigos abertos, com fotografias em preto e branco coladas nas páginas.
Quem aparece no álbum aparece no livro, e a decisão de pôr o nome é de quem escreve. Foto de Thiago José Amaral no Pexels

Para o Supremo Tribunal Federal, que julgou a ADI 4815 em 10 de junho de 2015, por unanimidade, a publicação de biografias não depende de autorização prévia do biografado, nem dos familiares quando a pessoa já morreu. O abuso se resolve depois: na notícia do julgamento, o ministro Luís Roberto Barroso citou retificação, direito de resposta, indenização e, em último caso, responsabilização penal.

A decisão deu interpretação conforme a Constituição aos artigos 20 e 21 do Código Civil. O artigo 20, o que a decisão releu, diz que, salvo autorização ou necessidade da justiça ou da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra ou o uso da imagem de uma pessoa "poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber", se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se tiverem fins comerciais; no caso de morto, podem pedir o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes.

O artigo 21 diz que "A vida privada da pessoa natural é inviolável". A notícia do julgamento fala de biografias, literárias ou audiovisuais; aplicar a mesma regra a quem aparece num livro de memórias é leitura nossa.

Um caso brasileiro recente: Diário da cadeia (Record, 2017), de Ricardo Lísias, saiu assinado "Eduardo Cunha (pseudônimo)"; liberado pela Justiça em 2017, foi mandado recolher em janeiro de 2025 por decisão do ministro Alexandre de Moraes, com multa de R$ 30 mil à Record por dano moral e direito de resposta de Cunha no site da editora. Lísias defendeu a escolha: "O jeito como o livro foi assinado faz parte do trabalho artístico".

Zinsser manda não pensar nisso antes da hora: o primeiro trabalho é pôr a história no papel como se lembra, sem olhar por cima do ombro; só depois vem a privacidade, e se o livro vai além da família, mostrar a cada parente as páginas em que aparece, por cortesia, aceitando ou não os pedidos de corte. E lembra que ninguém tem o monopólio do passado comum: a irmã que discordar pode escrever as memórias dela.

Karr manda o original a quem aparece no livro, e diz do personagem antipático: "When there's a jerk in the book, it's usually me" (quando há um babaca no livro, em geral é ela). Knausgård, ameaçado de processo pelo tio, disse não ter problema em trocar o nome de quem não quisesse aparecer com o nome verdadeiro. Graciliano admitia publicar Memórias do cárcere depois de morto, o que, segundo Fabio Cesar Alves em Armas de papel (2016), podia evitar dissabores com quem se viu retratado; o livro saiu em 1953, ano da morte dele.

Zinsser acrescenta que o motivo pesa. Lembra a avalanche de memórias dos anos 1990 usadas como terapia e acerto de contas: ninguém se lembra delas; ficaram as escritas com amor e perdão, como The Liars' Club, de Karr, Angela's Ashes, de Frank McCourt, e This Boy's Life, de Tobias Wolff, cujos autores são tão duros consigo quanto com os mais velhos. O conselho dele: não usar as memórias para acertar contas; a raiva vai para outro lugar.

Vale a pena escrever um livro sobre minha vida se não for publicar?

Para Zinsser, muitas boas razões para escrever não têm nada a ver com publicar: escrever ajuda a fazer as pazes com a própria história e a atravessar perdas, doenças e fracassos. O pai dele, homem de negócios, escreveu na velhice, a lápis num bloco amarelo e sem reescrever, uma história da família e outra do negócio de goma-laca da família, que o bisavô de Zinsser fundou em 1849; mandou datilografar, mimeografar e encadernar, e deu um exemplar com dedicatória a cada filho, genro e nora e a cada um dos 15 netos. Ao filho, a história do pai contou detalhes do casamento da avó que ele não sabia quando escreveu as próprias memórias.

Na França, esse destino tem endereço: a APA, Association pour l'autobiographie et le patrimoine autobiographique, em Ambérieu-en-Bugey, recolhe, conserva e divulga documentos autobiográficos inéditos, com serviço de depósito, catálogo anual e grupos de leitura do acervo.

Um diário também pode chegar longe. Quarto de despejo, montado pelo jornalista Audálio Dantas a partir de 20 cadernos de Carolina Maria de Jesus, saiu em 1960 com 10 mil exemplares que se esgotaram depressa, teve mais 20 mil na segunda edição e 50 mil na terceira, e foi traduzido para mais de uma dezena de línguas.

A edição tem um peso próprio: segundo Robert M. Levine, em The Life and Death of Carolina Maria de Jesus (1995), Dantas desaconselhou Carolina a publicar os contos e poemas que ela também escrevia. Anarquistas, graças a Deus, de Zélia Gattai, passou de 200 mil exemplares em 20 anos. Conceição Evaristo, que inventou a palavra "escrevivência" para a escrita que nasce da vivência, levou mais de vinte anos até publicar o primeiro livro, e começou editando a si mesma.

Quem decide publicar encontra o caminho no guia sobre como publicar um livro; quem prefere que outra pessoa escreva por ela, no guia sobre o ghostwriter.

Perguntas frequentes

Preciso ser escritor para escrever a história da minha vida?

Não, segundo William Zinsser, que achava o pai, um homem de negócios sem pretensão literária, mais natural na escrita do que ele mesmo. O conselho dele é escrever como se fala e não tentar ser escritor: o produto das memórias é a própria pessoa.

E se eu não lembro direito do que aconteceu?

Para Zinsser, escrever é um mecanismo de busca e a memória costuma devolver o que parecia perdido. Graciliano Ramos lembrou da prisão em fragmentos, olhos, gestos, uma queimadura, e escreveu com eles; Mary Karr manda o texto a quem aparece nele para conferir.

Preciso ser famoso para escrever minha autobiografia?

Não. Zinsser lembra que muitas boas razões para escrever não têm nada a ver com publicar, e na França a APA recolhe e conserva documentos autobiográficos inéditos. Serge Doubrovsky, que via a autobiografia como privilégio dos importantes deste mundo, deu à própria vida outra forma, a autoficção.

Qual a diferença entre biografia e autobiografia?

Na biografia, alguém conta a vida de outra pessoa; na autobiografia, segundo Philippe Lejeune, autor, narrador e personagem são a mesma pessoa. A comparação das duas com as memórias está no termo biografia.

Tem exemplo de autobiografia para seguir?

Sim. Carolina Maria de Jesus abre o diário Quarto de despejo pelo dia, 15 de julho de 1955, e Zélia Gattai estreou aos 63 anos com Anarquistas, graças a Deus (1979); o guia de exemplos de autobiografia reúne outros livros conhecidos para ver a forma pronta.

Como escrever a história do meu pai ou da minha avó?

É a vida de outra pessoa, com entrevista e apuração, e está no guia sobre como escrever a biografia de outra pessoa. Zinsser lembra um caminho do meio: a aluna que não achava fatos sobre o pai escreveu a própria busca por ele, e contou as duas vidas.

Posso transformar meu diário em livro?

Pode, e Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, saiu de 20 cadernos de diário. O livro passou pela mão de um editor, o jornalista Audálio Dantas, que o montou a partir dos cadernos e desaconselhou a publicação dos contos e poemas dela.

O que fazer com isso

Para aplicar o que os mestres ensinam: Lejeune descreve o contrato que a capa assina, e a tabela da primeira seção mostra o de cada forma; Zinsser sugere a pasta de episódios, um por manhã, sem pensar no livro; Perec, Welty, Graciliano e Evaristo deixam perguntas para quando a memória secar; e Zinsser manda mostrar as páginas aos parentes depois de escrever, se o livro for além da família, como Karr faz antes de publicar.

O ensaio pessoal e a reportagem de não-ficção estão no guia sobre ensaio, jornalismo literário e true crime; o ofício geral de levar um livro do início ao fim, em como escrever um livro; e o caminho até a livraria, em como publicar um livro.

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Quem fala sobre isso 6pessoas

  • William Zinsser †escritor, editor e professor de escrita americano (1922–2015); ensinou em Yale, na New School e em Columbia; autor de On Writing Well (1976)

    Escreveu os capítulos "Writing About Yourself: The Memoir" e "Writing Family History and Memoir" do manual On Writing Well (30ª ed., HarperCollins, 2006).

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  • Philippe Lejeuneprofessor universitário francês, especialista em autobiografia (nascido em 1938); mantém o site Autopacte

    Livro sobre a autobiografia: Le pacte autobiographique (Seuil, 1975), em que define a autobiografia pelo mesmo nome para autor, narrador e personagem.

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  • Serge Doubrovsky †romancista e professor de literatura francesa (1928–2017); lecionou na Universidade de Nova York a partir de 1966; Prêmio Médicis de 1989

    Criou o termo autoficção na quarta capa do romance Fils (1977) e escreveu sobre a autobiografia em Autobiographiques: de Corneille à Sartre (PUF, 1988).

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  • Vivian Gornickensaísta, crítica e memorialista americana (nascida em 1935); repórter do Village Voice de 1969 a 1977; autora de Fierce Attachments (1987)

    Livro sobre a escrita pessoal: The Situation and the Story: The Art of Personal Narrative (Farrar, Straus and Giroux, 2001).

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  • Mary Karrpoeta, ensaísta e memorialista americana (nascida em 1955); professora de literatura inglesa na Universidade de Syracuse; autora de The Liars' Club (1995)

    Livro sobre como escrever memórias: The Art of Memoir (HarperCollins, 2015).

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  • Anna Faedrichpesquisadora de literatura brasileira; em 2016, professora substituta da UNIRIO, com pós-doutorado na UFF sobre autoficção e literatura brasileira contemporânea

    Artigo sobre a teoria da autoficção: "Autoficção: um percurso teórico", Criação & Crítica (USP), n. 17, 2016.

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O que a rede diz 6 vozes

  • Capa do post de KN Literary Arts: Writing Your Life Story: Get Started with this ExerciseYouTube

    No começo, escrever memórias funciona como um diário de meses: é a fase de juntar as cenas que vão entrar no livro, e o canal propõe para isso um exercício de listar cem momentos da própria vida.

    KN Literary ArtsYouTube ↗
  • Capa do post de @heyaliciajoyTikTok

    Escrever um livro sobre a vida inteira assusta; a sugestão é trocar pelas memórias, que recortam um pedaço da vida e tornam a tarefa bem mais possível.

    @heyaliciajoyTikTok ↗
  • Capa do post de Vidaria Livros: Como ESCREVER um LIVRO sobre a HISTÓRIA da sua VIDA: Passo a Passo DefinitivoYouTube

    A Vidaria Livros conta que o vídeo mais visto do canal é o de como escrever uma autobiografia, e refez a explicação em forma de passo a passo para quem quer escrever a própria história.

    Vidaria LivrosYouTube ↗
  • Capa do post de Cecília Xavier: Roteiro de 10 passos para escrever a sua  HISTÓRIA DE VIDAYouTube

    Propõe um roteiro de dez passos para escrever a história de vida na maturidade: fazer uma retrospectiva dos principais acontecimentos e descobrir o que a própria história fez com quem a viveu.

    Cecília XavierYouTube ↗
  • Capa do post de @georgiascastroTikTok

    Diz, com humor, que escrever setenta páginas sobre a própria vida se revelou muito mais desesperador do que parecia.

    @georgiascastroTikTok ↗
  • Capa do post de @aldeialiterariaTikTok

    Num aulão de escrita, apresenta a autoficção como caminho para narrar experiências pessoais e admite que descrever as próprias emoções com autenticidade é a parte difícil.

    @aldeialiterariaTikTok ↗

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Autoria: Verse MediaRevisado em 28 out. 2026Passos conferidos em 28 out. 2026Publicado em 28 out. 202634 fontes · 14 no integral

Lidas no texto integral

  • William Zinsser, On Writing Well, 30th anniversary ed., HarperCollins, 2006, caps. "Writing About Yourself: The Memoir" e "Writing Family History and Memoir" (archive.org).
  • Régine Robin, "L'auto-théorisation d'un romancier : Serge Doubrovsky", Études françaises, v. 33, n. 1, 1997, p. 45–59 (com a quarta capa de Fils e a definição de Lejeune, Le pacte autobiographique, Seuil, 1975).
  • Henri Delangue, "Autobiographie ou autofiction chez Amélie Nothomb?", Çedille, n. 10, 2014, p. 129–141.
  • Maya Lavault, "Lettres de fille: les usages de la lettre chez Annie Ernaux", Fabula / Les colloques, 2020.
  • Joseph P. Flood, "Creating the Self: Personal Nonfiction How-To", The Harvard Crimson, 20/09/2001 (sobre Vivian Gornick, The Situation and the Story, 2001).
  • Alfredo Bosi, "A escrita do testemunho em Memórias do cárcere", Estudos Avançados (USP).
  • Elisa Scaraggi, "Prisioneiro, militante e escritor", Teresa, n. 18, 2017 (com Graciliano Ramos, Memórias do cárcere, p. 9).
  • Código Civil (Lei 10.406/2002), arts. 20 e 21, Planalto.
  • Conceição Evaristo, entrevista à CTXT, republicada pelo IHU-Unisinos, 09/03/2018.
  • Marisa Loures, entrevista com Vera Eunice de Jesus, Tribuna de Minas, 06/07/2021 (com a entrada de 15/07/1955 de Quarto de despejo).
  • M. A. Orthofer, resenha de Min kamp (Karl Ove Knausgård), The Complete Review.
  • Association pour l'autobiographie et le patrimoine autobiographique (APA), site oficial.
  • Phillip Lopate, entrevista a Lania Knight, Poets & Writers, 16/05/2008.
  • Mark Kramer, "Breakable Rules for Literary Journalists", 1995 (Nieman Storyboard).

Lidas em resumo ou pela referência

  • Mary Karr, entrevista a Terry Gross, Fresh Air, NPR, 15/09/2015 (trechos na página da WUNC).
  • Supremo Tribunal Federal, "STF afasta exigência prévia de autorização para biografias", 10/06/2015.
  • Guilherme Sobota, "Alexandre de Moraes manda recolher 'Diário da cadeia'", PublishNews, 16/01/2025.
  • M. A. Orthofer, resenha de Je me souviens (Georges Perec, 1978), The Complete Review.
  • Serge Doubrovsky, Fils, Galilée, 1977, quarta capa.
  • Philippe Vilain, verbete em The Novelist's Lexicon, Columbia University Press, 2011.
  • Roy Pascal, Design and Truth in Autobiography, 1960.
  • Vivian Gornick, The Situation and the Story, Farrar, Straus and Giroux, 2001, via Maria Popova, The Marginalian, 22/06/2015; NYT, "The 50 Best Memoirs of the Past 50 Years", 26/06/2019.
  • Annie Ernaux, La Place, Gallimard, 1983; Les Années, Gallimard, 2008; Academia Sueca, Nobel de Literatura 2022.
  • Hermione Hoby, "Karl Ove Knausgaard", The Guardian, 01/03/2014.
  • Edward Wyatt, "Best-Selling Memoir Draws Scrutiny", The New York Times, 10/01/2006; NPR, "'Lifespan' Of A Fact", 08/03/2012.
  • Sam Leith, "Does it matter that Jason Arday's memoir is made up?", The Spectator, 28/08/2026.
  • Benvenuto Cellini, The Autobiography, trad. George Bull, 1966.
  • Patricia Hampl, I Could Tell You Stories, Norton, 1999, via John B. Breslin, America, 29/07/2000.
  • Tom Wolfe, "The New Journalism", 1973, via Partisan Review, 1974.
  • Companhia das Letras, página de Baú de ossos (Pedro Nava, 1972); Afonso Henrique Fávero, "Pedro Nava: um memorialista e tanto", Cronos (UFRN).
  • Fernanda Rodrigues de Miranda, dissertação, USP, 2013; Tom Farias, Carolina, 2018; Robert M. Levine, The Life and Death of Carolina Maria de Jesus, 1995.
  • Academia Brasileira de Letras, biografia de Zélia Gattai.
  • Folha Online, "Cristovão Tezza e Tatiana Levy levam Prêmio São Paulo de Literatura", 01/12/2008; entrevista de Tezza à Folha de S.Paulo, 2008, via Claraboia (UENP).
  • Anna Faedrich, Autoficções: do conceito teórico à prática na literatura contemporânea brasileira, tese, PUCRS, 2014.
Cite esta página
VERSE MEDIA. Como escrever um livro sobre minha vida: memórias, autobiografia e autoficção. Enciclopédia Verse, 28 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/nao-ficcao/como-escrever-a-historia-da-sua-vida. Acesso em: [data].

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