Tipos de personagens: protagonista, antagonista, vilão e anti-herói
Os tipos de personagens de uma história são o protagonista, que move a ação, o antagonista, que se opõe a ele, e os secundários à volta. Para o dramaturgo Lajos Egri, protagonista é quem move a ação, não quem tem razão: em Otelo, é Iago. Herói, vilão e anti-herói são outra régua: para o sociólogo Orrin Klapp, o anti-herói é herói de um ponto de vista e vilão de outro. E o antagonista, lembra o glossário de escrita criativa de Fred Bulman, nem precisa ser mau.
Este guia foi feito com base nos ensinamentos de especialistas, mestres e autores consagrados do ofício, como Aristóteles, Lajos Egri, Vladimir Propp, Robert McKee, John Truby, Orson Scott Card, Stephen King e Alfred Hitchcock; no Brasil, Antonio Candido, Mário de Andrade, Marcus Mazzari e Luiz Antonio de Assis Brasil.
Você montou o elenco seguindo uma lista: o mocinho, o vilão, o amigo fiel. Aí o seu protagonista fez uma coisa imperdoável, o opositor começou a ter razão e a história que você queria contar não tem vilão nenhum. Agora a lista não diz mais quem é quem.
Saber, pelo que dizem os mestres, qual papel cada personagem ocupa na história (protagonista, antagonista, vilão, anti-herói, secundário), por que antagonista não é sinônimo de vilão nem protagonista de mocinho, e um teste para conferir o elenco no rascunho.
Leu listas de tipos de personagens que tratam o antagonista como o vilão e o protagonista como o mocinho, e travou quando o protagonista dele faz coisas ruins, quando o opositor tem razão ou quando o conflito não tem vilão nenhum.
Nesta página
- Quais são os tipos de personagens numa história?
- Qual a diferença entre protagonista e antagonista?
- Qual a diferença entre antagonista e vilão?
- Por que o vilão é tão importante numa história?
- Qual a diferença entre herói e anti-herói?
- Qual a diferença entre personagem principal e secundário?
- Malandro, herói sem caráter e vilão inteiriço: os papéis na ficção brasileira
- Como saber quem é quem na sua história?
- Perguntas frequentes
- O que fazer com isso
Preço vem com a data na frase. O que estiver sublinhado em mostarda é análise nossa; o resto tem fonte no fim da página. Termo com ponto abre a definição ao passar o mouse.
Quais são os tipos de personagens numa história?
Na Poética, Aristóteles conta de onde vieram os primeiros nomes de papel: Ésquilo trouxe o segundo ator, diminuiu o coro e deu ao diálogo a parte principal, e Sófocles elevou os atores a três. Daí protagonista, deuteragonista e tritagonista: o primeiro, o segundo e o terceiro a disputar, porque agōnistḗs, em grego, é o ator e o competidor, e agṓn é a disputa; o antagonista é o que disputa contra. Robert Storey, em A Guide to Ancient Greek Drama (2008), lembra que, na Grécia, protagonista não se confundia com herói: era um posto, não uma virtude. O deuteragonista leva o nome do segundo desses atores.
Vladimir Propp levou a ideia mais longe em Morfologia do conto maravilhoso (1928), que descreve o conto pelas funções. Nos contos de magia russos, ele achou só sete esferas de ação: o vilão (o agressor), o doador, o auxiliar, a princesa e o pai dela, o mandante, o herói e o falso herói. Ali, um papel pode se repartir entre vários personagens, e um personagem pode acumular papéis, como o pai que manda o filho à demanda e lhe dá a espada, mandante e doador ao mesmo tempo. Christopher Vogler, em A jornada do escritor, trata os arquétipos da jornada do herói também como papéis, máscaras que um personagem veste em momentos diferentes.
O protagonista também pode ser vários, não ser humano ou enganar o leitor; os casos, de Guerra e paz a Psicose, estão em protagonista e antagonista.
Cada mestre mede o personagem por um critério diferente. Egri, pela ação: quem move a trama e quem a segura. Klapp, pelo juízo de quem olha: herói de um lado, vilão do outro. O romancista Orson Scott Card, autor de O jogo do exterminador, pela importância: figurante, secundário ou principal. O romancista E. M. Forster, pela construção, na divisão entre personagem plana e redonda.
Qual a diferença entre protagonista e antagonista?
Para Lajos Egri, dramaturgo húngaro-americano e autor de The Art of Dramatic Writing (1946, revisão de How to Write a Play, de 1942), o protagonista é o personagem pivô, o que avança sem freio, e o antagonista é qualquer um que se oponha a ele: quem segura o protagonista que avança. O critério não é moral. Em Otelo, Egri chama Iago de "the ruthless, conniving protagonist" (o protagonista implacável e ardiloso) e Otelo de antagonista.
Stephen V. Duncan, autor do manual A Guide to Screenwriting Success (2006), vai no sentido de Egri: protagonista é quem toma as decisões-chave que movem a trama e enfrenta os maiores obstáculos. No Brasil, Luiz Antonio de Assis Brasil chama o personagem de "irradiador da narrativa" no manual Escrever ficção (2019): o personagem central conquista o leitor se tiver uma questão essencial forte, e as situações de conflito precisam estar ligadas a ela.
Egri faz também uma exigência sobre o tamanho do antagonista: que seja tão forte quanto o protagonista e, com o tempo, tão implacável. "A fight is interesting only if the fighters are evenly matched" (uma luta só interessa se os lutadores forem equilibrados). Se o antagonista não aguenta uma luta longa, Egri manda procurar outro personagem que aguente. E o conflito só vai até o fim quando o acordo é impossível; é o que ele chama de unidade de opostos: brigões que podem pedir desculpas e apertar as mãos podem parar no meio da peça.
John Truby, autor do manual The Anatomy of Story (2007), acrescenta a condição da meta: o oponente verdadeiro não só impede o herói, disputa com ele a mesma coisa, e é essa disputa que os obriga a se chocar de novo e de novo; em O poderoso chefão, Michael e Barzini querem o mesmo controle do crime em Nova York.
Para Robert McKee, professor do seminário de roteiro Story e autor do livro de mesmo nome (1997), o protagonista e a história só são tão fascinantes quanto as forças de antagonismo os fazem: é o princípio do antagonismo. O que faz um protagonista carregar o livro, do desejo à capacidade de escolher, é o assunto do guia sobre como criar um protagonista.
Qual a diferença entre antagonista e vilão?
Para Egri, antagonista é qualquer um que se oponha ao protagonista, e nada nessa definição pede maldade. Fred Bulman, no glossário de escrita criativa que organizou para a Polity (2007), diz que o antagonista pode ser só imprudente ou antipático, e que em O apanhador no campo de centeio quase todos à volta de Holden fazem o papel; uma força (a tempestade, a maré), as normas sociais ou um traço do próprio protagonista, como a indecisão, também servem.
Robert McKee fala em forças de antagonismo, toda oposição ao protagonista, e as divide em interna, pessoal e extrapessoal. O blog do Reedsy usa um critério único (Martin Cavannagh, atualizado em 15/10/2025): é antagonista quem tem metas em conflito com as do protagonista, seja um vilão sozinho, um grupo, uma força da natureza ou um conflito interno. Há leituras que dão a Hamlet, ao lado de Cláudio, o papel de próprio antagonista; em Solness, o construtor, de Ibsen, a antagonista é Hilde Wangel, cujos atos levam Solness à morte.
A palavra nasceu sem maldade, para o servo preso à terra, e só depois piorou até virar canalha deliberado; o percurso está no verbete vilão. Em Propp, vilão é uma função do conto: quem causa o dano que põe o herói em movimento.
Card dá o argumento de ofício contra o vilão de fábrica. Em Characters & Viewpoint (1988), ele diz que uma história convincente não faz do bandido um conspirador vilanesco, mas foca num "bad guy who thinks of himself as a good guy" (um bandido que se acha mocinho) e que se opõe aos outros porque os acha errados, e não por ser mau. Síndrome da China (1979), para ele, perdeu força nos poucos vilões óbvios e ganhou nas pessoas que não eram nem perfeitamente boas nem perfeitamente más.
Lidas juntas, as definições de Egri e de Propp dão quatro combinações. O antagonista que é vilão. O antagonista que não é vilão, como os de O apanhador. O vilão que é o protagonista: Iago, na leitura de Egri, e Ricardo III ou Humbert Humbert, de Lolita. E o vilão que não é o opositor da história inteira: o de Propp, que causa o dano na abertura e só reaparece depois, quando é procurado e combatido. Os modelos de vilão e como escolher o da sua história estão em tipos de vilões.
Por que o vilão é tão importante numa história?
O cineasta Alfred Hitchcock ligava o sucesso do filme ao do vilão. Nas entrevistas a François Truffaut, publicadas em 1966 (Le Cinéma selon Hitchcock; em inglês, Hitchcock/Truffaut, 1967), ele aponta como grande fraqueza de Pavor nos bastidores (1950) uma lei não escrita que o filme quebrou: "The more successful the villain, the more successful the picture" (quanto mais bem-sucedido o vilão, mais bem-sucedido o filme). Truffaut devolve a fórmula: quanto melhor o vilão, melhor o filme. O crítico Roger Ebert disse algo parecido de Jornada nas estrelas II: a ira de Khan (1982): como heróis e truques se repetem de filme em filme, só um grande vilão transforma uma boa tentativa num triunfo.
Arthur Conan Doyle deu a Sherlock Holmes um adversário, Moriarty, e o descreveu pela boca do detetive em "The Final Problem" (1893): "the Napoleon of crime" (o Napoleão do crime), que "sits motionless, like a spider in the centre of its web" (fica imóvel como uma aranha no centro da teia) e "does little himself. He only plans." (ele mesmo faz pouco; só planeja).
O poeta Samuel Taylor Coleridge e o crítico A. C. Bradley divergem sobre o motivo de Iago. Coleridge o resumiu como "motiveless malignity", a malignidade sem motivo. Bradley, em Shakespearean Tragedy (1904), chamou a frase de enganosa: um Iago que odeia o bem só porque é bem não seria um ser humano; o que os solilóquios mostram é um homem caçando motivos para justificar o plano a si mesmo.
Para Bradley, Iago está acima dos outros personagens maus de Shakespeare porque nele se puseram a maior intensidade e sutileza de imaginação e porque ele junta os dois fatos sobre o mal que mais impressionaram o autor; o primeiro é que existem pessoas perfeitamente sãs em quem a solidariedade é tão fraca que um egoísmo quase absoluto se torna possível.
O poeta William Blake leu Paraíso perdido pelo lado do Diabo. Escreveu, em O casamento do céu e do inferno, que Milton escrevia acorrentado quando tratava de Deus e livre quando tratava do Inferno, porque era poeta de verdade e "of the Devil's party without knowing it" (do partido do Diabo sem saber).
Como se escreve o vilão que funciona é tarefa do guia sobre como criar um vilão. O romancista Stephen King dá um ponto de partida. Ele disse à Writer's Digest em 2009 que até os bandidos, quase todos, se veem como bons, "the heroes of their own lives" (os heróis da própria vida). E Egri lembra que dizer de alguém que é uma pessoa má não informa nada; o autor precisa saber se ela é pouco confiável, mentirosa, ladra ou assassina.
Qual a diferença entre herói e anti-herói?
Para o sociólogo Orrin Klapp, num estudo de 1948 sobre heróis populares, o anti-herói é herói de um ponto de vista e vilão de outro, e entra no conflito por vontade própria, pondo os motivos pessoais à frente do bem maior. Defeito, por essa definição, não basta. Que um protagonista falho que serve ao bem maior continue herói é leitura nossa a partir dela.
O rótulo é antigo: o narrador de Memórias do subsolo (1864), de Fiódor Dostoiévski, diz que reuniu ali de propósito "all the traits for an anti-hero" (todos os traços de um anti-herói), e a história da palavra está em anti-herói.
O herói byroniano, o solitário romântico que Peter Thorslev estudou em 1962 e de que descendem Heathcliff e Rochester, é um antecessor.
Vince Gilligan, criador de Breaking Bad, contou ao programa Fresh Air em 2011 que planejou a série como um experimento em que o personagem "starts off as a protagonist and gradually becomes the antagonist" (começa protagonista e aos poucos vira o antagonista); o pitch era transformar o professor Mr. Chips em Scarface. A queda de Walter White é um caso de arco negativo. Já o anti-vilão, na descrição do Reedsy, é vilão no comportamento, com motivos que fazem o leitor hesitar no rótulo.
Por que o leitor acompanha alguém que não presta é assunto do guia sobre como criar personagens. Dosar a falha para o leitor não desistir dele é o assunto do guia sobre como escrever um anti-herói.
Qual a diferença entre personagem principal e secundário?
Para Orson Scott Card, não existe muro entre principal e secundário. Em Characters & Viewpoint ele divide o elenco em três níveis: o figurante, que não se desenvolve e só dá realismo ou cumpre uma função; o secundário, que pode mudar a trama, mas com quem o leitor não deve se envolver; e o principal, que o leitor ama, odeia, teme ou torce para que vença. Os níveis se misturam, e o ofício, para ele, é dar a cada personagem exatamente a importância que a história pede.
A regra prática de Card é curta: "a minor character does one or two things in the story and then disappears" (o secundário faz uma ou duas coisas na história e desaparece). O trabalho dele é avançar a trama, torcê-la, aliviar a tensão ou passar uma informação, e depois sair do caminho. O teórico da narrativa Seymour Chatman, em Story and Discourse (1980), chama de walk-on o personagem de fundo, sem individualização, que é parte do cenário. O que preencher na ficha de cada nível está no guia da ficha de personagem.
Egri pensa o elenco como orquestra. Se todos são do mesmo tipo, "it will be like an orchestra of nothing but drums" (é uma orquestra só de tambores). Em Rei Lear, Cordélia é gentil, amorosa e fiel; Goneril e Regan, frias e conspiradoras; o rei, impulsivo e colérico. Em Casa de bonecas, Helmer domina onde Nora obedece e é escrupuloso onde ela mente como criança; casado com a madura Mrs. Linde, diz Egri, Helmer brigaria, mas o grande conflito não existiria.
O foil é o personagem que contrasta com outro para realçá-lo; o nome vem da folha de metal posta atrás da pedra preciosa, e Shakespeare usa a imagem: em Hamlet, é o príncipe quem diz a Laertes "I'll be your foil" (serei o seu contraste). Propp dá nome às outras funções: o auxiliar e o doador, que equipam o herói; o mandante, que o despacha; o falso herói, que toma para si o feito do herói ou tenta casar com a princesa. Maria Tatar, em The Annotated Brothers Grimm (2004), dá como exemplo as irmãs de Cinderela, que cortam os pés para caber no sapato.
Malandro, herói sem caráter e vilão inteiriço: os papéis na ficção brasileira
Para o crítico Antonio Candido, em "Dialética da malandragem" (1970), Leonardo, de Memórias de um sargento de milícias (1852–53), não é um pícaro espanhol, mas "o primeiro grande malandro que entra na novelística brasileira". O romance, para Candido, se organiza pela dialética da ordem e da desordem: o major Vidigal é a encarnação da ordem, mas cede à desordem quando lhe convém, e Leonardo só fica do lado da ordem enquanto isso lhe serve. O malandro circula entre os dois polos.
Mário de Andrade, segundo Candido, elevou esse malandro a símbolo em Macunaíma (1928). O subtítulo é "o herói sem nenhum caráter"; na nossa leitura, "herói" ali nomeia o protagonista, e não uma virtude. No prefácio inédito de 1926, Mário conta que, pensando no caráter do brasileiro, topou com Macunaíma em Koch-Grünberg, "um herói surpreendentemente sem caráter"; e caráter, para ele, era também traço nacional, não só moral. Na leitura do pesquisador Luiz Gonzaga Motta, Macunaíma é ao mesmo tempo herói e anti-herói, vilão e antivilão. Em Morfologia do Macunaíma (1973), Haroldo de Campos leu o livro com a morfologia de Propp.
Para Marcus Mazzari, professor de teoria literária e literatura comparada da USP, Hermógenes é a exceção de Grande sertão: veredas (1956), de Guimarães Rosa: num livro em que as pessoas "não estão sempre iguais", ele é "definitivo, inteiriço", encarnação irreversível do mal, um principium maleficum sem muitos paralelos na literatura ocidental. Mazzari observa que, enquanto só Riobaldo o descreve, a maldade de Hermógenes podia ser idiossincrasia do narrador; com o assassinato traiçoeiro de Joca Ramiro, ela salta para o plano dos fatos.
O mesmo Mazzari pergunta se, ao fazer um vilão sem motivo externo, nem dinheiro nem política, Rosa não carregou no mítico. Candido, citado por Mazzari, o lê como "cavaleiro felão", o traidor do suserano. E é o boato do pacto de Hermógenes que empurra Riobaldo para o mesmo pacto, que o romance deixa em aberto.
Helen Caldwell, em The Brazilian Othello of Machado de Assis (1960), lê Bento Santiago à luz de Otelo: "O ciúme de Otelo o transforma em mouro; o de Bento o transforma em 'casmurro'". A história dessa leitura está no guia sobre recursos narrativos. Na telenovela, o que muda na vilã Odete Roitman, de Vale Tudo, do original de 1988 ao remake de 2025 é o discurso, mostra a pesquisadora Camila Fernandes (2025): do desprezo pelo Brasil à meritocracia, com o autoritarismo intacto.
Como saber quem é quem na sua história?
A tabela junta o que cada mestre diz de cada papel; a organização por critério (função, juízo moral, importância) é nossa.
| papel | critério | o que faz, na boca de quem formulou | exemplo |
|---|---|---|---|
| protagonista | função | o personagem pivô, que move a ação (Egri); toma as decisões-chave (Duncan) | Iago, em Otelo, para Egri |
| antagonista | função | quem se opõe ao protagonista e o segura (Egri); disputa a mesma meta (Truby); a força que dá a medida da história (McKee); pode ser só imprudente, uma força ou uma norma (Bulman) | Barzini, para Michael Corleone (Truby) |
| vilão | função em Propp; juízo moral no uso | quem causa o dano que põe o herói em movimento (Propp) | o agressor do conto de magia (Propp) |
| anti-herói | juízo moral | herói de um ponto de vista e vilão de outro; põe o motivo pessoal à frente do bem maior (Klapp) | o narrador de Memórias do subsolo, que se rotula anti-herói |
| anti-vilão | juízo moral | vilão no comportamento, com motivos que fazem o leitor hesitar (Reedsy) | Macunaíma, na leitura de Motta |
| deuteragonista | importância | o segundo papel, que leva o nome do segundo ator grego (Aristóteles conta a origem) | o segundo ator de Ésquilo |
| secundário e figurante | importância | faz uma ou duas coisas e sai; o figurante dá realismo ou cumpre uma função (Card) | o walk-on de Chatman |
| contraste (foil) | função | realça outro personagem pelo contraste (Shakespeare já usa a imagem) | Hamlet, que se oferece como contraste de Laertes |
| auxiliar, doador, mandante | função | equipam, guiam ou despacham o herói (Propp) | o pai que manda o filho à demanda e lhe dá a espada (Propp) |
Para aplicar o que eles ensinam, o teste do papel percorre o elenco do rascunho; cada pergunta vem de um mestre, e a ordem é nossa:
1. Quem toma as decisões que movem a trama? ______ (Egri, Duncan)
2. Quem disputa com ele a mesma meta? ______ (Truby)
3. O antagonista aguenta a luta até o fim? ______ (Egri)
4. Existe acordo possível entre os dois? ______ (Egri)
5. Ele é herói de um lado e vilão de outro, com o motivo pessoal à frente do bem maior? ______ (Klapp)
6. O seu vilão se acha o mocinho? ______ (King, Card)
7. Que tipo de mau ele é: mentiroso, ladrão, assassino? ______ (Egri)
8. Cada secundário faz uma ou duas coisas e sai? ______ (Card)
9. O elenco é uma orquestra só de tambores? ______ (Egri)
Perguntas frequentes
Toda história precisa de um vilão?
Não. Para Fred Bulman, o antagonista pode ser uma tempestade, uma norma social ou um traço do próprio protagonista, e o Reedsy põe a natureza e o conflito interno entre os antagonistas possíveis. O que Egri exige é uma força contrária à altura do protagonista.
O protagonista pode ser o vilão?
Pode. Egri chama Iago de protagonista de Otelo, e Ricardo III e Humbert Humbert são protagonistas e vilões ao mesmo tempo. Para Egri, o que define o protagonista é mover a ação, não ter razão.
O que é deuteragonista?
É o segundo papel da história, nome que vem do segundo ator que Ésquilo pôs em cena, segundo Aristóteles. Origem, uso e exemplos estão em deuteragonista.
O que é personagem secundário (ou coadjuvante)?
Para Orson Scott Card, é o personagem que pode mudar a trama, mas com quem o leitor não deve se envolver; faz uma ou duas coisas na história e desaparece. A definição do termo está em personagem secundário.
O que é anti-vilão?
É o vilão no comportamento cujos motivos fazem o leitor hesitar no rótulo, na descrição do Reedsy. Exemplos e a diferença para o anti-herói estão em anti-vilão.
Quantos tipos de vilão existem?
Não há número aceito. Propp separa, nos contos de magia, o vilão agressor, o falso herói e o mandante que despacha o herói para se livrar dele. Os modelos, com exemplos, estão em tipos de vilões.
Como criar um vilão?
Stephen King e Orson Scott Card partem do mesmo ponto: o vilão se acha o herói da própria vida. O passo a passo está no guia sobre como criar um vilão.
Como criar um protagonista?
O ponto de partida dos mestres é o que ele faz: Egri o descreve avançando sem freio e Duncan, tomando as decisões-chave. Desejo, agência e escolha estão no guia sobre como criar um protagonista.
O protagonista pode virar o antagonista?
Pode: Vince Gilligan, criador de Breaking Bad, planejou Walter White como um protagonista que aos poucos vira antagonista. Como escrever um anti-herói sem que o leitor desista dele está no guia sobre como escrever um anti-herói.
O que fazer com isso
Para aplicar o que eles ensinam, comece pelo que Egri e Truby perguntam (quem move a ação, quem disputa com ele a mesma meta) e só depois pelo que Klapp, King e Card perguntam (se o opositor é vilão, se o protagonista é anti-herói); a ordem é nossa. Como esse elenco ganha vida está no guia sobre como criar personagens; como o protagonista muda ao longo do livro, no guia sobre o arco de personagem.
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Guias que saem daqui
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Termos usados nesta página
Em breve
Quem fala sobre isso 6pessoas
- Lajos Egri †dramaturgo e professor de escrita criativa húngaro-americano (1888–1967)
Obra sobre o tema: The Art of Dramatic Writing, 1942, com os capítulos "Pivotal Character" e "The Antagonist".
Página ↗ - Vladimir Propp †folclorista e filólogo russo (1895–1970)
Obra sobre o tema: Morfologia do conto maravilhoso, 1928, que descreve o conto pelos papéis do vilão, do herói e do falso herói.
Página ↗ - Orson Scott Cardromancista norte-americano de ficção científica, autor de O jogo do exterminador; escreveu manuais de escrita pela Writer's Digest Books
Obra sobre o tema: Characters & Viewpoint, 1988, livro sobre personagens que divide o elenco em figurante, secundário e principal.
Página ↗ - Martin Cavannaghprofissional do mercado editorial, com mais de dez anos em estratégia de conteúdo e formação de autores (bio, 2025); escreve no blog da Reedsy, plataforma que vende serviços a autores
Obra sobre o tema: "Protagonist vs. Antagonist", Reedsy, 2025, artigo que define protagonista, antagonista, vilão e anti-vilão.
Página ↗ - Luiz Gonzaga Mottaprofessor titular da Universidade de Brasília, pesquisador de narrativa (2011)
Obra sobre o tema: "A narrativa mediada e a permanência da tradição: percurso de um anti-herói brasileiro", 2011, artigo que lê um anti-herói brasileiro com a morfologia de Propp.
Página ↗ - Margrethe Bruun Vaagepesquisadora de cinema e televisão da Universidade de Kent, Reino Unido (School of Arts, 2015)
Obra sobre o tema: The Antihero in American Television, 2015, livro sobre por que o espectador se liga ao anti-herói das séries.
Página ↗
O que a rede diz 6 vozes
YouTubeNum passeio pela teoria literária, avisa para não confundir antagonista com vilão e chama atenção para o peso dos personagens secundários, com a Morfologia do conto maravilhoso, de Propp, entre as leituras indicadas.
VevsvaladaresYouTube ↗
YouTubeExplica a função de cada personagem na narrativa pelos modelos de Propp e Greimas (protagonista, objetivo, oponente, coadjuvante, destinador e destinatário), com exemplos de Romeu e Julieta e Harry Potter.
Marcelo Spalding (Formação de Escritores)YouTube ↗
YouTubeResponde, em dicas rápidas, à dúvida de quem começa um livro novo sobre quais tipos de personagens podem entrar na história.
Vanessa SuerozYouTube ↗
YouTubeNum módulo de curso, apresenta os tipos de personagens lado a lado: planos e redondos, protagonistas e antagonistas, coadjuvantes e figurantes.
Amanda AndradeYouTube ↗
TikTokDiz que quatro tipos de personagens aparecem em toda história (o herói, o vilão, o aliado e o mentor) e pergunta ao público com qual deles se identifica.
@jwnstories_TikTok ↗
TikTokDiz que todo personagem de ficção tem um papel a cumprir na história e mostra, em ilustrações, os papéis que criou.
@kimmariaillustratesTikTok ↗
O que está acontecendo
- A Leste do Éden na Netflix traz Florence Pugh como Cathy ↗
A Leste do Éden na Netflix adapta o clássico de John Steinbeck com Florence Pugh, mas sua abordagem de Cathy enfraquece o dilema moral da obra.
- Sherlock Holmes, But Make It Rom-Com: Lucy Hale to Lead Roku Series ↗
She'll play the title character in 'Scarlett Holmes,' who solves mysteries related to love and dating.
- The Age of Antiheroes ↗
The best shows of TV’s best age featured the worst of people. And we loved it.
A Verse Media faz infraestrutura para quem escreve e publica livros no Brasil. A Enciclopédia é a parte pública disso: páginas escritas a partir de fonte aberta, com preço e data na frase, para que um autor decida sem depender de quem vende o serviço. Toda afirmação de fato tem fonte listada. O que é análise nossa está marcado no texto. Fato que nenhuma fonte sustenta não entra. A pesquisa e a redação usam modelos de linguagem com regras de fonte e checagem independente; a revisão é humana.
Lidas no texto integral
- Aristóteles, Poética, cap. IV, trad. inglesa de S. H. Butcher (Macmillan, 1902; archive.org).
- Lajos Egri, The Art of Dramatic Writing (Simon & Schuster; revisão de 1946 de How to Write a Play, 1942), scan do archive.org, p. 113–119, com o cap. "Orchestration", p. 114–117.
- Orson Scott Card, Characters & Viewpoint (Writer's Digest Books, 1988), cap. 6, p. 59–60, e parte 1 (archive.org).
- A. C. Bradley, Shakespearean Tragedy (Macmillan, 1904), conferência VI.
- Arthur Conan Doyle, "The Final Problem", em The Memoirs of Sherlock Holmes (1894), Project Gutenberg #834.
- William Blake, The Marriage of Heaven and Hell, prancha 6, Project Gutenberg #45315.
- Fiódor Dostoiévski, Notes from Underground (Memórias do subsolo, 1864), parte II, cap. X, trad. Constance Garnett, Project Gutenberg #600.
- Antonio Candido, "Dialética da malandragem", Revista do Instituto de Estudos Brasileiros n. 8, 1970.
- Vinicius dos Santos Xavier, "Um quê a mais", Revista do IEB n. 73, 2019, p. 248–266.
- Marcus Vinicius Mazzari, "Figurações do 'mal' e do 'maligno' no Grande sertão: veredas", Estudos Avançados 22 (64), 2008.
- Thaís Chang Waldman, "Um herói triste, numa terra triste", Opiniães (USP), n. 4/5.
- Camila da Silva Fernandes, "'Quem matou Odete Roitman?'", Intercom, 2025.
- Stephen King, entrevista à Writer's Digest, maio/junho de 2009 (writersdigest.com, 16/11/2009).
Lidas em resumo ou pela referência
- Martin Cavannagh, "Protagonist vs. Antagonist", Reedsy Blog, atualizado em 15/10/2025.
- Vince Gilligan, entrevista a Terry Gross, Fresh Air (NPR), 19/09/2011, pelo arquivo do programa.
- François Truffaut, Le Cinéma selon Hitchcock (Laffont, 1966); Hitchcock/Truffaut (Simon & Schuster, 1967), capítulo sobre Stage Fright, por trecho reproduzido em brentonfilm.com (15/07/2025).
- Robert McKee, Story (ReganBooks, 1997), cap. 14, citado por Ken Brosky, janefriedman.com, 03/01/2023.
- John Truby, The Anatomy of Story (2007; ed. 2008, p. 46–47); no Brasil, Anatomia da história (Seiva, 2024).
- Vladimir Propp, Morphology of the Folktale (Texas UP, 1968), p. 79–81; Graeme Turner, Film as Social Practice (Routledge, 1993).
- Robert Storey, A Guide to Ancient Greek Drama (Blackwell, 2008), p. 84. Stephen V. Duncan, A Guide to Screenwriting Success (Rowman & Littlefield, 2006).
- Fred Bulman (org.), Creative Writing: A Guide and Glossary to Fiction Writing (Polity, 2007), p. 17.
- Orrin E. Klapp, "The Creation of Popular Heroes", American Journal of Sociology 54 (2), 1948, p. 135–141.
- George Steiner, Tolstoy or Dostoevsky (1959). Merriam-Webster, "antihero".
- Peter L. Thorslev Jr., The Byronic Hero (U. Minnesota Press, 1962). Fiona MacCarthy, Byron: Life and Legend (John Murray, 2002), p. 557.
- Maria Tatar, The Annotated Brothers Grimm (Norton, 2004), p. 136.
- Samuel Taylor Coleridge, nota sobre Otelo ("motiveless malignity"), pela citação em Bradley 1904.
- Henrik Ibsen, Plays: 1, trad. Michael Meyer, p. 241 (Solness, o construtor). Byford, Transnational Russian Studies (2020).
- Seymour Chatman, Story and Discourse (Cornell UP, 1980), p. 139.
- Roger Ebert, resenha de Star Trek II: The Wrath of Khan, rogerebert.com, 1982.
- Britannica, "foil"; William Shakespeare, Hamlet, ato V, cena 2.
- Mário de Andrade, prefácios inéditos de Macunaíma (1926 e 1928), ed. de Telê Porto Ancona Lopez (2008), p. 217–223.
- Luiz Gonzaga Motta, "A narrativa mediada e a permanência da tradição", Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea n. 38, 2011. Haroldo de Campos, Morfologia do Macunaíma (Perspectiva, 1973).
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- Luiz Antonio de Assis Brasil, Escrever ficção (Companhia das Letras, 2019), via resenha de Andressa Fonseca da Silva, Revista Resenhando, 2022.
- Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas (1956).
- Antonio Candido, "O homem dos avessos", em Tese e antítese (ed. citada 1978), via Mazzari 2008, p. 284.
VERSE MEDIA. Tipos de personagens: protagonista, antagonista, vilão e anti-herói. Enciclopédia Verse, 18 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/personagem/protagonista-antagonista-vilao-anti-heroi. Acesso em: [data].
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