Autobiografia
Autobiografia é a biografia escrita pelo próprio biografado, na definição do Priberam. Para o professor francês Philippe Lejeune, é o relato retrospectivo, em prosa, que uma pessoa real faz da própria existência (tradução nossa), com o acento na vida individual e na história da personalidade.
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De onde vem a palavra autobiografia?
O Priberam forma a palavra de auto- e biografia. Segundo o Oxford English Dictionary, o primeiro uso em inglês foi depreciativo: William Taylor, em 1797, na Monthly Review, propôs a palavra como um híbrido e a condenou por pedante; o primeiro uso no sentido atual é de Robert Southey, em 1809.
O que faz um texto ser autobiografia, segundo Lejeune?
Em Le Pacte autobiographique (1975, p. 14), Lejeune dá a definição acima. O que o nome na capa tem a ver com ela, e por que isso importa a quem escreve, está no guia sobre como escrever a história da sua vida. A combinação que Lejeune deixou sem exemplo, um romance cujo herói tem o nome do autor, ganhou nome em 1977: autoficção.
Autobiografia, diário e memórias: onde fica a linha?
Para o crítico Roy Pascal, a autobiografia revê uma vida a partir de um momento particular, enquanto o diário se move por uma série de momentos. Onde a autobiografia acaba e começam as memórias (o memoir, em inglês) está nos termos próprios.
Que obras antigas se tornaram modelo de autobiografia?
As Confissões de Santo Agostinho (13 livros em latim, escritos entre 397 e 400) são descritas por muitos como a primeira autobiografia e como modelo da autobiografia espiritual; Chadwick as chama de uma das grandes obras-primas da literatura ocidental. O escultor e ourives Benvenuto Cellini abre a sua dizendo que quem tem grandes feitos deve escrever a própria vida de próprio punho.
E no Brasil, qual é a autobiografia de referência?
Um marco brasileiro é Minha formação (1900), de Joaquim Nabuco, o abolicionista. A maior parte saiu primeiro no Commercio de S. Paulo, em 1895, e o próprio autor chama o livro, no texto, de "confissão da minha formação política", uma vida contada pelo que a formou, não dia a dia.
As memórias de Pedro Nava são tratadas como o monumento do gênero: Baú de ossos (1972), primeiro volume, abre pelos antecedentes genealógicos da família, e a obra, de cerca de 2.600 páginas, é para o pesquisador Afonso Henrique Fávero "o monumento literário mais notável do memorialismo brasileiro". Zélia Gattai, fotógrafa e depois da Academia Brasileira de Letras, estreou aos 63 anos com Anarquistas, graças a Deus (1979), que passou de 200 mil exemplares em 20 anos, e se dizia memorialista.
Quarto de despejo (1960), de Carolina Maria de Jesus, é um diário, a forma que Pascal separa da autobiografia, mas entra na conversa porque foi editado por Audálio Dantas a partir de 20 cadernos, e Dantas a desaconselhou a publicar seus contos e poemas. Quanto é dela e quanto é do editor, a fonte não responde.
O que muda para quem escreve a própria vida?
Escolher entre autobiografia, memórias e autoficção é escolher um contrato com o leitor, e o guia sobre como escrever a história da sua vida mostra cada forma lado a lado. A vida de outra pessoa é a biografia, no mesmo dicionário.
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O guia completoComo escrever um livro sobre minha vida: memórias, autobiografia e autoficção — Para escrever um livro sobre a própria vida, William Zinsser, que ensinava memórias a adultos na New School, propõe um método: um episódio vívido por manhã, de três a cinco páginas, e só meses depois, com os episódios no chão, o fio do livro.Termos vizinhos
Lidas no texto integral
- Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, "autobiografia", https://dicionario.priberam.org/autobiografia (consultado em 28/10/2026)
- Régine Robin, Études françaises 33(1), 1997, https://doi.org/10.7202/036052ar (citações de Lejeune e Doubrovsky)
- Joaquim Nabuco, Minha formação, Rio de Janeiro, H. Garnier, 1900, prefácio e texto (Project Gutenberg 76030)
Lidas em resumo ou pela referência
- Pedro Nava, Baú de ossos, 1972, e Afonso Henrique Fávero, "Pedro Nava: um memorialista e tanto", Cronos (UFRN)
- Zélia Gattai, biografia na Academia Brasileira de Letras
- Carolina Maria de Jesus, Quarto de despejo, Francisco Alves, 1960; Robert M. Levine, The Life and Death of Carolina Maria de Jesus, 1995, p. 64
- Philippe Lejeune, Le Pacte autobiographique, Seuil, 1975, p. 14 (pela citação em Robin)
- Oxford English Dictionary, "autobiography" (pela referência)
- Henry Chadwick, introdução a Confessions, Oxford World's Classics, 2008
- Roy Pascal, Design and Truth in Autobiography, 1960
- Benvenuto Cellini, The Autobiography, trad. George Bull, Londres, 1966, p. 15
VERSE MEDIA. Autobiografia. Enciclopédia Verse, 28 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/nao-ficcao/autobiografia. Acesso em: [data].
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