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Personagem plana e redonda

Personagem plana e redonda é a divisão que o romancista E. M. Forster propôs em Aspects of the Novel (1927): a plana, na forma mais pura, é construída em torno de uma única ideia ou qualidade, e a redonda é a que consegue surpreender de modo convincente. É uma das réguas dos tipos de personagens, ao lado das de ação, de juízo moral e de importância.

Nesta página
  1. De onde vem a divisão?
  2. Qual é o teste da redonda?
  3. Plana é defeito?
  4. Plana e redonda são o mesmo que arco plano?
  5. E no Brasil?

De onde vem a divisão?

Forster apresenta a divisão no capítulo "People": as personagens se dividem em planas e redondas. As planas, escreve, eram chamadas de humours no século 17 e às vezes são chamadas de tipos ou de caricaturas; quando há mais de um fator nelas, começa a curva em direção à redonda. A plana de verdade cabe numa frase: a de Mrs. Micawber é "I never will desert Mr. Micawber" (nunca abandonarei o sr. Micawber); ela diz isso, não abandona, e lá está ela.

O segundo exemplo de Forster é Caleb Balderstone, em The Bride of Lammermoor, o criado que esconde a pobreza da casa do patrão; para Forster, ele não tem existência fora dessa ideia. O terceiro vem de Proust: a princesa de Parma, cuja frase seria "I must be particularly careful to be kind" (preciso ter o cuidado particular de ser gentil).

Qual é o teste da redonda?

O teste, diz Forster, é se a personagem é capaz de surpreender de modo convincente; se nunca surpreende, é plana, e se não convence, é uma plana fingindo ser redonda. Ele lista como redondas as personagens principais de Guerra e paz, todas as de Dostoiévski, Madame Bovary, Tom Jones e Lucy Snowe.

Para mostrar a diferença, Forster compara a condessa de Evan Harrington a Becky Sharp, personagem de Thackeray. Da condessa o leitor lembra a figura e a fórmula, "Proud as we are of dear papa, we must conceal his memory" (orgulhosos do querido papai, precisamos esconder a memória dele); Becky também quer subir na vida, mas não se resume a uma frase, e o leitor a lembra pelas grandes cenas por que passou e por como elas a modificaram.

Plana é defeito?

Para Forster, não necessariamente: as planas têm vantagens, mas são realização menor que as redondas. Elas são fáceis de reconhecer sempre que entram, o leitor as reconhece pelo olho emocional, e ficam na memória depois. Ele as vê como melhores quando cômicas: uma plana séria ou trágica tende a ser enfadonha. Só as redondas, diz ele, estão aptas a atuar tragicamente por muito tempo. Em Jane Austen, Forster acha o exemplo da redondeza: todas as personagens dela são redondas ou capazes de redondeza, e Lady Bertram, de Mansfield Park, plana, vira "a little globe" (um pequeno globo) quando a cena pede. A defesa que ele faz das planas de Dickens está no guia de como criar personagens.

Plana e redonda são o mesmo que arco plano?

Não. A plana de Forster descreve como a personagem é construída; no arco plano, a personagem pode ser redonda e não mudar.

E no Brasil?

A dissertação de Vinício Lima Berbat, da UERJ (2021), registra em seu resumo que críticos como Antonio Candido se apoiaram na tipologia de Forster. A leitura de Candido está no mesmo trecho do guia de como criar personagens.

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O guia completoComo criar personagens para um livro — Uma personagem funciona quando chega à primeira cena querendo alguma coisa e disposta a pagar por ela.

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Autoria: Verse MediaRevisado em 20 out. 2026Passos conferidos em 20 out. 2026Publicado em 20 out. 20263 fontes · 1 no integral
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VERSE MEDIA. Personagem plana e redonda. Enciclopédia Verse, 18 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/personagem/personagem-plana-e-redonda. Acesso em: [data].

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