Ensaio pessoal
Ensaio pessoal é o ensaio em que predomina o elemento pessoal (autorrevelação, gostos e experiências individuais, tom confidencial), traço que C. Hugh Holman e William Harmon, em A Handbook to Literature (2003), atribuem ao ensaio informal, em contraste com o formal. O ensaio em geral e a dose do eu na não ficção são tratados no guia sobre ensaio, jornalismo literário e true crime.
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Qual a diferença para o ensaio familiar e o crítico?
A Penguin Random House descreve o ensaio pessoal da antologia The Art of the Personal Essay, organizada por Phillip Lopate (1994), pelo tom amigável e conversado, pela estrutura solta e pelo impulso à franqueza e à autorrevelação.
A ensaísta Anne Fadiman separa três tipos, no prefácio de At Large and At Small (2007): o crítico tem mais cérebro que coração, o pessoal mais coração que cérebro, e o familiar tem os dois na mesma medida. Para ela, o auge do ensaio familiar foi o início do século XIX, e Charles Lamb foi o maior expoente.
O que E. B. White pediu do ensaísta?
No prefácio de Essays of E. B. White (1977), o escritor E. B. White descreve o ensaísta como um homem autolibertado, sustentado pela crença infantil de que tudo o que pensa e tudo o que lhe acontece interessa a todos. Para White, só uma pessoa congenitamente autocentrada tem o descaramento e o fôlego para escrever ensaios. Ele pode vestir qualquer camisa, ser qualquer tipo de pessoa conforme o humor ou o assunto, e a franqueza é o ingrediente básico. Cada ensaio, nas palavras dele, é uma nova "tentativa" que o leva a terra nova.
Até onde vai a liberdade com os fatos?
Para White, o ensaísta não pode se permitir o engano nem a ocultação, porque será descoberto em pouco tempo. O caso de The Lifespan of a Fact (2012), de John D'Agata e Jim Fingal, mostra onde essa fronteira foi disputada na prática: o livro imprime lado a lado o ensaio "What Happens There" (2003), de D'Agata, sobre o suicídio de um garoto de 16 anos em Las Vegas, e a checagem dele. A Harper's, que encomendara o texto, o recusou por liberdade com os fatos; a The Believer o aceitou, e o então estagiário Jim Fingal, que esperava uns 10 erros em 15 páginas, escreveu mais de 100 páginas de comentários, segundo a NPR.
E no Brasil?
A conversa brasileira sobre um texto curto, de composição solta e voz próxima do leitor passa pela crônica. O crítico Antonio Candido abriu essa discussão em "A vida ao rés-do-chão" (1980), introdução ao volume de crônicas da série Para gostar de ler, que reunia Drummond, Rubem Braga, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos. Nele, a crônica é "um gênero menor", e é por isso mesmo que fica "perto de nós" e serve à literatura pela composição solta e pela linguagem do dia a dia. O texto entrou depois em Recortes (Companhia das Letras, 1992), e uma resenha do livro o cita como o escrito em que um gênero despretensioso como a crônica pode proporcionar "o impulso transfigurador, embora discreto".
O crítico Afrânio Coutinho tratou os dois gêneros juntos em "Ensaio e crônica", capítulo de A literatura no Brasil (v. 6, 1986). Ele divide a crônica em cinco tipos, entre eles a metafísica, de reflexão filosófica, e o comentário, que passeia por vários assuntos. A página da crônica desenvolve essas tipologias.
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O guia completoComo escrever um ensaio, um livro-reportagem ou um true crime: a não-ficção que prende — Um ensaio começa pelo assunto e para onde se sente completo, ensinou o filósofo Theodor Adorno; um livro-reportagem ou um true crime usa as ferramentas do romance que o repórter Tom Wolfe listou, a cena à frente, para o que o editor Mark Kramer pede do jornaliTermos vizinhos
Lidas no texto integral
- Murilo Marcondes de Moura, resenha de Recortes de Antonio Candido, Novos Estudos CEBRAP (só a resenha)
Lidas em resumo ou pela referência
- C. Hugh Holman e William Harmon, A Handbook to Literature, 2003, p. 193
- Penguin Random House, "Reader's guide" de The Art of the Personal Essay, https://www.penguinrandomhouse.com/books/103559/
- Anne Fadiman, At Large and At Small, Farrar, Straus and Giroux, 2007, prefácio, p. x–xi
- E. B. White, "Foreword", Essays of E. B. White, Harper & Row, 1977, trechos em Maria Popova, The Marginalian, 18/04/2013
- Antonio Candido, "A vida ao rés-do-chão", 1980; trecho em Murilo Marcondes de Moura, resenha de Recortes, Novos Estudos CEBRAP, https://novosestudos.com.br/wp-content/uploads/2017/05/05_recortes.pdf.zip (resenha lida no texto integral; o ensaio, via artigos acadêmicos)
- Afrânio Coutinho, "Ensaio e crônica", em A literatura no Brasil, v. 6, José Olympio/Eduff, 1986, p. 117–143, resumido em artigos acadêmicos (ABRALIC 2013; Decifrar, UFAM, 2019)
- NPR, "'Lifespan' Of A Fact: What Are The Limits Of Literary License?", 08/03/2012, https://www.npr.org/2012/03/08/148040132/lifespan-what-are-the-limits-of-literary-license
VERSE MEDIA. Ensaio pessoal. Enciclopédia Verse, 28 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/nao-ficcao/ensaio-pessoal. Acesso em: [data].
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