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Exemplos de colofão para fechar o seu livro

O colofão é a nota que diz quem compôs e imprimiu o livro, onde, quando e em que papel, e pode caber numa frase. O de Mordida, de Sarah Andersen, lançado em 2021 pela Seguinte, selo da Companhia das Letras, começa com "Esta obra foi composta em Fangs e impressa pela Geográfica em ofsete" e termina com o papel (Alta Alvura), a editora e o mês, julho de 2021; no trecho oficial do livro, ele fica no alto da página de créditos, no começo. Falta nele a cidade da gráfica, um dos três dados que a NBR 6029, a norma da ABNT para livros, usa para definir o colofão: o impressor, o local e a data da impressão. Pela mesma norma, o colofão é opcional e vai de preferência na última folha. Como esses dados moravam no fim do livro antes de existir folha de rosto está em as partes de um livro; o que a palavra quer dizer, no verbete colofão. Nas editoras americanas, colophon também nomeia a marca gráfica da editora, o emblema; o Chicago Manual of Style separa os dois sentidos.

Seu livro está quase fechado e falta só aquela nota final, discreta, que diz em que papel e onde ele foi composto: o colofão. Você já viu alguns em livros da própria estante, mas não sabe quais dados são obrigatórios e quais são só estilo de cada editora.

O que você leva

Um modelo de colofão para copiar, campo a campo, com o que a norma exige e o que é só estilo de cada editora.

Pra quem é

Tentou montar o colofão olhando exemplos de livros da própria estante e não sabia separar o dado obrigatório do que é só estilo de cada editora.

Nesta página
  1. O que vai num colofão?
  2. Exemplos de colofão, do técnico ao literário
  3. Quando o colofão muda
  4. Modelo de colofão para copiar

Preço vem com a data na frase. O que estiver sublinhado em mostarda é análise nossa; o resto tem fonte no fim da página. Termo com ponto abre a definição ao passar o mouse.

O que vai num colofão?

A norma fixa o piso e deixa o teto aberto: o colofão pode ter três dados ou trinta, e quem decide é o leitor que a editora quer atender.

Acima do piso, a NBR 6029 recomenda as especificações gráficas e, quando a composição e a impressão foram feitas em mais de um estabelecimento, pede os dados de todos. O colofão do próprio Chicago Manual, na 17ª edição (2017), mostra essa regra funcionando: quem projetou, quem compôs, quem imprimiu e encadernou o miolo e quem imprimiu a sobrecapa vêm em linhas separadas, e os três estabelecimentos, cada um com a sua cidade; seguem as fontes com os nomes de quem as desenhou, o papel e o tecido da capa.

O teto não existe. Stephen Wolfram pôs no colofão de A New Kind of Science, que publicou em 2002 pela Wolfram Media, o software de composição e o das imagens, as tipografias (Trump Mediaeval, Palatino, Univers, Gill Sans, entre outras), o papel pela marca e pela gramatura americana, o tipo de impressora, a retícula e, no fim, a estatística do livro: 1.280 páginas, 583.313 palavras, 973 ilustrações.

campo o que escrever exemplo real a NBR pede?
Impressor nome da gráfica Geográfica (Mordida) sim, se houver colofão
Local cidade da gráfica Binghamton, N. Y. (Knopf, 1923) sim
Data data da impressão (em geral, mês e ano) julho de 2021 (Mordida) sim
Composição quem diagramou, se não foi a gráfica Graphic Composition, Inc. (Chicago, 17ª ed.) sim, se foi outro estabelecimento
Tipografia a fonte do texto e, se quiser, quem a desenhou Lyon, de Kai Bernau (Chicago) recomenda
Papel nome comercial e gramatura offset 150 g/m² (O espaço entre as folhas da relva, ÔZé, 2023) recomenda
Processo e acabamento ofsete, digital; costura, cola ofsete (Mordida) recomenda
Tiragem exemplares desta edição ou reimpressão 1.000 numerados (Carambaia) não
Editora quem publica Editora Schwarcz (Mordida) não (já está na folha de rosto)

A obrigatoriedade varia de casa para casa, não de norma para norma. O Manual de Produção Editorial da Embrapa trata o colofão como obrigatório no livro impresso, na última página em branco do miolo, com "Impressão e acabamento" e o nome da gráfica; a NBR o chama de elemento opcional. Quando a última página do miolo não está em branco, o manual permite, em capa mole, pôr o colofão na terceira capa, o lado de dentro da capa de trás, para não acrescentar um caderno; em capa dura, nunca. O Chicago Manual, na 13ª edição (1982), vai mais longe e o descreve como enfeite de livro especialmente projetado, uma prática menos comum do que já foi. Para quem faz o próprio livro, isso quer dizer que o colofão é escolha, e que, se entrar, precisa ao menos do piso da norma.

Exemplos de colofão, do técnico ao literário

Cada família de colofão responde a uma pergunta diferente: onde o livro foi fabricado, com que letra foi composto, como esta edição foi feita, ou que história o livro tem.

Onde foi fabricado. Livros da Knopf dos anos 1920 traziam um bloco de fábrica. Em Essays of a Biologist, do biólogo Julian Huxley (1923), ele diz o mês da publicação, que a mesma gráfica, a Vail-Ballou Press, compôs, fez as chapas, imprimiu e encadernou, quem forneceu o papel e em que país o livro foi fabricado. Numa tradução de Miguel de Unamuno da mesma editora, Essays and Soliloquies (1925), o papel ganha origem: esparto fabricado na Escócia. Nos três livros da Knopf daquela década consultados, esse bloco fica no verso da folha de rosto, junto do copyright, e não na última página, onde a NBR põe o colofão. A frase única de Mordida, que no trecho oficial também está na página de créditos, no começo do livro, diz quase as mesmas coisas, gráfica, processo, papel e data, e acrescenta a fonte.

Com que letra. A Knopf passou depois a imprimir A Note on the Type, a nota sobre a fonte. Segundo Paul Shaw, que dedicou uma série de artigos ao designer W. A. Dwiggins, os primeiros textos teriam sido escritos por Frank Denman, que em 1926 trabalhava na fabricante de linotipos Mergenthaler; o mais antigo com data segura que Shaw achou, sobre a fonte Fournier, em Death Comes for the Archbishop (1927), passa de 1.600 palavras. Os de Dwiggins, que escrevia os colofões dos livros que desenhava para a editora, muitas vezes têm menos de 100. O de In a Word (1939), um livro de comentários sobre palavras, tem duas frases, na transcrição de Shaw: os comentários estão em Linotype Janson, as palavras em Caslon, e as duas combinam por serem parentes do estilo antigo. Shaw registra também que o título da nota variou nos anos 1940 ("Printer's Note", "Type Note", "The Type") sem diferença entre os textos.

Como esta edição foi feita. No ebook não há gráfica nem papel, e o colofão passa a descrever a edição. O da Standard Ebooks para O Pioneers!, de Willa Cather, diz que o romance saiu em 1913, quem produziu o ebook, de que transcrição ele parte (2008, Project Gutenberg) e de que exemplares digitalizados, que a capa adapta uma pintura de Winslow Homer de 1876, que fontes estão na capa e na folha de rosto, e a data e a hora do lançamento: 26 de julho de 2021, 1h33 (UTC). Fecha com o endereço para ver as atualizações e o histórico de revisões, campo que o impresso não tem.

Que história o livro tem. A editora independente Bandeirola usa o colofão de A Mulher e o Estranho (2025) para contar o tempo do livro: contos traduzidos em 2021, prefácio e apresentações fechados em 2022, edição em 2024, lançamento em 2025. Termina como bula de remédio, indicando que o livro seja "desfrutado sem moderação ou contraindicação".

Quem defende o colofão técnico fala de quem faz livro. O editor João Varella o defende porque é com ele que se descobrem fornecedores, papéis e processos, e critica as editoras que se contentam com um lacônico "impresso na CIDADE TAL"; Gabriel Fernandes, autor do blog arquitetura em notas, o aproxima dos créditos no fim de um filme, que mostram as pessoas por trás da coisa pronta. O colofão de momento da Bandeirola não diz nada disso. Na nossa leitura, as duas pontas atendem leitores diferentes, e as duas funções cabem na mesma página: a linha técnica primeiro, que atende a norma e a quem estuda livro, e uma frase de momento depois, se o livro pedir.

Quando o colofão muda

O modelo de uma frase supõe um livro impresso de uma vez, numa gráfica conhecida. Quatro situações mudam o que se escreve.

Impressão sob demanda. O guia de arquivos da IngramSpark avisa que a página de código de barras da gráfica sai na última página do texto. Na Amazon, a ajuda oficial do KDP trata do código de barras só na capa e não diz o que a plataforma imprime no fim do miolo. O que se tira daí, na nossa leitura: quem publica sob demanda não pode contar com a última folha, e, como cada exemplar é impresso quando alguém compra, não há uma gráfica nem uma data de impressão únicas para pôr no colofão. O colofão sob demanda, portanto, não cumpre o piso inteiro da NBR; o que chega mais perto é nomear a plataforma como impressora e dar a data da edição, com as fontes e o papel escolhido, na penúltima página.

Ebook. Sem papel nem gráfica, o colofão é da edição, não do exemplar: fontes, capa, quem produziu, data e, se o arquivo for atualizado, onde ver a versão nova, como faz a Standard Ebooks. A Embrapa, ao contrário, tira o colofão do livro digital.

Reimpressão. A edição de bolso de The Antichrist, de Nietzsche (Knopf), acrescenta a linha da segunda impressão, novembro de 1924, embaixo da data da edição, setembro de 1923, sem apagar nenhuma. A NBR conta a tiragem por edição ou reimpressão; cada impressão nova tem, portanto, dados próprios. O papel também pode mudar. Em 2022, a escritora Marina Colasanti contou que a Suzano deixou de fabricar o Pólen Soft e que as editoras passaram ao Pólen Natural; o blog da plataforma UICLAP diz que a parada era "por ora". Daí, na nossa leitura, o colofão copiado de uma edição antiga pode nomear um papel que a gráfica já não tem, e vale conferir com ela antes de imprimir.

Tiragem limitada ou numerada. A declaração de tiragem, segundo os bibliógrafos John Carter e Nicolas Barker no ABC for Book Collectors, diz quantos exemplares se fizeram e, muitas vezes, o número de cada um; e a edição dita limitada que não diz o número deve ser lida com ceticismo. A Carambaia, por exemplo, publica a coleção Edição Numerada em 1.000 exemplares numerados à mão, que não são reimpressos.

Modelo de colofão para copiar

Esquema do colofão de Mordida dividido em campos, com dois campos marcados como faltantes
Campo a campo, o colofão de Mordida dá cinco dos campos do modelo e deixa a cidade e a gramatura de fora. Diagrama: Verse

Um campo por linha, o piso da NBR primeiro. As linhas entre colchetes entram só na situação indicada depois da seta.

Copie o modelo de colofão
COLOFÃO
Este livro foi composto em [fonte do texto] (e [fonte dos títulos], se houver)
[por (quem diagramou)] ← se não foi a gráfica
e impresso em [ofsete | impressão digital] pela [gráfica], em [cidade],
sobre papel [nome comercial] [gramatura] g/m²,
em [mês] de [ano].
[Tiragem: (número) exemplares.] ← se o livro usar
[Este é o exemplar nº ___.] ← edição numerada
[Capa: (quem fez). Projeto gráfico: (quem fez).] ← se não estiverem nos créditos
[Uma frase sobre o momento do livro.] ← se o livro pedir

Impressão sob demanda: troque a gráfica, a cidade e a data por "Impresso sob demanda por [plataforma]. Edição de [mês] de [ano]" e mantenha fonte e papel; fica aquém do piso da NBR, que pede uma gráfica, um local e uma data de impressão. Ebook: tire papel e gráfica; deixe fontes, capa, quem produziu, data da edição e, se houver, o endereço da versão atualizada. Reimpressão: acrescente "[nª] impressão, [mês] de [ano]" embaixo da linha anterior e confira se o papel ainda é o mesmo.

Exemplo trabalhado: o colofão de Mordida (Seguinte, 2021)

A frase de Mordida dá, numa frase só, a fonte, a gráfica, o processo, o papel, a editora e o mês, seguidos da nota do selo FSC. Campo a campo:

o que o colofão diz campo o que falta ou muda no modelo
composta em Fangs tipografia quem desenhou a fonte, M Gallego, fica no expediente, não no colofão
impressa pela Geográfica impressor falta a cidade da gráfica, que a NBR pede
em ofsete processo a NBR recomenda
sobre papel Alta Alvura papel falta a gramatura
para a Editora Schwarcz editora a NBR não pede
em julho de 2021 data a data da impressão, que a NBR pede
nota do selo FSC certificação do papel fora do modelo; entra se o papel for certificado

No modelo, com os dados que o próprio colofão dá e colchetes onde falta:

Este livro foi composto em Fangs
e impresso em ofsete pela Geográfica, em [cidade],
sobre papel Alta Alvura [gramatura] g/m²,
em julho de 2021.

O bloco que a Knopf imprimiu em 1923 no livro de Huxley faz o contrário: dá a cidade da gráfica (Binghamton) e não dá a fonte, que na Knopf só entraria depois, com a nota sobre a letra. Na nossa leitura, os dois ajudam a entender por que a NBR pede todos os estabelecimentos: numa gráfica que fazia tudo, como a Vail-Ballou, uma linha bastava; com diagramação, impressão e capa em lugares diferentes, como no Chicago de 2017, cada um ganha a sua.

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O guia-mãeAs partes de um livro, da capa ao colofão — A ordem das partes de um livro é costume de oficina, não regra de lei.

Guias do mesmo assunto

Termos usados nesta página

Quem fala sobre isso 5pessoas

  • Alfred W. Pollard †bibliógrafo britânico (1859–1944)

    Publicou An Essay on Colophons, with Specimens and Translations (Caxton Club, 1905), coletânea comentada de colofões.

    Página ↗
  • João Varellajornalista e editor da Lote 42 (Wikipedia em português)

    Escreveu 'Colofão do livro EXEMPLO' (O sétimo dia, 2025), em defesa do colofão com fonte, papel, gráfica e processo.

    Página ↗
  • Sandra Abranoescritora e editora da Bandeirola (página 'Sobre a editora', conferida em 25/09/2026)

    Escreveu 'Falando do livro: o colofão' (blog da Editora Bandeirola, 2025), sobre o uso do colofão nos livros da editora.

    Página ↗
  • Paul Shawdesigner de letras; dá aula na Parsons School of Design (desde 2004) e na School of Visual Arts (desde 2006), segundo o currículo no site dele

    Publicou 'The Definitive Dwiggins no. 36—Knopf Colophons' (2016), levantamento dos colofões tipográficos da Knopf desenhados por W. A. Dwiggins.

    Página ↗
  • George A. Kirazestudioso do siríaco (Wikipedia em inglês)

    Organizou com Sabine Schmidtke Literary Snippets: Colophons Across Space and Time (Gorgias Press, 2023), volume de estudos sobre colofões de várias tradições.

    Na Wikipedia ↗

O que a rede diz 4 vozes

  • Capa do post de @fabiobrustTikTok

    Criador diz que o colofão, o texto da última página, é uma das partes mais curiosas do livro, com dados de como ele foi feito que interessam a quem gosta do mercado editorial.

    @fabiobrustTikTok ↗
  • Capa do post de Tatiany Leite do @Vá ler um Livro: COLOFÃO (ABC DO LIVRO)YouTube

    Booktuber explica que colofão é o nome das informações sobre autor, edição, lugar, data e ISBN que costumam ficar no fim do livro, e liga o nome aos escribas do antigo Oriente Médio.

    Tatiany Leite do @Vá ler um LivroYouTube ↗
  • Capa do post de @nordica_librosTikTok

    Editora espanhola conta que usa colofões há dezoito anos e que eles servem para mostrar ao leitor a tipografia, a entrelinha e o papel.

    @nordica_librosTikTok ↗
  • Capa do post de @angelsotsTikTok

    Criador de língua espanhola pede que as pessoas leiam o colofão dos livros, porque às vezes há surpresas.

    @angelsotsTikTok ↗

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Autoria: Verse MediaRevisado em 26 set. 2026Passos conferidos em 26 set. 2026Publicado em 26 set. 202621 fontes · 13 no integral

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Cite esta página
VERSE MEDIA. Exemplos de colofão para fechar o seu livro. Enciclopédia Verse, 24 set. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/producao-editorial/fisico/exemplos-de-colofao. Acesso em: [data].

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