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New Journalism

New Journalism é o rótulo que, nos Estados Unidos dos anos 1960 e 1970, passou a designar a reportagem que toma da ficção os seus recursos, como já a definia o editor Seymour Krim em 1967, e que ficou popular com a antologia The New Journalism (1973), organizada por Tom Wolfe e E. W. Johnson. O termo é mais antigo e já teve outros sentidos, como o de 1887, que nada tem a ver com Wolfe.

Nesta página
  1. Quem cunhou o termo?
  2. O que "new journalism" significava antes?
  3. Onde entram o gonzo e a América Latina?
  4. E no Brasil?

Quem cunhou o termo?

Os quatro recursos que Wolfe listou estão no guia sobre ensaio, jornalismo literário e true crime.

Não foi Wolfe: ele escreveu em 1972 que não sabia de onde vinha, e numa carta de 6 de fevereiro de 1973 ao estudioso James E. Murphy disse que "It was picked up and stuck". Krim, editor da revista Nugget, atribuiu o primeiro uso ao jornalista Pete Hamill: por volta de abril de 1965, Hamill lhe telefonou propondo um artigo sobre o "New Journalism" de Gay Talese, Wolfe e Jimmy Breslin. O artigo nunca saiu, e Krim passou a usar a expressão. Em 1967, na "Open Letter to Norman Mailer", Krim já definia o New Journalism como uma prosa de não ficção livre, que usa todos os recursos da melhor ficção.

O que "new journalism" significava antes?

Antes de Wolfe, o termo já designava coisas diferentes. O poeta e crítico Matthew Arnold o usou em 1887 contra o jornalismo sensacionalista de W. T. Stead, na Pall Mall Gazette. O sociólogo Robert E. Park chamou de "new journalism" a penny press dos anos 1830. John Hohenberg, em The Professional Journalist (1960), deu o nome à reportagem interpretativa do pós-guerra, que "seeks to explain as well as to inform".

Nos anos 1960 e 1970, o termo teve, muitas vezes, sentidos com pouca ou nenhuma relação entre si; James E. Murphy notou que a maioria dos usos se referia a algo não mais específico que "vague new directions in journalism". Curtis D. MacDougal catalogou definições como ativista, participativo, investigativo e de saturação.

Onde entram o gonzo e a América Latina?

O escritor Hunter S. Thompson separava o gonzo do New Journalism: dizia que, ao contrário de Wolfe e Talese, quase nunca tentava reconstruir uma história, e que não se via como repórter. A palavra "gonzo" foi ligada a ele pela primeira vez por Bill Cardoso, editor da revista dominical do Boston Globe, em 1970, a propósito de "The Kentucky Derby Is Decadent and Depraved". O jornalismo gonzo é um dos subgêneros do jornalismo literário na lista de Felipe Pena.

Capote reivindicou ter criado o romance de não ficção, mas o argentino Rodolfo Walsh já publicara Operación Masacre em 1957, sobre o fuzilamento de civis pela polícia na província de Buenos Aires, segundo Silvio Waisbord. Norman Sims lembra que o New Journalism é visto sobretudo como estilo americano, mas a ideia de jornalismo literário circula desde o século XX na Europa e na América Latina.

E no Brasil?

O jornalismo literário brasileiro tem antecessores e revistas próprias, com história que não depende da americana. João do Rio é tratado como pioneiro da crônica-reportagem; os livros dele venderam bem, mas o jornalismo literário só voltou a ter força no Brasil nos anos 1940 e 1950. A Realidade, da Editora Abril, circulou de abril de 1966 a março de 1976: nasceu da proposta de grandes reportagens de Roberto Civita, com jovens jornalistas da Quatro Rodas liderados por Paulo Patarra, e a primeira fase (1966–1968) é chamada de "tempo da reportagem".

A piauí, lançada em outubro de 2006, tem a Realidade entre as referências editoriais, ao lado de Senhor e The New Yorker. O criador, João Moreira Salles, recusa o rótulo "jornalismo literário" para a revista e prefere falar em apuração, narrativa e escrita.

Nas livrarias, o selo foi a coleção Jornalismo Literário da Companhia das Letras, e as fontes divergem sobre o início dela: o PublishNews dá o lançamento em 2007, com Matinas Suzuki Jr. como coordenador, mas a página da editora mostra Hiroshima, de John Hersey, na coleção desde 10 de setembro de 2002.

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O guia completoComo escrever um ensaio, um livro-reportagem ou um true crime: a não-ficção que prende — Um ensaio começa pelo assunto e para onde se sente completo, ensinou o filósofo Theodor Adorno; um livro-reportagem ou um true crime usa as ferramentas do romance que o repórter Tom Wolfe listou, a cena à frente, para o que o editor Mark Kramer pede do jornali

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Autoria: Verse MediaRevisado em 28 out. 2026Passos conferidos em 28 out. 2026Publicado em 28 out. 202615 fontes · 1 no integral

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Lidas em resumo ou pela referência

  • Tom Wolfe, "The Birth of 'The New Journalism'; Eyewitness Report", New York, 14/02/1972, p. 45; carta a James E. Murphy, 06/02/1973, em Murphy, 1974, p. 4–5
  • Tom Wolfe e E. W. Johnson (orgs.), The New Journalism, Harper & Row, 1973
  • Seymour Krim, Shake It for the World, Smartass, 1970, p. 115
  • Mark Hampton, Visions of the Press in Britain, 1850–1950, University of Illinois Press, 2004, p. 35–37; Robert E. Park, "The Natural History of the Newspaper", 1923
  • John Hohenberg, The Professional Journalist, 1960, p. 322; Curtis D. MacDougal, Interpretative Reporting, 1971, p. v
  • Hunter S. Thompson, Ancient Gonzo Wisdom: Interviews with Hunter S. Thompson, 2009
  • William Hirst, 2004, p. 5, sobre Bill Cardoso e "gonzo"
  • Silvio Waisbord, Watchdog Journalism in South America, Columbia University Press, 2000, p. 30
  • Norman Sims, True Stories: A Century of Literary Journalism, 2007
  • Felipe Pena, Jornalismo literário (lista de subgêneros)
  • Ge.globo.com, 24/06/2021, e Bak e Reynolds, 2011, p. 164 e 168–169, sobre João do Rio
  • José Salvador Faro, Revista Realidade, 1966-1968: tempo da reportagem na imprensa brasileira, Ulbra, 1999
  • Folha de S.Paulo, 09/10/2006, e Revista USP 96, 2014, p. 124–135, sobre a piauí; Marcelo Tavela, Comunique-se, 16/05/2007
  • PublishNews, 05/08/2024, sobre Matinas Suzuki Jr.; Companhia das Letras, página de Hiroshima
Cite esta página
VERSE MEDIA. New Journalism. Enciclopédia Verse, 28 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/nao-ficcao/new-journalism. Acesso em: [data].

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