Subgêneros de romance: como escrever dark romance, hot e romantasy
Os subgêneros de romance do BookTok são o dark romance, que a autora Ana Huang define por temas e personagens escuros, com anti-heróis e vilões no centro; o romance erótico, o "hot", em que, para a Passionate Ink, os elementos eróticos são parte da trama; e a romantasy, a fantasia que, na definição registrada pela SFWA, desaba sem o romance. Para Huang, a esperança no fim, somada à catarse, separa o dark do horror, e um estudo de 2024 achou mais consentimento verbal no dark do que no romance contemporâneo.
Este guia foi feito com base nos ensinamentos de especialistas, mestres e autores consagrados do romance, como Ana Huang, Rina Kent, H. D. Carlton, Rebecca Yarros, Stephanie Burgis e Sierra Simone; no Brasil, Zoe X, Tatiana Amaral e Cassandra Rios.
Você já leu dezenas desses livros e sabe o que te prendeu em cada um. Agora tem uma história com um anti-herói, uma cena que pede porta aberta e um mundo inteiro na cabeça. Na hora de escrever, a dúvida não é o enredo: é até onde ir, como chamar o livro e o que avisar a quem vai abrir.
A comparação dos três subgêneros de romance do BookTok, com o que cada um não pode perder, e as decisões que quem escreve precisa tomar: o final, o limite do escuro, o consentimento, o calor, o aviso e onde publicar, cada uma pela voz de quem escreve o gênero.
Lê dark romance, hot e romantasy no BookTok e quer escrever um deles, mas não sabe em qual o livro se encaixa, até onde pode ir sem virar o que critica, quanto calor pôr nem que aviso dar; o que acha em português é lista de livro para ler, não para escrever.
Nesta página
- Quais são os subgêneros de romance do BookTok?
- Dark romance é romance?
- Como escrever dark romance?
- Dark romance romantiza abuso?
- Como escrever consentimento no dark romance e no hot?
- Como escrever uma cena hot?
- Quanto spice pôr no livro?
- Livro de dark romance precisa de aviso de gatilho?
- Como escrever romantasy?
- Como publicar livro erótico e dark romance no Brasil e na Amazon?
- Perguntas frequentes
- O que fazer com isso
Quais são os subgêneros de romance do BookTok?
A Publishers Weekly registrou em 2024 que o romance no TikTok cunha rótulos novos, como why choose, demon romance e twisted fairytale. Ana Huang, autora da série Twisted, best-seller do BookTok, disse à rádio pública WBUR em 2023 que o dark romance é subjetivo. E a pesquisadora Katie Deane, num artigo de introdução ao subgênero (Porn Studies, 2026), registra que o rótulo não tem definição consensual (ver dark romance).
Em 2024, segundo a Publishers Weekly com dados da Circana BookScan, as vendas de romance impresso nos Estados Unidos subiram quase 9%; os dois livros de Rebecca Yarros, autora de Fourth Wing, somaram quase 1,7 milhão de exemplares, Corte de espinhos e rosas, de Sarah J. Maas, autora de romantasy, 1,3 milhão, e os dois de Colleen Hoover mais de 1,6 milhão. Na primeira lista britânica de mais vendidos do BookTok, de maio de 2026, romance e romantasy dominaram; os números estão no guia sobre hashtags do BookTok e do Bookstagram.
O mafia romance aparece dentro do dark: a Verus anunciou em 2026 a coleção Obscura, de dark romance, que junta máfia, bilionário, stalker e sociedade secreta sob o mote "romances que flertam com o perigo". A comédia romântica picante de capa ilustrada, nas palavras de Ana Lima, editora da Rocco, em 2023, são "comédias românticas com sexo" com "sempre um final feliz". E o omegaverse, que costuma ter a origem atribuída à fanfic do fandom de Supernatural, fica fora desta comparação.
Os subgêneros do BookTok lado a lado
A tabela junta, para cada subgênero, o que autoras, editoras e pesquisadoras dizem que a história não pode perder, o final, o calor e o que a leitora quer saber antes de abrir o livro. A organização é da casa; onde há nome, ele indica quem diz.
| subgênero | o que a história não pode perder | o final | o calor | o que a leitora quer saber antes | referências |
|---|---|---|---|---|---|
| dark romance | temas e personagens escuros, anti-heróis e vilões no centro (a autora Ana Huang); dinâmica moralmente ambígua, desequilíbrio de poder e tabu a serviço da relação (a pesquisadora Katie Deane) | felizes para sempre depois do trauma, numa história que termina em esperança (Huang) | — | aviso de conteúdo e idade sugerida (criadoras do BookTok à The Bookseller) | Ana Huang, Rina Kent, H. D. Carlton; no Brasil, Zoe X |
| romance erótico | os elementos eróticos como parte da trama (Passionate Ink) | final feliz ou feliz por enquanto (Passionate Ink) | explícito: para a autora Tatiana Amaral, a cena íntima não deve ficar atrás da cortina | o nível de calor, que a autora de comédias românticas Sariah Wilson mede comparando o livro com outros parecidos | Cinquenta tons de cinza; no Brasil, Tatiana Amaral |
| romantasy | a trama desaba sem o romance; o mundo tão central quanto o amor (definição registrada pela SFWA); o mundo pressiona o casal (Reedsy) | o final feliz é promessa central (Reedsy; a autora Stephanie Burgis) | de Divine Rivals, porta fechada, a A Court of Silver Flames (Reedsy) | se é adulto ou jovem adulto: a HarperCollins Brasil põe a romantasia jovem adulta no selo Pitaya, não na Harlequin (Julia Barreto) | Sarah J. Maas, Rebecca Yarros; no Brasil, FML Pepper |
| mafia romance | o herói mafioso; a Itália como cenário levou a ele (a autora Dani Moraes); máfia entre os tropes da coleção Obscura (Verus) | — | — | classificação +18 e gatilhos (protocolo da Obscura) | Navessa Allen, No limite; no Brasil, Dani Moraes |
| rom-com picante | comédia romântica com sexo (Ana Lima, Rocco) | "sempre um final feliz" (Ana Lima) | com sexo (Ana Lima) | o nível de calor | guia sobre a capa de livro de romance |
Dark romance é romance?
Para Ana Huang, o dark fica no romance pelo final: é "a story that ends in hope" (uma história que termina em esperança), em que as personagens "overcome their trauma to find their happily ever after" (superam o trauma para chegar ao felizes para sempre), e é a esperança mais a catarse emocional que o separa do horror e do thriller sombrio.
A reportagem da CNN de 2023 sobre Colleen Hoover, autora americana que vendeu 14,3 milhões de exemplares em 2022, diz que, para escritoras, leitoras e editoras, o final feliz, ou feliz por enquanto, "is not a negotiable issue" (não é negociável). A exigência britânica de relação "saudável", que deixaria parte do dark fora do gênero, está no guia sobre como escrever romance.
Uma leitora britânica ouvida pela VICE News em 2023, Imogen, disse que por pior que a história fique haverá final feliz, e que escolhe entrar na narrativa "knowing how it ends" (sabendo como termina).
Como escrever dark romance?
Para as brasileiras Zoe X, autora de dark romance, e Dani Moraes, de romance mafioso, escrever o escuro é separar o que a personagem perdoa do que a autora endossa. Zoe X, que tem cerca de 20 títulos, disse ao Correio: "Isso não significa que seja perdoável, mesmo que o personagem tenha perdoado". Moraes disse que cria ficção de limites flexíveis, "porém, não necessariamente louváveis".
Para Rina Kent, autora da série Royal Elite, que a WBUR apresenta entre as autoras best-sellers do dark, o atrativo são os anti-heróis: "We really loved the anti-heroes" (a gente amava os anti-heróis), porque são muito mais interessantes. A brasileira Emma S. Grey, autora de Carnificina, defende que até os anti-heróis mais sombrios podem amar "sem deixar de serem o que são". Moraes contou ao Correio em 2024 que foi o cenário, a Itália, que a levou ao herói mafioso, e que o livro permite à mulher realizar as fantasias na imaginação.
À Metrópoles, em 2024, Olívia Lautre, autora de O peso do vazio, disse que o estilo existe "para mostrar o sujo, mostrar o grotesco, macabro"; Evilane Oliveira, da série Renascidos em Sangue, põe a violência no centro mas recusa o estupro cometido pelo protagonista, "uma linha que jamais irei cruzar". Emma S. Grey traça o limite pela leitora: se são livros de mulheres para mulheres, por que retratar a violência que as atinge todo dia.
Zoe X descreve Amor profano (Faro, 2025) como "um livro de entrada" para quem ainda não quer "botar os dois pés na porta" do que ela escreve. E conta que descobriu que o romance +18 vendia em peso na Amazon, com o top 10 dominado por autoras independentes, e decidiu "dar o que elas querem ler, mas no meu molde"; usa pseudônimo pela privacidade e pela liberdade criativa. As convenções que a leitora procura, do enemies to lovers ao stalker, estão no guia sobre os tropes de romance.
Dark romance romantiza abuso?
O psicólogo André Almeida, especialista em sexologia, disse à Metrópoles, numa reportagem de 2024 sobre dark romance, que "quando a gente romantiza essas perspectivas, muitas vezes a gente acaba ratificando violências". Fora do dark, segundo a CNN, críticos e influenciadores acusam É assim que acaba, de Hoover, de romantizar o abuso, e Hoover diz que o escreveu inspirada na coragem da mãe de deixar um casamento abusivo. E um estudo de Amy Bonomi e colegas (Journal of Women's Health, 2013) leu em Cinquenta tons de cinza violência sexual pela definição do órgão de saúde americano, o CDC, e sinais clássicos de mulher abusada em Anastasia, a protagonista.
Huang disse que quem lê o dark "should be able to critically enjoy it" (deve poder gostar com senso crítico), porque sabe que esses temas são ruins na vida real, e que a ficção é um jeito seguro de explorar fantasias. A autora Kerri Maniscalco disse ao Guardian, em 2024, que os livros picantes são "safe space for readers to explore their own fantasies" (espaço seguro para a leitora explorar as próprias fantasias).
Kitty Thomas, autora de Comfort Food (2010), dark autopublicado, disse à VICE que as leitoras sentem permissão para lidar com os próprios medos e fantasias. Os pesquisadores Timothy Laurie e Jessica Kean (2015) defenderam que o filme Cinquenta tons de cinza dramatiza os perigos da negociação desigual.
H. D. Carlton, autora de Haunting Adeline, dark romance que vai virar filme, respondeu em vídeo, em 2026, à reação contra a adaptação: quem lê dark com gatilhos de non-con (sem consentimento) porque isso ajuda a lidar com o próprio trauma "you are not wrong" (não está errada), e a culpa de um homem machucar uma mulher é só do homem. Kent vê dois pesos: romance escrito para mulheres é julgado com mais dureza que outra ficção sombria.
O texto dos livros foi medido por Janeth Hernandez, num trabalho final do mestrado em edição da Portland State University (2024): ela comparou livros de dark romance e de romance contemporâneo por frequência de palavras, análise de consentimento e codificação temática, e achou mais ocorrências de consentimento verbal no dark; o contemporâneo seguia o roteiro sexual dominante, com consentimento menos dito.
Como escrever consentimento no dark romance e no hot?
Sierra Simone, autora de romance contemporâneo com kink (Priest), disse à Jezebel em 2018 que monta as cenas de sexo "almost entirely around the idea of consent" (quase inteiramente em torno da ideia de consentimento), e o comparou ao paraquedas que se prende às costas antes de pular do avião. A pesquisadora Angelika Tsaros (Sexualities, 2013) lê o CNC, consensual non-consent (consentimento não consentido), como a suspensão da aparência de consentimento para permitir o jogo de poder erótico, e Cinquenta tons de cinza e História de O como romances que dependem dele.
Na mesma reportagem da Jezebel, Maya Rodale, autora de romance histórico e do ensaio Dangerous Books for Girls, disse que sempre tenta pôr "a moment of explicit consent" (um momento de consentimento explícito); a romancista Sarah MacLean disse que a leitora precisa ver na cena que a mulher está dizendo sim; e Bree Bridges, metade da dupla Kit Rocha, foi além: "consent is not enough. You have to have informed consent" (consentimento não basta; tem de ser informado). O consentimento no romance em geral, com Lisa Kleypas, autora de romances históricos, e Beverly Jenkins, pioneira do romance histórico afro-americano, está no guia sobre como escrever romance.
Do lado do dark, Zoe X disse ao Correio, em 2025, que Amor profano é tabu mas "Ninguém está sendo forçado e é tudo consensual". E a leitora Jackie, ouvida pela VICE, disse odiar o termo dubious consent (consentimento duvidoso), "because that is not a real thing that exists in the world" (porque isso não existe no mundo real).
Como escrever uma cena hot?
Tatiana Amaral, autora baiana de romance erótico com mais de 60 livros publicados, defende não fechar a cortina na cena íntima: contou ao jornal A Tarde, em 2025, que, quando começou a ler os livros de sucesso, o escritor mostrava tudo, até a personagem passeando com o cachorro, "mas não mostrava quando o casal tinha relações", e que isso "é fechar uma cortina que não deveria ser fechada". E disse que a mulher precisava ter voz e entender a própria sexualidade.
A Passionate Ink, capítulo de romance erótico da associação americana de escritoras de romance (RWA), diz que no romance erótico o sexo é parte da trama e do desenvolvimento da relação; a diferença entre romance erótico, ficção erótica e romance picante está no termo erótico. A separação entre erotismo e pornografia já era a da brasileira Cassandra Rios, pioneira do romance erótico lésbico, como conta o guia sobre como escrever romance.
Sierra Simone disse à Jezebel que monta as cenas de sexo em torno do consentimento, e que sem ele não se sentiria segura nem como escritora nem como leitora. Sariah Wilson, autora de comédias românticas, contou na Writer's Digest (2024) que, como leitora, antes de escrever o primeiro livro, pulava as cenas mais picantes para voltar às partes de que gostava.
Nos anos 1940, sem dinheiro, Anaïs Nin escreveu narrativas eróticas para um colecionador anônimo a um dólar a página; elas saíram como Delta de Vênus em 1977. História de O (1954), assinado Pauline Réage, foi escrito por Anne Desclos como cartas de amor ao editor Jean Paulhan, que dissera que mulher não escrevia como Sade; ela só se revelou em 1994. E Cinquenta tons de cinza, que nasceu como fanfic, passou de 150 milhões de exemplares em 2017; o romancista Salman Rushdie disse nunca ter lido nada tão mal escrito que tivesse sido publicado, e a Publishers Weekly fez de E. L. James a pessoa do ano no mercado editorial de 2012.
O contexto emocional e o gesto na cena de amor, segundo Lisa Kleypas e Jennifer Crusie, autora de comédias românticas, e o prêmio para a pior cena de sexo do ano estão no guia sobre como escrever romance.
Quanto spice pôr no livro?
Sariah Wilson escreve que "there are no hard and fast rules" (não há regra fixa) sobre o que é doce ou picante, e manda comparar o próprio livro com os que se parecem com ele: qual é o calor deles? O vocabulário vem das redes: a cena de sexo explícita virou "spice" e o livro que a tem, spicy; em rótulo reapropriado, smut.
O guia da Reedsy sobre romantasy (2026) marca os dois polos com livros que a leitora conhece, de Divine Rivals, de namoro de porta fechada, às cenas quentes de A Court of Silver Flames, de Maas, e diz que há público para todo nível e que a decisão é da autora. Para quem escreve nos dois registros, Wilson sugere pseudônimos separados, ou avisar as leitoras, como ela fez, de que o livro novo é mais quente.
As linhas da editora Harlequin, separadas por nível de sensualidade, estão no guia sobre como escrever romance; a capa ilustrada que não diz o calor do livro, no guia sobre a capa de livro de romance.
Livro de dark romance precisa de aviso de gatilho?
Zoe X disse ao Correio que põe aviso de gatilho e que "menores de idade não podem ler todos os assuntos que estão em um dark romance", e cobra controle dos pais. Criadoras do BookTok ouvidas pela coluna Books on BookTok, da revista britânica The Bookseller, defendem idade de leitura sugerida e aviso de conteúdo no dark; uma delas registra que os avisos aparecem cada vez mais nas primeiras páginas.
A Verus, selo do Grupo Record, adotou em 2026 para a coleção Obscura um protocolo nas redes: classificação +18 desde a primeira imagem, os gatilhos de cada livro sinalizados, o lembrete de que os temas pertencem à ficção e o número do Disque 180. Uma meta-análise de Victoria Bridgland, Payton Jones e Benjamin Bellet (Clinical Psychological Science, 2023), sobre todos os estudos empíricos do tema, concluiu que os avisos não mudam a resposta emocional ao material negativo nem a compreensão, e aumentam de forma confiável a ansiedade antecipatória.
No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente manda que as "revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado" a crianças e adolescentes sejam vendidas em embalagem lacrada, com advertência do conteúdo (art. 78); o texto não cita livro de ficção e não define "impróprio". Com base nessa regra, um juiz de Macaé (RJ), Raphael Queiroz Campos, mandou em 2013 as livrarias da cidade retirarem Cinquenta tons das prateleiras ou o venderem lacrado e fora do alcance de menores. Como redigir o aviso do próprio livro, o que entra e onde ele fica é o assunto do guia sobre o aviso de gatilho no livro; as etiquetas das plataformas de fanfic estão no guia sobre fanfic.
Como escrever romantasy?
Stephanie Burgis, que a revista britânica Writing Magazine apresenta como autora de destaque do subgênero, escreve que a romantasy precisa satisfazer as expectativas do romance e as da fantasia. O final feliz é a promessa essencial do romance, "Do not even consider ever breaking that promise to your readers!" (nem pense em quebrar essa promessa), e a única regra universal da construção do mundo é ser consistente, porque mundo descuidado tira a leitora da história. A resenhista Danielle Tomlinson, citada pela SFWA, associação americana de escritores de ficção científica e fantasia, diz que o mundo tem de ser tão central quanto a história de amor; a definição completa está no termo romantasy.
O guia da Reedsy (Nick Bailey, 2026) separa a romantasy movida pelo romance, em que tudo existe para juntar ou separar o casal, como em From Blood and Ash, de Jennifer L. Armentrout, da movida pela fantasia, em que tudo empurra a protagonista para o objetivo externo, como em Fourth Wing, de Yarros.
Nos dois casos, o mundo tem uma segunda função: pôr pressão no amor; no exemplo da série The Queendom, de Hannah Bogue, as circunstâncias que proíbem o romance são as que jogam o casal junto. Os dois arcos andam em paralelo, com a virada de um servindo de virada do outro, e o amor que vence com o reino desmoronando pode deixar a leitora com "emotional whiplash" (chicote emocional).
Nisha J. Tuli, autora de romantasy, disse ao Guardian que o subgênero permite riscos "world-ending" (de fim do mundo) que uma comédia romântica de escritório não tem. Rebecca Yarros resume o enredo romântico numa pergunta: "How can I make you miserable and then make you fall in love?" (como posso te deixar infeliz e depois te fazer se apaixonar?). E Ajebowale Roberts, da HarperCollins, explica a venda: a leitora de romance descobriu na romantasy os tropes que adora, num mundo para onde pode escapar.
Como publicar livro erótico e dark romance no Brasil e na Amazon?
Zoe X chegou à edição física pela Faro depois de anos na Amazon, e a regra da Amazon proíbe pornografia sem dizer onde ela começa. A diretriz de conteúdo da KDP, a plataforma de autopublicação da Amazon, consultada em outubro de 2026, veta o livro que contém pornografia, que glorifica estupro ou pedofilia, e outro material que a Amazon considere inapropriado ou ofensivo; a página não define a fronteira entre erótico e pornográfico. O peso do Kindle Unlimited no romance está no guia sobre como publicar e vender na Amazon KDP.
Tatiana Amaral disse ao A Tarde, em 2025: "Eu tenho treze anos trabalhando com romance erótico, eu brinco que capinei o terreno", e que o preconceito existe mas não segura mais o crescimento do gênero. A Alta Novel publicou em 2026 No limite, dark romance de máfia de Navessa Allen, apresentado como best-seller do New York Times e sucesso no BookTok. A Verus montou a coleção Obscura com as fãs, do nome à embalagem do kit de imprensa, segundo a editora-executiva Rafaella Machado.
Na romantasy, a Bienal do Livro Rio de 2025 deu mesa própria às autoras brasileiras. A autora Clara Alves, curadora na Bienal, disse ao PublishNews que a romantasia "nada mais é do que a junção desses dois gêneros", e que "a fantasia por si só cresceu muito dentro da literatura jovem adulta". Julia Barreto, editora da Harlequin na HarperCollins Brasil, separa os destinos: a ficção comercial e o romance vão para a Harlequin, a romantasy jovem adulta para o selo Pitaya.
Na mesma reportagem, FML Pepper aparece com mais de 15 milhões de leituras no Kindle Unlimited e 150 mil exemplares da saga Não pare!; Giu Domingues, com mais de 60 mil cópias pela Galera Record; e Fernanda Castro, com Mariposa vermelha finalista do Jabuti.
Perguntas frequentes
Dark romance precisa de final feliz?
Ana Huang descreve o dark como a história que termina em esperança, com personagens que superam o trauma até o felizes para sempre. A reportagem da CNN de 2023 diz que, para escritoras, leitoras e editoras, o final feliz, ou feliz por enquanto, não é negociável no romance.
Posso escrever romance doce e hot com o mesmo nome?
Sariah Wilson sugere pseudônimos separados para quem escreve os dois registros. Se for manter o nome, ela avisou repetidas vezes as leitoras de que o livro novo seria mais quente.
Romantasy precisa de final feliz?
Para Stephanie Burgis, o final feliz é a promessa que a romantasy herda do romance e que nunca se quebra. O guia da Reedsy diz que o final feliz é uma das promessas centrais do subgênero.
Menor de idade pode ler dark romance?
Zoe X diz que menores não podem ler todos os assuntos de um dark romance e cobra controle dos pais. O ECA manda vender lacrado e com advertência as publicações impróprias a crianças e adolescentes, mas não define "impróprio" nem cita livro de ficção.
Pode publicar livro erótico na Amazon?
A diretriz da KDP veta pornografia e o que glorifica estupro ou pedofilia, sem definir onde o erótico vira pornografia. Zoe X conta que o romance +18 vendia em peso na Amazon quando ela chegou.
O que fazer com isso
Para aplicar o que as autoras ensinam: Zoe X e Dani Moraes separam o que a personagem perdoa do que a autora endossa; Sariah Wilson mede o calor comparando o livro com outros parecidos; e Stephanie Burgis cumpre as expectativas do romance e as da fantasia. A tabela acima serve para conferir, subgênero por subgênero, o que a história não pode perder.
O casal, a barreira e as regras do gênero em geral estão no guia sobre como escrever romance; o aviso, no guia sobre o aviso de gatilho no livro.
Continue por aqui
Guias que saem daqui
Também nesta enciclopédia
Termos usados nesta página
Em breve
Quem fala sobre isso 6pessoas
- Ana Huangromancista de romance e new adult, autora da série Twisted (WBUR, 2023)
Entrevista sobre o que define o dark romance: "These authors are putting the dark in dark romance", Here & Now (WBUR/NPR), 2023.
Página ↗ - Evilane Oliveiraautora brasileira de dark romance, da série Renascidos em Sangue (Metrópoles, 2024)
Entrevista sobre a violência e os limites no dark romance: "Além do tabu e da violência, dark romance explora traumas da sociedade", Metrópoles, 2024.
Página ↗ - Tatiana Amaralromancista baiana de romance erótico, com mais de 60 livros e 13 anos no gênero (A Tarde, 2025)
Entrevista sobre escrever a cena íntima no romance erótico: A Tarde, 2025.
Página ↗ - Sierra Simoneromancista autopublicada de romance contemporâneo com kink, autora de Priest e da trilogia New Camelot (Jezebel, 2018)
Entrevista sobre consentimento na cena de sexo do romance: "The Romance Novelist's Guide to Hot Consent", Jezebel, 2018.
Página ↗ - Stephanie Burgisromancista de fantasia (nascida em 1977), autora de Wooing the Witch Queen e da trilogia Queens of Villainy (Writers Online, 2025)
Guia de escrita do gênero: "How to write romantasy", Writers Online (Writing Magazine), 2025.
Página ↗ - Katie Deanedoutoranda em literatura inglesa na Universidade de Birmingham, com coorientação da Mills & Boon; pesquisa a circulação do romance na internet (2026)
Artigo acadêmico sobre o gênero: "Dark romance: an introduction", Porn Studies, 2026.
Página ↗
O que a rede diz 5 vozes
TikTokUma escritora defende que o dark romance não precisa ferir para ser sombrio: no centro estão mulheres que abraçam o próprio caos e homens perigosos, mas leais, num amor que machuca e também cura.
@escrevendo_mundosTikTok ↗
TikTokUm perfil de leitura critica a onda do dark romance: diz que ficou fácil escrever barbaridade e pôr nela o rótulo de subgênero para fazer passar.
@clubdoplotTikTok ↗
TikTokNum guia de dark romance para iniciantes, um perfil de leitura separa subgêneros dentro do dark, como o bully romance, e indica títulos de cada um, de Penelope Douglas a Rina Kent.
@psicose.literariaTikTok ↗
TikTokUma criadora brasileira mostra, com humor, como enxerga o par romântico de cada subgênero de romance.
@anarossettiiTikTok ↗
YouTubeUm canal em espanhol percorre o dark romance para além da máfia: das raízes no romance gótico do século XVIII aos romances de época picantes dos anos 1980 e à explosão no BookTok, e separa sete subgêneros dentro dele.
Entre páginas y glossYouTube ↗
O que está acontecendo
- ‘We sold out tickets within 13 minutes’: new novel from romantasy author Sarah J Maas sparks fan mania ↗
Move over Oasis – 6,000 people tried to buy 220 tickets to a masquerade ball to celebrate the release of A Court of Splintered Harmony, while specialist bookshops catering for the genre report huge sales
- How London’s most anticipated romance convention fell apart ↗
RARE27 was meant to be the ‘Met Gala of the book community’. Over a few days of online backlash, it imploded
- É oficial: a sucessora de 'Game of Thrones' estreia uma nova história antes de chegar ao Prime Video ↗
'Dia da Ceifa' amplia o universo de Rebecca Yarros enquanto os fãs aguardam a adaptação, que terá Michael B. Jordan entre os produtores executivos
A Verse Media faz infraestrutura para quem escreve e publica livros no Brasil. A Enciclopédia é a parte pública disso: páginas escritas a partir de fonte aberta, com preço e data na frase, para que um autor decida sem depender de quem vende o serviço. Toda afirmação de fato tem fonte listada. O que é análise nossa está marcado no texto. Fato que nenhuma fonte sustenta não entra. A pesquisa e a redação usam modelos de linguagem com regras de fonte e checagem independente; a revisão é humana.
Lidas no texto integral
- Deepa Fernandes, "These authors are putting the dark in dark romance", Here & Now, WBUR/NPR, 17/02/2023.
- Carter Sherman, "Inside the World of Dark Romance, Where Serial Killer Is the New Sexy", VICE News, 23/05/2023.
- Kelly Faircloth, "The Romance Novelist's Guide to Hot Consent", Jezebel, 14/02/2018.
- "'Haunting Adeline' author H D Carlton addresses film adaptation backlash", The Express Tribune, 24/07/2026.
- Georgina DiNardo, "Why 'Fourth Wing' author Rebecca Yarros is 'slowing down' her writing pace", TODAY.com, 13/03/2025.
- Nick Bailey, "How to Write Romantasy in 7 Steps", Reedsy Blog, 27/08/2026.
- Stephanie Burgis, "How to write romantasy", Writers Online (Writing Magazine), 01/05/2025.
- Sariah Wilson, "Shifting From Sweet to Heat: 4 Tips for Changing Genres and Heat Levels", Writer's Digest, 04/11/2024.
- Passionate Ink, FAQ (consulta em 29/10/2026).
- Rosemary Jones, "Romantasy: An Old Genre with a New Name", SFWA, 25/02/2025.
- Ella Creamer, "A genre of swords and soulmates: the rise and rise of 'romantasy' novels", The Guardian, 02/02/2024.
- "Colleen Hoover is the hottest author in America. She also may be the most controversial", CNN, 27/08/2023.
- "Books on BookTok: are dark romance book covers misleading?", The Bookseller.
- "What BookTok Is Talking About When It Talks About Romance", Publishers Weekly, 2024.
- Jim Milliot, "Print Book Sales Saw a Small Sales Increase in 2024", Publishers Weekly, 10/01/2025.
- Thais Borges, entrevista com Emma S. Grey, Dani Moraes e Zoe X, Correio (Salvador), coluna Asteriscão, 07/04/2024.
- Thais Borges, "Do dark romance online para as livrarias: conheça a autora brasileira Zoe X", Correio, 16/03/2025.
- Thais Borges, "Dark romance em alta: Verus anuncia coleção criada junto com os fãs", Correio, 23/07/2026.
- Juliana Barbosa, "Além do tabu e da violência, dark romance explora traumas da sociedade", Metrópoles, 26/02/2024.
- Beatriz Santos, entrevista com Tatiana Amaral, A Tarde, 08/08/2025.
- Guilherme Sobota, "Bienal do Livro Rio e editoras apostam na fantasia romântica para a edição de 2025", PublishNews, 11/06/2025.
- Redação PublishNews, "Dark romance da máfia", 20/03/2026.
- Monterastelli, reportagem sobre capas de romance, Folhapress, 20/08/2023.
- Lei 8.069/1990, Estatuto da Criança e do Adolescente, arts. 78 e 79 (planalto.gov.br).
- Felipe Modelli, "55 anos do golpe militar: a história de Cassandra Rios, a escritora mais censurada da ditadura", BBC News Brasil, 31/03/2019.
Lidas em resumo ou pela referência
- Amazon KDP, "Content Guidelines" (consulta em 29/10/2026, em resumo).
- Janeth Hernandez, "Exploring Consent: An Analysis of Consent in Dark Romance and Contemporary Romance Books", Portland State University, 2024.
- Victoria M. E. Bridgland, Payton J. Jones e Benjamin W. Bellet, "A Meta-Analysis of the Efficacy of Trigger Warnings, Content Warnings, and Content Notes", Clinical Psychological Science, 2023.
- Angelika Tsaros, "Consensual non-consent: Comparing EL James's Fifty Shades of Grey and Pauline Réage's Story of O", Sexualities, v. 16, n. 8, 2013.
- Katie Deane, "Dark romance: an introduction", Porn Studies, 2026.
- Amy E. Bonomi et al., "'Double crap!' Abuse and harmed identity in Fifty Shades of Grey", Journal of Women's Health, v. 22, n. 9, 2013.
- Timothy Laurie e Jessica Kean, "Why consenting adults should see 50 Shades of Grey – and take their teens", 2015.
- Jay A. Gertzman, Bookleggers and Smuthounds, 2011.
- Bedell, "I wrote the story of O", The Observer, 25/07/2004.
- Los Angeles Times, 10/10/2017; The Telegraph, 09/10/2012; Christian Science Monitor, 03/12/2012 (vendas e recepção de Cinquenta tons).
- Associated Press, "Brazil judge orders '50 Shades of Grey' removed", USA Today, 18/01/2013.
VERSE MEDIA. Subgêneros de romance: como escrever dark romance, hot e romantasy. Enciclopédia Verse, 29 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/romance/dark-romance-erotico-e-romantasy. Acesso em: [data].
Achou um erro ou um número vencido? Escreva para enciclopedia@versemedia.com.br com o endereço desta página.
Enciclopédia Verse · Romance Voltar ao topo