Arquétipo
Arquétipo é um padrão recorrente que serve de modelo, e a palavra tem três usos que a busca mistura. Em Carl Jung, é uma forma inata do inconsciente coletivo, que só se conhece pelas imagens em que aparece; para Northrop Frye, é uma imagem que se repete e liga uma obra a outra; nos manuais de roteiro de Christopher Vogler, é um papel que a personagem veste.
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De onde vem a palavra arquétipo?
A palavra é grega: o primeiro elemento, arché, quer dizer começo, origem, princípio; o segundo, typos, a marca deixada por um golpe, a forma, a imagem, segundo Anthony Stevens (2003), em Archetype Revisited. Frye registra que o termo vem dos tempos neoplatônicos e significava um padrão, um modelo.
Jung chegou ao conceito por etapas. Falou primeiro em imagens primordiais, termo que tomou emprestado de Jacob Burckhardt, e em 1917 em dominantes do inconsciente coletivo. A palavra "arquétipos" aparece pela primeira vez no ensaio "Instinct and the Unconscious", de 1919.
O que Jung entendia por arquétipo?
Para Jung, o arquétipo é uma potencialidade inata, uma ideia, um padrão de pensamento ou uma imagem universal e herdada; por isso ele rejeitava a ideia de que a mente nasce como uma folha em branco. Em suas palavras, é "the introspectively recognizable form of a priori psychic orderedness". O que se enxerga são as imagens e as formas que resultam dele; o arquétipo em si é inconsciente e não pode ser percebido diretamente.
Para Jung, são formas ocultas da psique que se ativam quando entram na consciência e são moldadas pela experiência individual e cultural.
O que é arquétipo na crítica literária?
Northrop Frye, no texto "Archetype" do Harper Handbook to Literature (1985), define o termo na crítica moderna como "a recurring or repeating unit, normally an image", sinal de que um poeta segue uma convenção ou trabalha num gênero. Para ele, o arquétipo difere do protótipo, que se refere a uma relação genética e temporal, e, como termo crítico, não tem a associação platônica de uma forma ou ideia. Frye dá o soldado fanfarrão do teatro como arquétipo de personagem, e separa o arquétipo literário, unidade de comunicação, do junguiano, que nasce de sonhos privados.
No Anatomy of Criticism (1957), segundo o estudioso Robert D. Denham, que transcreveu o texto de Frye, o arquétipo é a categoria do nível "mítico" da teoria dos símbolos de Frye. Andrew Samuels, em Jung and the Post-Jungians (1986), registra que na crítica literária os arquétipos se concretizam em imagens, em motivos e em tipos reconhecíveis de personagem, como o trapaceiro e o herói.
Que papéis Vogler chama de arquétipos?
Christopher Vogler, em The Writer's Journey (1992), trata os arquétipos como papéis, não como tipos fixos: Herói, Mentor, Guardião do Limiar, Arauto, Camaleão, Sombra e Pícaro, e em algumas listas o Aliado. Ele os vê como máscaras que a mesma personagem veste em momentos diferentes e também como facetas do herói. A edição brasileira é A jornada do escritor (Aleph, 2015).
Por que o arquétipo é criticado?
O arquétipo é criticado por folcloristas e por quem escreve ficção. O folclorista Alan Dundes escreveu que nenhuma ideia difundida por amadores fez mais mal aos estudos sérios de folclore do que a noção de arquétipo. Segundo Pelican (2021), em The Science of Writing Characters, as noções junguianas de arquétipos de personagem são redutoras e pouco úteis para muitos escritores, porque simplificam a complexidade da personagem em tropos clichês.
O que o arquétipo muda para quem escreve personagens?
A versão vilã que Victoria Lynn Schmidt dá a cada arquétipo de herói está nos tipos de vilões. A construção da personagem a partir do que ela quer está no guia de como criar personagens, e a caracterização é um termo vizinho.
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O guia completoComo criar personagens para um livro — Uma personagem funciona quando chega à primeira cena querendo alguma coisa e disposta a pagar por ela.Termos vizinhos
Lidas no texto integral
Lidas em resumo ou pela referência
- Anthony Stevens, Archetype Revisited (Inner City Books, 2003), p. 74; Stevens, "The archetypes", em The Handbook of Jungian Psychology (2006).
- Carl G. Jung, "Instinct and the Unconscious" (1919), Collected Works, vol. 8; Jung, Synchronicity (1985), p. 140; The Art of C. G. Jung (Norton, 2019), p. 260; Jolande Jacobi, Complex, Archetype, Symbol (apud Jacobi, 2017, https://appliedjung.com/complex-archetype-symbol/).
- W. Colman, "Are archetypes essential?", Journal of Analytical Psychology 63 (2018), https://doi.org/10.1111/1468-5922.12414; Weiner, The Complete Father (2018), p. 5; Munro, Motivation and Culture (2014).
- Sonu Shamdasani, Jung and the Making of Modern Psychology (Cambridge UP, 2003), p. 309.
- Andrew Samuels, Jung and the Post-Jungians (Routledge, 1986).
- Christopher Vogler, The Writer's Journey (1992; 3.ª ed. 2007), livro I; ed. brasileira A jornada do escritor (Aleph, 2015).
- Alan Dundes, Grand Theory in Folkloristics (Indiana UP, 2016), p. 16–18, 25.
- Pelican, The Science of Writing Characters (Bloomsbury, 2021).
VERSE MEDIA. Arquétipo. Enciclopédia Verse, 18 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/personagem/arquetipo. Acesso em: [data].
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