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Livro

Livro é o nome de um objeto, o volume de folhas manuscritas ou impressas, reunidas em cadernos e presas num dos lados, e também o da obra que esse volume reúne. As definições técnicas o tratam como publicação não periódica, que sai inteira de uma vez ou em volumes de número previsto, mas não concordam sobre onde ele termina: o número mínimo de páginas e a exigência de papel mudam conforme quem define. No Brasil, a Lei do Livro, a norma técnica da ABNT e a pesquisa Retratos da Leitura trabalham com três definições que não coincidem.

Nesta página
  1. De onde vem a palavra livro: o latim liber
  2. Quantas páginas tem um livro?
  3. Um livro precisa ser de papel?
  4. Livro, obra, volume e códice
  5. Outros significados de livro
  6. Para quem escreve

De onde vem a palavra livro: o latim liber

"Livro" vem do latim liber, libri, que antes de nomear o livro nomeava a entrecasca das árvores. O dicionário de latim de Charlton Lewis e Charles Short explica a passagem: como os antigos escreviam sobre a casca, a palavra passou ao material de escrita e ao rolo e, no uso mais frequente, a livro, obra e tratado. A fonte antiga que o dicionário aponta é a História natural de Plínio, o Velho: antes da folha de papiro, escrevia-se em folhas de palmeira e depois na casca de certas árvores. Quem procura "livro em latim" esbarra num homônimo: līber, com a vogal longa, é o adjetivo "livre", e Līber é um deus itálico identificado com Baco; só lĭber, com a vogal breve, é a casca e o livro. A separação continua no português: o Priberam dá "livre" do adjetivo liber, -era, -erum e "livro" de liber, libri.

O grego fez o mesmo caminho com outra planta. Býblos é o papiro egípcio, depois a casca usada para escrever e, por fim, o rolo; biblíon, uma tira de papiro, passou a documento e a livro. O plural, biblía, deu "Bíblia": a palavra quer dizer "os livros". Nas duas línguas, o nome do livro é o nome do material em que se escrevia.

Quantas páginas tem um livro?

A resposta tem número, e o número muda em uma página conforme a fonte. A UNESCO, numa recomendação de 1964 feita para padronizar entre os países as estatísticas de produção editorial, definiu livro como a publicação impressa não periódica de pelo menos 49 páginas, sem contar as capas, e folheto como a de 5 a 48. A NBR 6029, a norma da ABNT para a apresentação de livros e folhetos, chama de livro a publicação "acima de 49 páginas" e de folheto a que tem de 5 a 49. Uma publicação impressa de exatamente 49 páginas, com ISBN, é livro para a UNESCO e folheto para a norma brasileira.

A NBR acrescenta uma condição que a UNESCO não tinha: para ela, livro e folheto são publicações com ISBN, o número internacional que identifica cada edição. A Agência Internacional do ISBN, por sua vez, não conta páginas: dá número a livros e folhetos impressos, a publicações em braile, a audiolivros e a e-books, desde que a publicação seja única (nem periódica, nem seriada), baseada em texto e disponível ao público. Para a agência, um folheto de 20 páginas recebe número como um romance de 400.

Um livro precisa ser de papel?

O suporte é a segunda fronteira, e no Brasil cada instituição a traça num lugar. A Lei 10.753/2003, a Política Nacional do Livro, define livro como a publicação de textos escritos "em fichas ou folhas", não periódica, grampeada, colada ou costurada, em qualquer formato e acabamento, e não conta páginas. A lista do que ela equipara a livro é larga: fascículos, álbuns para colorir, pintar ou recortar, atlas e mapas, livros em braile e os textos que um editor produz sob contrato de edição com o autor "com a utilização de qualquer suporte". O meio digital só aparece pelo nome no inciso dos livros feitos para uso exclusivo de pessoas com deficiência visual. Essa redação do artigo 2º não mudou desde 2003.

Quem tirou o papel da definição por escrito foi o Supremo Tribunal Federal, julgando a imunidade da Constituição, não a Lei do Livro: em 2017, ao estender ao livro eletrônico a imunidade de impostos do livro, o tribunal escreveu que o papel não é essencial e que o suporte é "elemento acidental no conceito de livro".

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2024, traça a fronteira pelo uso. Conta como livro o impresso, o digital, o audiolivro, o livro em braile e a apostila escolar, e exclui manuais, catálogos, folhetos, revistas, gibis e jornais; o conceito é o mesmo adotado na edição de 2011.

Nem quem estuda o livro mantém o papel como critério. Num artigo de 2019 intitulado "What is a Book?", os pesquisadores Miha Kovač, Angus Phillips, Adriaan van der Weel e Ruediger Wischenbart escrevem, no resumo, que no ambiente digital os elementos básicos da definição da UNESCO, o impresso e o mínimo de páginas, tiveram de ser deixados para trás. O historiador James Raven, professor emérito de história moderna na Universidade de Essex e organizador da Oxford Illustrated History of the Book, põe outro critério no lugar, a portabilidade, que separa o livro da inscrição num monumento, e admite que ele deixa de fora cartazes e inscrições fixas que têm parentesco evidente com o livro. Amaranth Borsuk, em The Book (MIT Press, 2018), leva a pergunta para trás e, segundo a apresentação da obra, pergunta se tabuletas de argila e rolos de papiro contam como livros. Nem o e-book, que nasceu digital, tinha definição aceita: em 2008, M. Vassiliou e J. Rowley, num artigo na Library Hi Tech discutido por Zoran Velagić na Information Research, reuniram 37 definições de e-book publicadas entre 2000 e 2008, e 31 delas recorriam à analogia com o livro impresso.

Livro, obra, volume e códice

A obra é a criação; o livro é um dos lugares onde ela fica. A Lei 9.610/1998, de direitos autorais, protege os textos literários, artísticos e científicos como criações do espírito expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro. O mesmo romance, em brochura, em e-book ou em audiolivro, é uma obra em três suportes. O Michaelis registra "livro" tanto para a obra, "constituído por um ou mais volumes", quanto para cada um dos volumes que a compõem. Por isso romance e livro não se contam um para um: o romance é a obra, o livro é o volume, e um romance pode ocupar vários livros como um livro pode reunir vários romances.

O objeto que hoje se chama livro, folhas reunidas em cadernos e presas por costura ou cola num dos lados, tem a forma do códice. O dicionário Priberam define o códice como o volume antigo manuscrito organizado em cadernos, ligados por costura e encadernação, e registra também o sentido romano de tábua encerada para escrever. No livro XIV dos Epigramas do poeta latino Marcial, uma série de dísticos para acompanhar presentes, aparecem obras inteiras em pergaminho: a Ilíada e a Odisseia guardadas em muitas camadas de pele, o enorme Tito Lívio apertado em peles pequenas, e Virgílio, de quem o poeta se espanta que caiba numa membrana tão breve. No dístico 188, o Cícero em pergaminho vira companheiro de viagem. O que as legendas celebram é o tamanho: a obra longa passava a caber na mão e a viajar junto.

Outros significados de livro

Parte de uma obra. O latim já chamava de livro cada divisão de uma obra longa: entre os exemplos de Lewis e Short está Cícero, que no De divinatione dá por prontos os três livros Sobre a natureza dos deuses. O grego biblíon tinha o mesmo sentido, e os dicionários portugueses o registram, com os livros da Bíblia como exemplo: o Aulete cita o livro de Mateus.

Livro contábil. O Código Civil obriga o empresário e a sociedade empresária a escriturar livros e diz que, além dos demais exigidos por lei, o Diário é indispensável, podendo ser substituído por fichas na escrituração mecanizada ou eletrônica. A lei regula até a forma: idioma e moeda nacionais, ordem cronológica, sem espaços em branco, entrelinhas, borrões ou rasuras. O Aulete define esse sentido como o registro onde se assentam as operações comerciais e dá o livro-caixa como exemplo.

Zoologia. Livro é também a terceira cavidade do estômago dos ruminantes, o mesmo que folhoso ou omaso.

Locuções. O Priberam registra ainda o livro das quarenta folhas, que é o baralho, e o conjunto de mortalhas de cigarro; o livro branco e o livro verde, documentos publicados em geral por governos ou instituições; e o livro de ponto. O Michaelis e o Aulete registram também o livro de bordo.

Para quem escreve

A régua que importa depende do que se vai fazer com o texto. No comércio, o identificador de cada edição é o ISBN, que editoras, livrarias, bibliotecas e lojas na internet usam para encomendar, catalogar e controlar vendas e estoque. Quem o pede é o editor, que pode ser o próprio autor quando publica sozinho, e o número identifica a edição sem dar proteção de direito autoral. Um texto impresso e grampeado de 40 páginas é livro para a Lei 10.753, com ou sem ISBN; para a NBR só é folheto, e só se tiver ISBN; a agência lhe dá número como daria a um romance. As peças que o objeto precisa ter, da capa ao colofão, estão em as partes de um livro.

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O guia completoAs partes de um livro, da capa ao colofão — A ordem das partes de um livro é costume de oficina, não regra de lei.

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Autoria: Verse MediaRevisado em 26 set. 2026Passos conferidos em 26 set. 2026Publicado em 26 set. 202617 fontes · 17 no integral

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VERSE MEDIA. Livro. Enciclopédia Verse, 24 set. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/producao-editorial/fisico/livro. Acesso em: [data].

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