Memoir
Memoir é, para William Zinsser, professor de escrita e autor de On Writing Well, o livro que "assumes the life and ignores most of it", ao contrário da autobiografia, que cobre a vida inteira. A palavra é inglesa; o termo mais próximo em português, com definição própria, está em memórias.
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Como Zinsser define o memoir?
Zinsser dedica um capítulo do livro à forma, "Writing About Yourself: The Memoir", e escreve: "Think narrow". O memoir não resume uma vida, é uma janela para ela, parecida com uma fotografia na composição seletiva. Quem escreve precisa ser "the editor of your own life", impondo forma narrativa a uma massa de eventos meio lembrados, e para ele "Memoir is the art of inventing the truth". Os exemplos dele incluem Fierce Attachments, de Vivian Gornick, The Liars' Club, de Mary Karr, Speak, Memory, de Vladimir Nabokov, A Cab at the Door, de V. S. Pritchett, e One Writer's Beginnings, de Eudora Welty.
Qual é o contrato de verdade de Mary Karr?
Mary Karr, autora de The Liars' Club e de The Art of Memoir (2015), disse em entrevista ao New York Times, citada pela Fordham Now, que no memoir há "a different contract with the reader: you don't make stuff up". Para ela, a invenção é a regra cardeal, a que James Frey quebrou em A Million Little Pieces. Karr admite que escolher e omitir já molda a narrativa, mas mantém que o contrato é a verdade. O debate sobre o quanto o memoir pode se aproximar da ficção, de Frey a 2026, está no guia sobre como escrever a história da sua vida.
Memoir é o mesmo que autobiografia?
No uso de Zinsser, não: ele separa as duas pela abrangência, a vida inteira contra um canto estreito dela. A autobiografia tem página própria, e o termo em português está em memórias.
O que o memoir exige de quem escreve?
Zinsser pede foco estreito e Karr, fidelidade ao fato; como decidir isso no seu livro está no guia sobre como escrever a história da sua vida.
E no Brasil: quem escreveu esse recorte estreito?
O filho eterno (Record, 2007), de Cristovão Tezza, é o exemplo brasileiro mais direto do foco estreito: o pai que aprende a lidar com a síndrome de Down do filho, com a vida inteira do autor fora do quadro. A imprensa o chamou de "autobiografia ficcional" em terceira pessoa ao noticiar o Jabuti, e o próprio Tezza explica a escolha: "A ficção me dá liberdade", diz, e na terceira pessoa mantém "uma distância segura". O livro levou o Jabuti, o Portugal Telecom e o Prêmio São Paulo de Literatura em 2008.
Zélia Gattai, fotógrafa e da Academia Brasileira de Letras, estreou aos 63 anos com Anarquistas, graças a Deus (1979), recorte da infância entre imigrantes italianos anarquistas em São Paulo; passou de 200 mil exemplares em 20 anos e ela mesma se dizia "memorialista". Já Quarto de despejo (1960), de Carolina Maria de Jesus, é diário, não memoir, e chegou ao público editado por Audálio Dantas a partir de 20 cadernos, o que pede cuidado ao tratá-lo como voz sem mediação. O termo em português para esse conjunto está em memórias; a diferença para a autobiografia segue a de Zinsser.
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O guia completoComo escrever um livro sobre minha vida: memórias, autobiografia e autoficção — Para escrever um livro sobre a própria vida, William Zinsser, que ensinava memórias a adultos na New School, propõe um método: um episódio vívido por manhã, de três a cinco páginas, e só meses depois, com os episódios no chão, o fio do livro.Termos vizinhos
Lidas no texto integral
Lidas em resumo ou pela referência
- Cristovão Tezza, entrevista à Folha de S.Paulo, 2008, citada em artigo da revista Claraboia (UENP), https://seer.uenp.edu.br/index.php/claraboia/article/download/146/pdf/146
- Gazeta do Povo, "Cristovão Tezza se diz surpreso com Prêmio Jabuti", https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/cristovao-tezza-se-diz-surpreso-com-premio-jabuti-e-ja-trabalha-em-novo-romance-b6vyokiqyq92b0p42e27c4mku
- Folha Online, "Cristovão Tezza e Tatiana Levy levam Prêmio São Paulo de Literatura", 01/12/2008
- Academia Brasileira de Letras, biografia de Zélia Gattai, http://www.academia.org.br/academicos/zelia-gattai/biografia
- Fernanda Rodrigues de Miranda, Os caminhos literários de Carolina Maria de Jesus, dissertação, USP, 2013, p. 45
- Robert M. Levine, The Life and Death of Carolina Maria de Jesus, 1995, p. 64
- Mary Karr, The Art of Memoir, Harper, 2015 (pela frase citada em Fordham Now, "Liars' Club Author on the Conscience of a Writer", https://now.fordham.edu/arts-and-culture/liars-club-author-on-the-conscience-of-a-writer/)
VERSE MEDIA. Memoir. Enciclopédia Verse, 28 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/nao-ficcao/memoir. Acesso em: [data].
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