Romance epistolar
Romance epistolar é o romance narrado por uma série de cartas entre as personagens, segundo Thomas O. Beebee, em Epistolary Fiction in Europe, 1500–1850 (Cambridge University Press, 1999). Evan Gottlieb, da Escola de Escrita, Literatura e Cinema da Universidade Estadual do Oregon, resume: ficção escrita em forma de cartas ou outros documentos. O romance em cartas aparece no guia sobre como escrever um romance, do conjunto Romance, no exemplo de Pamela, de Richardson.
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Romance epistolar precisa ter só cartas?
Não: para Beebee, o termo se estende aos livros que intercalam outros documentos ficcionais, como diário e recorte de jornal, e às vezes aos feitos só de documentos, mesmo sem carta. Gottlieb vai pelo mesmo caminho ao incluir "other documents" (outros documentos) na definição.
De onde vem o romance epistolar?
Já havia livros em cartas antes de Pamela: Gottlieb cita Love Letters Between a Nobleman and His Sister, publicado em 1684 e atribuído a Aphra Behn. Pamela (1740) deve a forma a uma encomenda. Segundo a nota editorial da edição do Project Gutenberg, Samuel Richardson, tipógrafo de ofício, recebeu no quinquagésimo ano de vida a encomenda de um volume de cartas-modelo, de tom familiar, para quem não sabia redigi-las. A ideia de ligá-las por uma história deu o enredo de Pamela e "determined its epistolary form" (determinou a forma epistolar), mantida nos livros seguintes. Depois veio Clarissa (1748), também de Richardson.
Que livros usam cartas e outros documentos?
Em Os sofrimentos do jovem Werther, de Johann Wolfgang von Goethe, o protagonista escreve a um amigo, e perto do fim um editor assume a voz, avisa que vai relatar os fatos e reproduzir as cartas do morto e junta as que ele deixou. Gottlieb relaciona ainda Humphrey Clinker (1776), de Tobias Smollett; Dracula (1897), de Bram Stoker; The Screwtape Letters (1942), de C. S. Lewis; e Bridget Jones's Diary (1996), de Helen Fielding.
Há romance epistolar brasileiro?
Há, e raro. A correspondência de uma estação de cura, de João do Rio, saiu em 1918 e reúne cartas de personagens fictícios hospedados numa estância hidromineral de Poços de Caldas (MG), em 1917. Dos 15 missivistas, só dois não são veranistas: Karl e Pedro Glotonosk, administradores do hotel. Antonio Candido, que assina o prefácio da edição de 1992 (Fundação Casa de Rui Barbosa, Instituto Moreira Salles e Scipione), conta o livro entre os "raríssimos romances epistolares" da literatura brasileira.
A estrutura, diz Candido, é "das mais raras": diversas pessoas escrevem a amigos que não respondem. Como vários missivistas tratam dos mesmos fatos, o livro monta o que ele chama de "uma espécie de coro social".
Fora da ficção de 1918, Vanessa Massoni da Rocha, da Universidade Federal Fluminense, analisa as facetas da arte epistolar em Cacau (1933), Suor (1934) e Jubiabá (1935), de Jorge Amado, os livros do ciclo "Os romances da Bahia".
O que muda para quem escreve?
Pela definição de Beebee, o termo cobre desde livros só de cartas até livros que misturam diário e recorte de jornal. A estrutura de João do Rio mostra uma escolha de quem escreve: cartas sem resposta, de vários remetentes, dão ao leitor o mesmo fato por ângulos diferentes.
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Em breve
Lidas no texto integral
- Nota editorial ("Publishers' Note") de Samuel Richardson, Pamela, or Virtue Rewarded, Project Gutenberg #6124. https://www.gutenberg.org/ebooks/6124
- Johann Wolfgang von Goethe, The Sorrows of Young Werther, trad. R. D. Boylan, Project Gutenberg #2527. https://www.gutenberg.org/ebooks/2527
- Evan Gottlieb, "What is an Epistolary Novel? Definition & Examples", Oregon State University, 05/10/2020. https://liberalarts.oregonstate.edu/wlf/what-epistolary-novel
Lidas em resumo ou pela referência
- Thomas O. Beebee, Epistolary Fiction in Europe, 1500–1850, Cambridge University Press, 1999.
- Vanessa Massoni da Rocha, "Escreva-me e te direi quem és: fazer epistolar e suas facetas em 'Os romances da Bahia', de Jorge Amado", O Eixo e a Roda 30(1), 2021 (resumo). https://periodicos.ufmg.br/index.php/o_eixo_ea_roda/article/view/51752
VERSE MEDIA. Romance epistolar. Enciclopédia Verse, 29 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/romance/romance-epistolar. Acesso em: [data].
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