Autoficção
Autoficção é, no Priberam, um "género literário que se aproxima de uma autobiografia romanceada", termo proposto em 1977 pelo romancista Serge Doubrovsky na quarta capa de Fils. Esta página registra a definição dele e as leituras de Régine Robin e de Philippe Vilain, sem decidir entre elas.
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De onde vem o termo?
Na quarta capa de Fils (Galilée, 1977), Doubrovsky escreveu que a autobiografia é um privilégio reservado aos importantes deste mundo, no fim da vida e num belo estilo, e propôs no lugar uma ficção de acontecimentos e fatos estritamente reais: autoficção, se se quiser. Disse ter confiado a linguagem de uma aventura à aventura da linguagem, fora da sabedoria e da sintaxe do romance, tradicional ou novo (tradução nossa). Segundo Gronemann (2019), ele cunhou o termo nos rascunhos de Fils.
Para Régine Robin, Doubrovsky percebeu que Fils ocupava uma lacuna no inventário do teórico Philippe Lejeune, que em 1975 perguntara se o herói de um romance declarado poderia ter o nome do autor e concluíra que, na prática, nenhum exemplo se apresentava ao espírito (tradução nossa). Mais tarde Doubrovsky definiu a autoficção como a ficção que decidiu, como escritor, dar de si mesmo, incorporando a experiência da análise não só no tema, mas na produção do texto.
Como Régine Robin descreve a autoficção?
Em artigo de 1997 na revista Études françaises, Régine Robin descreve a autoficção como um tipo de autobiografia estilhaçada, fragmentária e sem visão unificadora, que respeita os dados do referente mas toma a escrita como índice de ficcionalidade.
Onde a autoficção se separa do romance autobiográfico?
Para o escritor Philippe Vilain, no The Novelist's Lexicon (2011), a autoficção exige narrativa em primeira pessoa com protagonista que tem o nome do autor; é por esse critério que ele a separa do romance autobiográfico. A pesquisadora Anna Faedrich cita, em tese de 2014 na PUCRS, Ribamar, de José Castello, entre as autoficções brasileiras. O guia sobre como escrever a história da sua vida mostra o que o critério de Vilain faz com um livro brasileiro da lista de Faedrich.
O que muda para quem escreve?
Na síntese de Arnaud Genon (2007), citada pelo pesquisador Henri Delangue, a autoficção fica entre dois pactos: o nome do autor no herói e a palavra "romance" na capa. O guia sobre memórias, autobiografia e autoficção ajuda a decidir entre as formas, e o termo vizinho é a autobiografia.
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O guia completoComo escrever um livro sobre minha vida: memórias, autobiografia e autoficção — Para escrever um livro sobre a própria vida, William Zinsser, que ensinava memórias a adultos na New School, propõe um método: um episódio vívido por manhã, de três a cinco páginas, e só meses depois, com os episódios no chão, o fio do livro.Termos vizinhos
Lidas no texto integral
- Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, "autoficção", https://dicionario.priberam.org/autoficção (consultado em 28/10/2026)
- Régine Robin, Études françaises 33(1), 1997, https://doi.org/10.7202/036052ar (inclui a quarta capa de Fils e citações de Lejeune e Doubrovsky)
Lidas em resumo ou pela referência
- Anne-Laure Walter, "Serge Doubrovsky: les 1 696 pages qui ont fondé l'autofiction", Livres Hebdo, 27/06/2014, https://www.livreshebdo.fr/article/serge-doubrovsky-les-1-696-pages-qui-ont-fonde-lautofiction
- Gronemann, "Autofiction", Handbook of Autobiography / Autofiction, De Gruyter, 2019, doi 10.1515/9783110279818-029
- Philippe Vilain, em The Novelist's Lexicon, Columbia UP, 2011, doi 10.7312/vill15080
- Anna Faedrich, Autoficções: do conceito teórico à prática na literatura contemporânea brasileira, tese, PUCRS, 2014
VERSE MEDIA. Autoficção. Enciclopédia Verse, 28 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/nao-ficcao/autoficcao. Acesso em: [data].
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