Metáfora
Metáfora é a figura que aplica a uma coisa o nome de outra, por transferência, na definição que o filósofo grego Aristóteles deu na Poética, por volta de 335 a.C. A palavra vem do grego metaphorá, transferência, do verbo que significa levar de um lugar a outro. O guia sobre figuras de linguagem, do tema prosa e estilo, põe a metáfora entre os tropos, as figuras que trocam um sentido por outro.
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Quais são os modos da metáfora para Aristóteles?
Na Poética (cap. XXI, 1457b), Aristóteles separa quatro modos de transferir o nome: do gênero para a espécie, da espécie para o gênero, de uma espécie para outra e por analogia, ou proporção.
Metáfora e comparação são a mesma figura?
Na Retórica (III.4, 1406b), Aristóteles escreve que a comparação também é uma metáfora e que a diferença é pequena. Segundo o Bedford Glossary of Critical and Literary Terms (Murfin e Ray, 2003), os críticos de língua inglesa se dividem: uns tratam as duas como opostas, com o conectivo marcando a comparação, e outros põem a comparação como espécie de metáfora. O Oxford Companion to the English Language (1992) registra o contraste: a metáfora afirma que os dois objetos são idênticos no ponto da comparação, e a comparação apenas afirma semelhança, com palavras como "como".
Como se desmonta uma metáfora?
O crítico I. A. Richards, em The Philosophy of Rhetoric (1936), deu o vocabulário para isso: o teor (tenor) é a ideia de que se fala, e o veículo (vehicle) é a imagem que a carrega. Outros autores usam ground e figure para os mesmos dois papéis, e a linguística cognitiva diz alvo (target) e fonte (source).
A metáfora é só enfeite?
George Lakoff e Mark Johnson, em Metaphors We Live By (1980), sustentam que não: a metáfora está no pensamento comum, e entendemos um domínio abstrato pelos termos de um concreto. O exemplo-âncora deles é DISCUSSÃO É GUERRA, que aparece em frases como Your claims are indefensible (suas afirmações são indefensáveis) e He attacked every weak point in my argument (ele atacou cada ponto fraco do meu argumento), e estrutura o que fazemos ao discutir, não só o que dizemos.
Como separar a metáfora viva da gasta?
O escritor britânico George Orwell, em "Politics and the English Language" (Horizon, abril de 1946), distingue a metáfora recém-inventada, que evoca uma imagem visual, a tecnicamente morta, que virou palavra comum, e o grande depósito de metáforas gastas, que já não evocam nada e só poupam o trabalho de inventar uma frase.
Ele acusa a metáfora misturada de ser sinal seguro de que o escritor não se interessa pelo que diz. O guia sobre imagem sensorial trata da pergunta com que Orwell testa se a imagem ainda tem efeito, e o termo clichê nomeia o que sobra quando ela não tem mais.
Como uma metáfora vira motivo num romance?
No capítulo XXXII de Dom Casmurro (1899), do romancista brasileiro Machado de Assis, o narrador, Bentinho, pede à "retórica dos namorados" uma comparação exata e poética para os olhos de Capitu, hesita ("Olhos de ressaca? Vá, de ressaca") e então estende a imagem: uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia nos dias de ressaca. A imagem não fica no capítulo: "os olhos de ressaca" voltam mais adiante, já sem a comparação, quando Capitu fita Bentinho e, no mesmo trecho, os olhos parecem crescer.
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O guia completoFiguras de linguagem na ficção: o que são, quais são e como os mestres usam — Figuras de linguagem são modos de trocar um sentido por outro, como a metáfora e a ironia, ou de repetir, suprimir ou trocar de lugar palavras e sons, como a anáfora e a elipse; para o linguista José Luiz Fiorin, elas intensificam ou atenuam o sentido.Termos vizinhos
Em breve
Lidas no texto integral
- Aristóteles, Poética, cap. XXI, 1457b; trad. S. H. Butcher, Aristotle's Theory of Poetry and Fine Art, Macmillan (texto local
poetica-butcher.txt). - Aristóteles, Retórica III.4, 1406b; trad. W. Rhys Roberts, MIT Internet Classics Archive (classics.mit.edu/Aristotle/rhetoric.3.iii.html).
- George Orwell, "Politics and the English Language", Horizon, abr. 1946, The Orwell Foundation (orwellfoundation.com).
- Machado de Assis, Dom Casmurro, Garnier, 1899, cap. XXXII e recorrências, Project Gutenberg (gutenberg.org).
Lidas em resumo ou pela referência
- I. A. Richards, The Philosophy of Rhetoric, Oxford University Press, 1936, p. 119–127.
- George Lakoff e Mark Johnson, Metaphors We Live By, University of Chicago Press, 1980, cap. 1–3.
- Murfin e Ray, The Bedford Glossary of Critical and Literary Terms, 2003, p. 447–448.
- The Oxford Companion to the English Language, 1992, p. 653.
- Liddell e Scott, A Greek-English Lexicon, s.v. μεταφορά (Perseus, perseus.tufts.edu).
- A Glossary of Cognitive Linguistics, 2007 (ISBN 978-0-7486-2280-1).
VERSE MEDIA. Metáfora. Enciclopédia Verse, 18 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/prosa-e-estilo/metafora. Acesso em: [data].
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