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Página de créditos

Página de créditos é a página do livro, em geral o verso da folha de rosto, que reúne o aviso de direito autoral, a regra de reprodução, os nomes de quem trabalhou na edição e os dados que identificam a publicação. Um desses dados é a ficha catalográfica, que traz dentro o ISBN. O nome usa o sentido de "crédito" que o dicionário Aulete registra como a indicação dos colaboradores de um livro ou de um filme; os créditos que sobem no fim de um filme, de um jogo ou de um site usam a mesma palavra e são outro assunto, e nada aqui tem a ver com crédito no sentido financeiro. A folha de rosto não fica no verso da capa: é a página interna com autor, título e editora, e a página de créditos é o verso dela. No livro impresso, a NBR 6029, da ABNT, fala só em verso da folha de rosto; em inglês, é a copyright page, e quem busca em português também a chama de página de copyright ou de direitos autorais. A norma exige nela o ©, a regra de reprodução, o título original das traduções e a ficha, e deixa como opcionais os créditos que dão nome à página; no Brasil, o livro é protegido com ou sem o ©.

Nesta página
  1. O que vai na página de créditos
  2. De onde vem o © e o que o copyright vale no livro brasileiro
  3. Os vizinhos que se confundem
  4. Verso da folha de rosto no TCC
  5. Para quem escreve

O que vai na página de créditos

Na redação da norma, os créditos que dão nome à página são facultativos. A NBR 6029 diz que o verso da folha de rosto "deve conter" quatro itens: o aviso de direito autoral, a informação sobre a reprodução, o título original quando o livro é tradução e os dados de catalogação na publicação. Para outros três usa "podem": outros suportes, créditos da equipe e dados da editora. O manual editorial do Ipea, que chama a página de ficha técnica (o Priberam dá o termo como sinônimo de créditos), lista copirraite, equipe técnica, ficha catalográfica, responsabilidade autoral e direitos de reprodução.

É obrigatória? A NBR é norma técnica, não lei. A lei brasileira cobra do livro o ISBN e a ficha de catalogação e, em cada exemplar, as menções de título, autor, título original e tradutor, ano e editor, sem dizer em que página; o lugar e o resto vêm da norma. O que isso pede do livro inteiro está em as partes de um livro.

A página de Sátántangó, romance do húngaro László Krasznahorkai lançado pela Companhia das Letras em 2022 na tradução de Paulo Schiller, mostra a ordem de uma editora comercial: o ©, uma nota sobre a grafia, o título original, capa, imagem de capa, preparação, revisão, o ano entre colchetes, a reserva de direitos com o endereço e as redes da editora e, por último, a ficha catalográfica.

O aviso de direito autoral. A linha junta o símbolo ©, um ano e o nome do titular, e as referências não concordam sobre o ano. A NBR pede o ano em que se formalizou o contrato de direito autoral; o manual do Ipea, o ano da edição; o Copyright Office americano, o ano da primeira publicação, que serve para calcular o prazo de proteção da obra anônima, pseudônima ou feita por encomenda. Sátántangó põe no © o ano de 1985, anterior ao da edição brasileira; o de 2022 aparece sozinho, entre colchetes, antes da reserva de direitos. Quando a edição é revista, os anos se acumulam: o ABC for Book Collectors, dicionário de bibliofilia de John Carter e Nicolas Barker, traz um © de Carter com cinco anos, de 1952 a 1972, e outro de Barker para o material novo, com 1980, 1995 e 2004.

A reprodução. A NBR dá exemplos que vão de "qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada a fonte" à proibição de reproduzir sem autorização, e admite o símbolo do Creative Commons. Em Sátántangó, a reserva fica em nome da editora e vale só "desta edição", separada do © do autor. Num e-book da Editora da UFSC, Cidades rebeldes (2021), a licença Creative Commons vem explicada em prosa. Pode-se compartilhar o livro com os créditos de autoria, mas não alterá-lo nem usá-lo para fins comerciais.

O título original e a equipe. O título original é obrigatório na tradução, e em Sátántangó o nome do tradutor está dentro da ficha. Os créditos, pela definição da norma, indicam os nomes e a natureza da participação de cada um. A lista prevista vai do projeto gráfico, da normalização, do copidesque e da revisão à diagramação, à capa e às ilustrações, e inclui o órgão de fomento. A página de Sátántangó dá à imagem de capa uma linha inteira, com o autor da xilogravura, a técnica, as medidas e quem fotografou a reprodução.

A ficha catalográfica e o ISBN. A ficha deve seguir o código de catalogação vigente e levar embaixo o nome do bibliotecário e o registro dele no Conselho Regional de Biblioteconomia (CRB); o ISBN mora dentro dela, porque a norma define os dados de catalogação como o registro que inclui o número. Em Sátántangó, a ficha vem da Câmara Brasileira do Livro, com número de controle, classificação e a bibliotecária com registro no CRB-8, de São Paulo; no livro da UFSC, a catalogação é da Biblioteca Universitária da própria universidade, com bibliotecário do CRB-14. Como se pede a ficha está em ficha catalográfica, CIP e depósito legal, e o número em como tirar ISBN no Brasil.

Os dados da editora. Endereço, site e redes podem ir aqui, como em Sátántangó, ou numa página vizinha. A Editora da UFSC põe o endereço, a reitoria e o conselho editorial no verso da falsa folha de rosto e deixa a página de créditos para o ©, a equipe, a licença e a ficha, arranjo que o manual do Ipea também prescreve.

Edição e reimpressão. A página diz de que edição é o exemplar. Pela NBR, o ano de publicação é o da edição, não o da reimpressão. Reimpressão é uma nova impressão sem mudança de conteúdo ou de forma, salvo correção de erro, e não constitui nova edição. Carter e Barker registram a mesma distinção no mercado de livro antigo e a convenção de que "primeira edição", sem outra qualificação, quer dizer a primeira impressão da primeira edição.

No livro digital. Para o livro digital, a NBR fala em "tela de dados e créditos ou folha de rosto", remete às regras da folha de rosto e pede um ISBN próprio para a versão digital. O e-book da UFSC traz dois ©, um para o e-book de 2021 e outro para o impresso de 2019, e a ficha cataloga o arquivo como recurso eletrônico, com ISBN e DOI próprios.

Itens que a norma não prevê. A nota de Sátántangó sobre a grafia, atualizada segundo o Acordo Ortográfico de 1990, é um deles. Outro é o aviso de que personagens e fatos são inventados. Na nossa leitura, ele é parente de um letreiro que o cinema adotou depois de um processo. Segundo Duncan Fyfe, em artigo na revista Slate, a princesa Irina Yusupova processou a MGM na Inglaterra por Rasputin and the Empress (1932), filme que permitia identificá-la, e ganhou cerca de 25 mil libras; um dos juízes sugeriu que um aviso dizendo o contrário teria ajudado o estúdio, e a indústria passou a pô-lo em quase todo filme.

Os vizinhos que se confundem

A folha de rosto é a frente da mesma folha: autor, título, colaboradores, edição, editora, cidade e ano, com a editora embaixo. O colofão diz quem imprimiu o livro, onde e quando, e a norma recomenda imprimi-lo na última folha do miolo; algumas editoras levam esses dados para a página de créditos, como mostram os exemplos de colofão. A ficha catalográfica é um item da página, não a página inteira.

Verso da folha de rosto no TCC

No TCC, na dissertação e na tese, o verso da folha de rosto é o lugar da ficha catalográfica, não de uma página de créditos. Segundo um resumo da NBR 14724, norma da ABNT para trabalhos acadêmicos (slides do IESSA sobre a edição de 2011), o verso traz a ficha, conforme o Código de Catalogação Anglo-Americano. A biblioteca do campus Lagoa do Sino da UFSCar diz que a edição de 2024 trata a ficha como elemento obrigatório e manda não contar nem numerar esse verso. Lá quem preenche a ficha é o próprio autor, num formulário da biblioteca.

Para quem escreve

No livro autopublicado, quem faz o papel de editora é o autor, e a página de créditos é o lugar de dizer, numa folha, quem responde pelo livro e quem o fez. Um modelo mínimo, com os itens que a NBR exige e alguns créditos de equipe, fica assim:

© [ano] [Nome do autor]
Título original: [só se for tradução]
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio
sem a prévia autorização do autor.
Capa: [nome] · Revisão: [nome] · Diagramação: [nome]
[Ficha catalográfica com o ISBN, feita por bibliotecário, com nome e registro no CRB]
[Nome do autor ou do selo] · [cidade] · [site ou e-mail]

Onde ela fica entre as outras páginas do começo está em as partes de um livro, no sistema o livro físico.

Continue por aqui

O guia completoAs partes de um livro, da capa ao colofão — A ordem das partes de um livro é costume de oficina, não regra de lei.

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Termos vizinhos

Em breve

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Autoria: Verse MediaRevisado em 26 set. 2026Passos conferidos em 26 set. 2026Publicado em 26 set. 202618 fontes · 18 no integral

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Cite esta página
VERSE MEDIA. Página de créditos. Enciclopédia Verse, 24 set. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/producao-editorial/fisico/pagina-de-creditos. Acesso em: [data].

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