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Anti-herói

Anti-herói é um termo literário que, no Bedford Glossary of Critical and Literary Terms, designa quem se opõe ao herói tradicional, o de alto status social e bem-quisto pelo povo: uma pessoa comum, sem nobreza nem superpoderes. Para o sociólogo Orrin Klapp, em 1948, é herói de um ponto de vista e vilão de outro. As duas definições convivem; a de Klapp, que separa o anti-herói pelo motivo da ação e não pelo defeito, está no guia sobre protagonista, antagonista, vilão e anti-herói.

Nesta página
  1. De onde vem a palavra anti-herói?
  2. Como o tipo surgiu na literatura?
  3. Há variantes com nome próprio?
  4. O que muda para quem escreve?

De onde vem a palavra anti-herói?

O Merriam-Webster registra antihero em inglês desde 1714. Dostoiévski, portanto, não a cunhou; o narrador de Memórias do subsolo costuma ser associado ao tipo. Na parte final do livro (1864), o narrador diz que um romance precisa de um herói e que ali "all the traits for an anti-hero are expressly gathered together" (todos os traços de um anti-herói estão reunidos de propósito), com efeito desagradável, porque, na tradução de Constance Garnett, "we are all divorced from life" (todos estamos divorciados da vida). No Brasil, há a tradução de Boris Schnaiderman, Memórias do subsolo (Editora 34).

Como o tipo surgiu na literatura?

Para o crítico George Steiner, em Tolstoy or Dostoevsky (1959), a figura se liga ao Sobrinho de Rameau, de Diderot, no século 18, e o homem do subsolo é o marco do anti-herói como crítica social; Tersites, de Homero, seria um antecessor, porque dá voz à crítica ao poder. O crítico canadense Northrop Frye, em Anatomy of Criticism (1957), descreve a mudança do herói aristocrático para o "democrata urbano", do épico ao modo irônico, e vê o anti-herói nascer como contraste do herói tradicional.

Segundo Alsen (2014), o Romantismo do século 19 popularizou novas formas do tipo, como o duplo gótico, que Lutz (2006) estuda. Os heróis byronianos, criados a partir do poeta Lord Byron, são outra forma que, em alguns usos, o termo também cobre; ver o herói byroniano.

No século 20, em A metamorfose (1915), A náusea (1938) e O estrangeiro (1942), a crítica aponta protagonistas indecisos, marcados por tédio, angústia e alienação. O anti-herói americano dos anos 1950 e 1960 era mais ativo que o francês.

Há variantes com nome próprio?

Há o anti-herói "raciniano", que, segundo o artigo de Kennedy em The French Review (2014), tem três traços: está condenado ao fracasso antes de começar, culpa todos menos a si mesmo e critica a moral e a realidade social. Segundo Hearn, em The Annotated Huckleberry Finn (2001), Huckleberry Finn (1884) já foi chamado de "the first antihero in the American nursery" (o primeiro anti-herói do berçário americano). A TV dos anos 2000 a 2020 trouxe Tony Soprano, Walter White e Don Draper, e a anti-heroína virou campo de estudo.

O que muda para quem escreve?

Para quem escreve, a definição de Klapp desloca a pergunta do defeito para o motivo da ação. Dosar a falha para o leitor não desistir da personagem está no guia sobre como escrever um anti-herói. O vizinho que leva o rótulo de vilão é o anti-vilão.

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O guia completoTipos de personagens: protagonista, antagonista, vilão e anti-herói — Os tipos de personagens de uma história são o protagonista, que move a ação, o antagonista, que se opõe a ele, e os secundários à volta.

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Autoria: Verse MediaRevisado em 20 out. 2026Passos conferidos em 20 out. 2026Publicado em 20 out. 202610 fontes · 1 no integral

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VERSE MEDIA. Anti-herói. Enciclopédia Verse, 18 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/personagem/anti-heroi. Acesso em: [data].

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