Colofão
Colofão é a nota, geralmente no fim do livro, que registra quem o imprimiu, onde e quando — na definição da norma brasileira para livros, a "indicação, no final do livro ou folheto, do nome do impressor, local e data da impressão e, eventualmente, outras características tipográficas da obra". A norma recomenda imprimi-la na última folha do miolo e a trata como elemento opcional; algumas editoras levam esses dados para a página de créditos. A história de como e por que eles migraram do fim do livro para a folha de rosto, ao longo do século XVI, está em As partes de um livro, da capa ao colofão.
Nesta página
De onde vem a palavra
"Colofão" é dado como vindo do latim tardio colophon, que vem do grego κολοφών, "cume" ou "arremate" — o toque final de alguma coisa. Em inglês, o uso bibliográfico do termo para a nota final do livro é datado de 1729, quando o impressor inglês Samuel Palmer o teria empregado em The General History of Printing, segundo o ensaio de David C. Weber sobre a origem da palavra, aqui citado de segunda mão. Na edição de 1732/33, Palmer já usa "colophon" como termo corrente da história da imprensa: ao contar a impressão em Mainz, relata que a arte ficou em segredo até que Johann Fust "put his firft colophon" [pôs seu primeiro colofão] no Saltério de 1457, o mesmo que As partes de um livro aponta como o primeiro com nomes e data.
A palavra tem uma parente falsa. A colofônia — a resina usada em arco de instrumento de corda, solda e breu — soa igual, mas vem do latim Colophonia (resina), "resina de Cólofon", cidade grega antiga da Jônia. O nome da cidade e o κολοφών de "cume" têm a mesma forma em grego; se o sentido bibliográfico passa ou não pela cidade, as fontes abertas não dizem. De Cólofon era também o filósofo pré-socrático Xenófanes, do século VI a.C., sem relação com nenhum dos dois sentidos.
Colofão antes da imprensa
Fechar um texto com o nome de quem o fez é prática mais antiga que os tipos móveis. A coletânea organizada por James B. Pritchard, The Ancient Near East (1969), reúne, segundo a referência, colofões em tábuas do Antigo Oriente Próximo. Os colofões de escribas medievais se dividem em quatro tipos, segundo o medievalista Markus Schiegg (2016), aqui citado de segunda mão: informar o contexto, expressar um sentimento, pedir algo ao leitor ou fazer algo com ele. Fórmulas piedosas como "Finished, thank God" [Terminado, graças a Deus] convivem com maldições. Um colofão do mosteiro de São Galo, por exemplo, ameaça quem tirasse o livro dali com a peste, invocando Galo e Paulo.
Um colofão inglês do fim do século XV mostra a nota fazendo também o papel de necrológio de ofício. Em Vitas Patrum ("Vidas dos padres"), impresso em Westminster em 1495, o impressor Wynkyn de Worde, sucessor de William Caxton na oficina, registra no colofão que a tradução do francês é de Caxton, "late deed" [já falecido], e que ele a terminou no último dia da vida; Wynkyn assina só a impressão. O bibliógrafo Alfred W. Pollard lê nesse colofão o retrato de Caxton traduzindo até o fim da vida.
Os vizinhos que confundem
Colofão não é a marca gráfica do impressor ou da editora — o emblema, em inglês printer's device. Nos primeiros séculos da imprensa, esse emblema muitas vezes ocupava o lugar do colofão ou vinha junto dele — os dois, lidos juntos, sugerem uma origem comum como identificação de quem fez o livro, um pela imagem, outro pelo texto. O Chicago Manual of Style registra o uso americano de "colophon" para a marca gráfica da editora, e a distinção entre os dois sentidos, com exemplos, está em Exemplos de colofão.
Também não é a página de créditos, no verso da folha de rosto, embora algumas editoras ponham ali os dados do colofão.
Outros sentidos do termo
Algumas páginas da web também têm um colofão: uma nota com a informação técnica de como o site foi feito (HTML, CSS, padrões de acessibilidade, links para testes de validação), como as do Web Standards Project e da biblioteca da Wittenberg University. É o colofão de livro, que registra as características tipográficas da obra, transposto para a página web.
Em português
Em Portugal, o E-Dicionário de Termos Literários, organizado por Carlos Ceia, registra "colofão" e "cólofon" como sinônimos e, segundo o verbete, conta como colofão também as palavras "fim", "finis" e "Laus Deo" quando fecham um texto. No Brasil, a definição técnica que vale para o livro é a da norma citada no início desta página, a NBR 6029.
Para quem escreve
Quem está fechando o miolo do próprio livro encontra os campos, o modelo pronto para copiar e exemplos reais em Exemplos de colofão; onde o colofão entra na ordem do livro impresso e do livro digital está em As partes de um livro, da capa ao colofão.
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O guia completoAs partes de um livro, da capa ao colofão — A ordem das partes de um livro é costume de oficina, não regra de lei.Também nesta enciclopédia
Termos vizinhos
Lidas no texto integral
- ABNT, NBR 6029:2023 — Informação e documentação — Livros e folhetos — Apresentação, 3ª ed., 3.8, p. 2.
- Samuel Palmer, The General History of Printing, from Its first Invention in the City of Mentz... (Londres, 1732/33), archive.org/details/bib_fict_1918752.
- Alfred W. Pollard, An Essay on Colophons: with Specimens and Translations (The Caxton Club, 1905), archive.org/details/essayoncolophons00pollrich.
- Dictionary.com, verbete "colophony" (nota etimológica).
- Stanford Encyclopedia of Philosophy, verbete "Xenophanes" (lido em resumo).
- Oxford English Dictionary (NED), vol. II, C–Czech (Clarendon Press, 1888–1893), s.v. "colophon" (pela referência, não acessado diretamente).
- David C. Weber, "Colophon: An Essay on its Derivation", The Book Collector (outono 1997), p. 379–391 (pela referência, não acessado diretamente).
- James B. Pritchard (ed.), The Ancient Near East: Supplementary Texts and Pictures Relating to the Old Testament, 2ª ed. (Princeton University Press, 1969) (pela referência, não acessado diretamente).
- Markus Schiegg, "Scribes' Voices: The Relevance and Types of Early Medieval Colophons", Studia Neophilologica 88(2), 2016, p. 129–147 (pela referência, não acessado diretamente).
- Stuart Murray, The Library: An Illustrated History (Skyhorse Publishing, 2009), p. 58 (pela referência, não acessado diretamente).
- Web Standards Project, "Colophon"; Wittenberg University, "Colophon" (biblioteca) (pela referência, não acessado diretamente).
- Carlos Ceia (org.), E-Dicionário de Termos Literários, verbete "colofão ou cólofon" (pela referência, não acessado diretamente).
- The Chicago Manual of Style, 13ª ed. (University of Chicago Press, 1982) (desenvolvido em Exemplos de colofão).
VERSE MEDIA. Colofão. Enciclopédia Verse, 24 set. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/producao-editorial/fisico/colofao. Acesso em: [data].
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