Tabela CDD: onde achar e qual número dar ao seu livro de literatura
A tabela CDD (Classificação Decimal de Dewey) completa é um serviço pago da OCLC, o WebDewey, mas, para chegar ao número de partida do livro de literatura brasileira, não é preciso a tabela inteira: é 869 mais o dígito da forma, como 869.3 para romance, e fichas brasileiras podem pôr um B na frente (B869.3), opção prevista na própria CDD. A ficha com o número é documento do bibliotecário, que a assina com o registro no CRB; ao autor cabe conferir a conta.
Você digitou "tabela cdd", achou uma apostila em PDF e uma página de biblioteca americana, e o seu livro continua sem número. O romance, o livro de poemas, o de crônicas: ninguém diz qual cai onde.
o que a regra de "tabela cdd" exige, a quem se aplica e a lista do que fazer
quem vai pôr o número CDD na ficha quer a tabela e, sobretudo, o número de literatura brasileira, romance e poesia
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Onde achar a tabela CDD e quanto custa?
A tabela inteira é paga: a OCLC publica a CDD pelo WebDewey, um serviço de assinatura, e é dona de todos os direitos da classificação. Fora da assinatura, qualquer pessoa pode ver um conjunto básico dos dados ligados da Dewey, e o conjunto completo fica com as bibliotecas que assinam. Para o autor, o que está aberto é o resumo oficial dos três níveis de cima, e o primeiro nível, as dez classes, cabe numa tabela:
| Classe | Assunto |
|---|---|
| 000 | Ciência da computação, informação e obras gerais |
| 100 | Filosofia e psicologia |
| 200 | Religião |
| 300 | Ciências sociais |
| 400 | Linguagem |
| 500 | Ciência |
| 600 | Tecnologia |
| 700 | Artes e recreação |
| 800 | Literatura |
| 900 | História e geografia |
O PDF de resumos que a OCLC ainda hospeda é de 2003 e reproduz a 22ª edição; a edição em vigor é a 23ª, e o detalhe se confere no WebDewey. Os resumos existem em português; a tabela inteira não consta da lista de traduções da OCLC. Por que a CDD diz a língua, e não o gênero do livro, está no guia sobre BISAC, Thema e CDD.
O PDF de universidade que aparece na busca por "tabela cdd completa" e foi aberto é outra coisa: apostila de Marcelo Nair dos Santos, professor do Departamento de Biblioteconomia da UFES, sobre classificação de obras literárias, que traz no rosto "versão 2010 para uso didático" e foi feita sobre a 22ª edição, de 2003. Serve para aprender a regra da literatura, como adiante, e não como tabela vigente.
Qual número recebe o romance, o poema, a peça ou a crônica?
A regra da classe 800 é língua primeiro e forma depois: o número é o da língua mais o da forma literária. Para a língua portuguesa, o número-base é 869, e as formas vêm da Tabela 3 da CDD. O manual de Santos resume a Tabela 3 assim:
| Forma | Soma ao 869 | Número |
|---|---|---|
| Poesia | .1 | 869.1 |
| Teatro | .2 | 869.2 |
| Ficção (conto, romance, policial, ficção científica) | .3 | 869.3 |
| Ensaios literários | .4 | 869.4 |
| Oratória | .5 | 869.5 |
| Cartas | .6 | 869.6 |
| Escritos diversos | .8 | 869.8 |
Versão em branco para copiar: 869 + [dígito da forma] = ______; se a biblioteca usa a opção brasileira, B + 869 + [dígito da forma].
Em geral, o critério é a língua em que a obra foi escrita, não o país: a escritora Clarice Lispector, nascida na Ucrânia, é literatura brasileira porque escreveu em português. Quando a obra mistura formas, a CDD tem uma ordem de preferência (teatro, poesia, ficção, ensaios, discursos, cartas, escritos diversos, humor e sátira), e vale o que vem primeiro nessa ordem.
Nos registros de catálogo, a tabela aparece assim. Dom Casmurro, de Machado de Assis, reeditado em 2021 pela Livrarias Família Cristã, está no catálogo da biblioteca do Instituto Federal do Acre como 869.3. Uma antologia de crônicas, Os sabiás da crônica (Autêntica, 2021), está como B869.8. No romance, o dígito é o da linha de ficção; na crônica, sem linha própria no resumo, a biblioteca usou o de escritos diversos; e só um dos dois leva o B.
Quando entram o B na frente e os números de período?
O B não é invenção de bibliotecário: é uma opção prevista na própria CDD, na 22ª edição reproduzida no manual de Santos, que permite distinguir as literaturas em português de cada país por uma letra na frente, B869 para o Brasil e P869 para Portugal. O manual lista as outras: M869 Moçambique, A869 Angola, S869 São Tomé, T869 Timor e Ma869 Macau. A letra aparece em ficha feita pela CBL: a de Escritores brasileiros (LPPE/UERJ, 2023) traz "CDD-B869.909" e o índice "Literatura brasileira : Apreciação crítica B869.909". A opção também existe no Canadá, onde a biblioteca nacional usa C810 para a literatura canadense em inglês.
A tabela de períodos própria do Brasil é outra opção, só para quem usa o B; fora dela vale a tabela padrão do 869, feita para Portugal e obras gerais em português. A tabela brasileira do manual, reproduzida da CDD 22, tem cinco períodos: formação (1500–1749), transformação (1750–1829), 1830–1921, 1921–1999 e 2000 em diante. O caso trabalhado do manual é o do escritor Lima Barreto, pré-modernista com a obra mais evidente entre 1910 e 1920, que recebe o período 3; para autor sem consenso, o manual da CDD 22 sugere usar o período em que ele produziu a maior parte da obra.
O mesmo gênero aparece com números diferentes. No mesmo catálogo, quatro livros de crônica brasileira têm B869.8, B869.98, 869.98 e 869 puro, e um livro de contos chamado Crônicas do crack está em 869.8992. O que a fonte permite concluir é que, num mesmo catálogo, o B, a casa decimal da forma e o nível de detalhe variam de registro para registro; quatro registros não medem a frequência.
O que o autor faz com o número?
O número entra na ficha catalográfica, que só vale com o nome e o CRB do bibliotecário que a fez, como mostra o termo ficha catalográfica. Como se faz o pedido e o que a ficha traz está no guia sobre como fazer a ficha catalográfica do livro; o que a CDD diz do livro, no guia sobre BISAC, Thema e CDD.
Uma lista curta do que fazer:
- Descubra a forma do livro na tabela acima: poesia, teatro, ficção ou escritos diversos; a crônica não tem linha própria no resumo e, no catálogo do IFAC, aparece em escritos diversos (.8 ou.98).
- Monte 869 mais o dígito da forma, e confirme que a obra é escrita em português.
- Peça a ficha a um bibliotecário com CRB, como os da CBL, que fez a de Escritores brasileiros: a ficha é documento dele, e o B e o período são opções da CDD, não regra.
- Confira o número da ficha com a sua conta: se difere, pergunte a ele qual opção usou, porque livros do mesmo gênero saem com números diferentes, com ou sem o B e com mais ou menos detalhe.
- Se precisar da tabela inteira, procure uma biblioteca que assine o WebDewey; não confie em PDF sem edição e data.
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O guia-mãeComo classificar um livro: BISAC, Thema e CDD, e quem escolhe cada um — Classifica-se um livro em três sistemas: o do comércio, o BISAC (ou o Thema, no comércio internacional), escolhido pelo autor no pedido de ISBN e nas distribuidoras; o da biblioteca, a CDD ou a CDU, posta pelo bibliotecário na ficha catalográfica; e o da loja,Guias do mesmo assunto
Termos usados nesta página
Quem fala sobre isso 5pessoas
- Barbara Fisterbibliotecária e escritora americana; foi bibliotecária e professora no Gustavus Adolphus College, onde é professora emérita (Wikipedia, conferida em 2026)
Obra sobre classificação de livros em bibliotecas: a reportagem "The Dewey Dilemma", sobre bibliotecas que trocaram a CDD por categorias adaptadas do BISAC (Library Journal, 2009).
Página ↗ - Claire Kirchjornalista; assina reportagem na Publishers Weekly em 2025
Obra sobre o BISAC na livraria: a reportagem "What's a Bookseller to Do with BISAC Codes?", com livreiros independentes americanos (Publishers Weekly, 2025).
Página ↗ - Marcelo Nair dos Santosprofessor do Departamento de Biblioteconomia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), doutor em Ciência da Informação; docente de Representação Temática III, a disciplina de classificação decimal (plano de ensino de 2022)
Obra sobre a CDD na literatura: o manual "Classificação Decimal de Dewey: classificação das obras literárias", com a seção sobre separar e nacionalizar as literaturas (UFES, 2010).
Página ↗ - Chris Saynoreditor de padrões (Standards Editor) da EDItEUR, a organização que mantém o Thema e o ONIX, em 2021 (bio do texto)
Obra sobre o assunto principal no Thema: o texto "The importance of <MainSubject/> in your ONIX", sobre escolher o código principal e não somar o código geral (BookNet Canada, 2021).
Página ↗ - Connie Harbisondiretora de garantia de qualidade da Baker & Taylor e presidente do comitê do BISG que mantém o BISAC (Subject Codes Committee), segundo a bio do BISG de dezembro de 2025
Cargo no BISAC: preside o comitê do BISG que mantém a lista de códigos e apresentou a atualização de 2025 (BISG, 2025).
Página ↗
O que a rede diz 3 vozes
TikTokA booktoker propõe entender de uma vez a tal da classificação indicativa dos livros, olhando para os romances e as fantasias que circulam no booktok.
@carolinefawleyTikTok ↗
YouTubeO canal de biblioteconomia da UFMG sugere que a biblioteca escolar classifique a literatura primeiro pelo público, como o infantojuvenil, e depois só faça uma marcação para separar os gêneros.
Bibliocanto UFMGYouTube ↗
YouTubeO canal de biblioteconomia chama para praticar a Classificação Decimal de Dewey com exercícios, e deixa as lâminas da aula para baixar.
Biblio RespondeYouTube ↗
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A Verse Media faz infraestrutura para quem escreve e publica livros no Brasil. A Enciclopédia é a parte pública disso: páginas escritas a partir de fonte aberta, com preço e data na frase, para que um autor decida sem depender de quem vende o serviço. Toda afirmação de fato tem fonte listada. O que é análise nossa está marcado no texto. Fato que nenhuma fonte sustenta não entra. A pesquisa e a redação usam modelos de linguagem com regras de fonte e checagem independente; a revisão é humana.
Os números da regra vêm de documentos da OCLC lidos no texto integral e de um manual da UFES, de 2010, que reproduz a CDD 22; o B e os períodos estão datados por essa edição. Os exemplos vêm de registros do catálogo da biblioteca do Instituto Federal do Acre e de uma ficha impressa da CBL, abertos em 18/10/2026.
Lidas no texto integral
- OCLC. Introduction to the Dewey Decimal Classification. https://www.oclc.org/content/dam/oclc/dewey/versions/print/intro.pdf
- OCLC. WebDewey Help, "800 Literature (Belles-lettres) and rhetoric". https://www.oclc.org/content/dam/oclc/webdewey/help/800.pdf
- OCLC. DDC Summaries, 2003. https://www.oclc.org/content/dam/oclc/dewey/resources/summaries/deweysummaries.pdf
- Santos, Marcelo Nair dos. Classificação Decimal de Dewey: classificação das obras literárias, v. 3, UFES, 2010. https://biblioteconomia.ufes.br/sites/biblioteconomia.ufes.br/files/field/anexo/2_4CDD_T3.pdf
- Conselho Federal de Biblioteconomia. Resolução CFB nº 184, 29/09/2017 (DOU 06/10/2017). https://portais.univasf.edu.br/sibi/resolucao-184-catalogacao-na-fonte.pdf/@@download/file/Resolu%C3%A7%C3%A3o-184-Cataloga%C3%A7%C3%A3o-na-Fonte.pdf
- LPPE/UERJ. Escritores brasileiros, 2023 (ficha da CBL, p. 3). https://www.lppe.uerj.br/_files/ugd/d69d47_abc4f417e1ab4951b1011c8ad0ec125d.pdf
- IFAC, Biblioteca (catálogo), registros 35731, 34081, 34981, 30101, 29183, 35266. https://biblioteca.ifac.edu.br/bib/35731
Lidas em resumo ou pela referência
VERSE MEDIA. Tabela CDD: onde achar e qual número dar ao seu livro de literatura. Enciclopédia Verse, 18 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/metadados-e-identificadores/isbn-e-metadados/tabela-cdd. Acesso em: [data].
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