Realismo mágico
Realismo mágico é o estilo de ficção em que fenômenos mágicos ou sobrenaturais aparecem num cenário de resto real e comum, segundo Bowers, em Magic(al) Realism (2004). O termo nasceu na crítica de pintura alemã dos anos 1920 e depois passou à literatura, e, segundo Bowers, sua definição ampla faz muitos escritores serem rotulados de realistas mágicos. O guia sobre figuras de linguagem, do tema prosa e estilo, reúne as figuras de que a ficção se serve, entre elas a metáfora e o símbolo.
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De onde vem o termo realismo mágico?
Em 1925, o crítico de arte alemão Franz Roh usou magischer Realismus para designar a pintura da Nova Objetividade, no livro Nach-Expressionismus. Magischer Realismus. Para Roh, o realismo levado ao extremo, aplicado a um assunto banal, revela um mistério interior. O livro foi traduzido para o espanhol em 1927, pela Revista de Occidente, de Madri, e essa tradução é apontada como ponte para a América Latina.
O que Carpentier chamou de real maravilhoso?
O escritor cubano Alejo Carpentier propôs, no prólogo de El reino de este mundo (1949), o conceito de real maravilhoso. Para ele, "la sensación de lo maravilloso presupone una fe", e o maravilhoso começa a sê-lo de modo inequívoco quando surge de uma alteração da realidade (o milagre), de uma revelação privilegiada dela ou de uma ampliação de suas escalas.
O exemplo vem do Haiti, onde milhares de homens acreditaram nos poderes de Mackandal, líder de uma sublevação de escravos, a ponto de essa fé coletiva produzir um milagre no dia da execução dele. Carpentier diz que o maravilhoso invocado na descrença, como o dos surrealistas, nunca foi senão uma artimanha literária. Para ele, o real maravilhoso é patrimônio da América inteira, e não só do Haiti.
Realismo mágico é o mesmo que fantasia?
Para o Dictionary of Mexican Literature (Cortes, 1992), o realismo mágico é gênero diferente da fantasia, porque usa muito detalhe realista e emprega o elemento mágico para dizer algo sobre a realidade, enquanto as histórias de fantasia costumam se afastar dela. O crítico Luis Leal, em artigo de 1967, também separou o realismo mágico da literatura mágica: o objetivo do primeiro é exprimir emoções, não evocá-las. O crítico Matthew Strecher, em 1999, o definiu como o que acontece quando um cenário realista e cheio de detalhes é invadido por algo estranho demais para se acreditar.
O realismo mágico existe fora da América Latina?
O rótulo também é aplicado fora da América Latina: Kakutani discute o realismo mágico de Salman Rushdie, e Strecher o de Haruki Murakami. A crítica Michiko Kakutani escreveu em 1989, no New York Times, que as trocas entre o extraordinário e o banal em boa parte da ficção latino-americana não são só técnica, mas espelho de uma realidade em que o fantástico costuma fazer parte do cotidiano. Segundo Stewart (1999), o realismo mágico costuma misturar história e fantasia, como em Midnight's Children, de Rushdie, em que as crianças nascidas à meia-noite da independência da Índia são ligadas por telepatia.
O realismo mágico existe no Brasil?
A crítica brasileira discute o rótulo. O escritor mineiro Murilo Rubião, com O ex-mágico (1947), é lido pela crítica como marco da ficção do insólito absurdo no país. Parte da crítica chama Rubião de realismo mágico, outra, de realismo fantástico ou simplesmente de fantástico. O crítico Davi Arrigucci Jr. lê o insólito de Rubião como metáfora do real.
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O guia completoFiguras de linguagem na ficção: o que são, quais são e como os mestres usam — Figuras de linguagem são modos de trocar um sentido por outro, como a metáfora e a ironia, ou de repetir, suprimir ou trocar de lugar palavras e sons, como a anáfora e a elipse; para o linguista José Luiz Fiorin, elas intensificam ou atenuam o sentido.Termos vizinhos
Em breve
Lidas no texto integral
- Alejo Carpentier, prólogo de El reino de este mundo, 1949 (texto local; sites.usp.br/prolam).
Lidas em resumo ou pela referência
- Franz Roh, Nach-Expressionismus. Magischer Realismus: Probleme der neuesten europäischen Malerei, Klinkhardt & Biermann, Leipzig, 1925.
- Stephen Slemon, "Magic realism as post-colonial discourse", Canadian Literature 116, 1988, p. 9–24.
- Irene Guenther, em Zamora e Faris (orgs.), Magical Realism: Theory, History, Community, Duke University Press, 1995, p. 33–73 (doi 10.1515/9780822397212-004).
- Luis Leal, "El realismo mágico en la literatura hispanoamericana" (1967), reimpresso em Zamora e Faris, 1995, p. 119–124.
- Bowers, Magic(al) Realism, Routledge, 2004 (ISBN 978-0-415-26854-7).
- Cortes, Dictionary of Mexican Literature, 1992 (ISBN 0-313-26271-3).
- Matthew C. Strecher, "Magical Realism and the Search for Identity in the Fiction of Murakami Haruki", Journal of Japanese Studies 25(2), 1999, p. 263–298.
- Michiko Kakutani, "Telling Truth Through Fantasy: Rushdie's Magic Realism", The New York Times, 24/02/1989 (archive.nytimes.com/www.nytimes.com/books/99/04/18/specials/rushdie-realism.html).
- Stewart, "Magic realism as post-colonialist device in Midnight's Children", 1999 (qub.ac.uk).
- Artigos acadêmicos brasileiros sobre Murilo Rubião, consultados em resumo de busca (seer.ufrgs.br/organon/article/download/30066/18651; periodicos.fclar.unesp.br/itinerarios).
VERSE MEDIA. Realismo mágico. Enciclopédia Verse, 18 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/prosa-e-estilo/realismo-magico. Acesso em: [data].
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