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Sumário

Sumário é a lista das divisões de um livro ou documento (partes, capítulos, seções) na mesma ordem e com a mesma grafia em que aparecem no texto, segundo a NBR 6027, a norma da ABNT para ele; ao lado de cada divisão vai a página. A mesma palavra nomeia também um resumo, como o sumário executivo, e, como adjetivo, o que é breve e sem formalidade, como o rito sumário do direito; o "sumário de urina" dos laboratórios é o exame de urina tipo 1. Pela norma, o que separa o sumário do índice, com que ele é confundido, é a ordem: o sumário segue a das páginas; o índice, um critério próprio.

Nesta página
  1. Para que serve: a carta de Plínio
  2. Qual a diferença entre sumário e índice?
  3. O que entra no sumário e o que fica de fora
  4. Sumário ABNT em TCC e trabalho acadêmico
  5. Sumário no livro digital
  6. Na ficção: o sumário como promessa
  7. Sumário executivo, rito sumário e sumário de urina
  8. Para quem escreve

Para que serve: a carta de Plínio

O sumário resolve dois problemas de quem pega um livro: saber o que há nele antes de ler e achar uma parte sem ler o resto. Os dois já estão na carta com que o naturalista romano Plínio, o Velho, dedica a História natural a Tito Vespasiano César. Ele diz ter anexado à carta o conteúdo de cada livro para que Tito não precisasse lê-los inteiros, e que isso serviria também aos outros leitores, que poderiam procurar só o que quisessem e saber onde achar; e dá o crédito do procedimento a um autor latino anterior, Valério Sorano, que já o tinha feito numa obra intitulada Epoptides. Na tradução inglesa de John Bostock e H. T. Riley (1855), o livro 1 da História natural é essa carta seguida da lista do que trata cada livro seguinte.

A história que liga essa lista ao sumário do livro impresso ainda está por contar aqui. Segundo a descrição da editora de The Chapter (Princeton, 2023), o livro de Nicholas Dames sobre a história do capítulo, foi nas compilações do mundo romano que o capítulo se desenvolveu como ferramenta para organizar informação; a aproximação com a carta de Plínio, ela mesma a abertura de uma compilação, é leitura nossa.

Qual a diferença entre sumário e índice?

Logo no escopo, a NBR 6027 traz uma nota que diz só isto: sumário difere de índice. Na definição da própria norma, o índice é uma lista de palavras ou frases ordenadas segundo determinado critério, que localiza e remete às informações do texto; o sumário segue a ordem em que a matéria se sucede. O índice tem norma própria, a NBR 6034, que o monta por entradas, cada uma com um cabeçalho e a indicação de onde o assunto está no texto, e o Michaelis descreve o índice de livro como lista dos nomes ou assuntos em ordem alfabética, no começo ou no fim da obra. Na prática, o sumário mostra a estrutura; o índice remissivo ignora essa ordem e reúne cada assunto com as páginas onde ele aparece.

Os dicionários guardam a mistura que a norma desfaz. O Aulete registra "índice" como sinônimo de sumário no sentido de lista das seções de uma publicação com as páginas; o Michaelis remete "índice de matéria" a sumário; e o Priberam, de base portuguesa, define índice como a lista, sequencial ou alfabética, que traz no começo ou no fim da obra tanto os capítulos quanto os termos, com as páginas. Nas primeiras edições de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) e Dom Casmurro (1899), a lista de capítulos se chama "Índice" (e ficava no fim, como mostra as partes de um livro). Em espanhol, índice nomeia a lista ordenada de capítulos, matérias ou palavras de uma publicação com o lugar onde aparecem, segundo o dicionário da Real Academia Espanhola: cobre o sumário e o índice remissivo, e quem traduz decide pelo que a lista contém. Em inglês, o sumário é contents ou table of contents, e o título inglês da própria NBR 6027 é Contents list; summary é outra coisa, o resumo com só os pontos principais.

O que entra no sumário e o que fica de fora

O sumário existe para achar a parte, e é isso que decide o que entra nele. Entram as divisões do texto e os elementos pós-textuais, como referências, apêndices e anexos, que o exemplo da própria NBR 6027 lista; ficam de fora os pré-textuais, porque vêm antes dele: dedicatória, epígrafe e agradecimentos nunca aparecem no sumário. Pela norma, ele é o último pré-textual do livro e começa no anverso de uma folha; os guias da Amazon e da Smashwords o sobem para antes de outras páginas iniciais, e a comparação das ordens está em as partes de um livro.

Cada título repete a grafia do texto, e a norma recomenda que a subordinação entre partes, capítulos e seções repita a tipografia usada nelas; os números das seções, quando existem, ficam à esquerda. A página vai à margem direita, de um de três jeitos: a primeira página da parte (9), o intervalo (9-43) ou as páginas por onde o texto se espalha (15, 18, 20-28). Em coletâneas, o nome do autor vem depois do título; numa obra em vários volumes, cada volume traz o sumário da obra inteira, para que se saiba o conteúdo qualquer que seja o volume consultado. A palavra "Sumário" vai centralizada, no mesmo tipo de letra dos títulos das seções primárias. A norma não fala do pontilhado que liga o título ao número da página; na falta de regra, ele fica com o projeto gráfico.

Na nossa leitura, a regra das revistas mostra o mesmo critério: nelas, o sumário fica na mesma posição em todos os números e pode ir até na primeira capa, continuando na quarta.

Sumário ABNT em TCC e trabalho acadêmico

O sumário do trabalho acadêmico segue a mesma NBR 6027. Na estrutura da NBR 14724, a norma dos trabalhos acadêmicos, ele é, segundo o guia da biblioteca da UFRGS sobre ela, o último pré-textual e obrigatório, depois das listas opcionais de ilustrações, tabelas, abreviaturas e siglas, e símbolos, e antes da introdução, que abre o texto. Daí saem as respostas que a busca repete: resumo, listas e agradecimentos não entram no sumário, porque são pré-textuais; a introdução vem depois dele; e o título de capítulo vai em negrito no sumário se estiver em negrito no texto, porque a norma recomenda repetir a tipografia das seções. O sumário também não é o resumo: o resumo é outro elemento pré-textual obrigatório do trabalho, feito por outra norma, a NBR 6028. No livro, as folhas até o sumário são contadas e não numeradas, pela NBR 6029, como mostra o guia de as partes de um livro. No Word, o sumário automático sai dos estilos de título (Título 1, Título 2): título sem estilo não aparece nele, segundo a ajuda da Microsoft.

Sumário no livro digital

No ebook, o sumário virou exigência técnica. A norma do EPUB 3.3, do W3C, manda que o documento de navegação traga exatamente um sumário de navegação (o toc nav), o único recurso obrigatório desse documento; ele é diferente da página de sumário que o livro pode mostrar no começo. A NBR 6027 aponta na mesma direção e recomenda, em documento eletrônico, um link em cada item do sumário. Os dois sumários que a Amazon pede no Kindle, e por que o do começo não pode ir para o fim, estão em as partes de um livro; a montagem do arquivo, em como fazer um ebook.

Na ficção: o sumário como promessa

Num romance com títulos de capítulo, o sumário é o primeiro lugar em que o leitor lê o livro inteiro de uma vez, e o autor pode usá-lo para prometer. Henry Fielding, romancista inglês, defende o título-resumo no capítulo que abre o livro II de Joseph Andrews (1742), "Of Divisions in Authors": os espaços entre os capítulos são uma estalagem em que o leitor para e descansa, e os resumos no topo de cada capítulo são como as inscrições nas portas das estalagens, que dizem que entretenimento esperar; se não gostar, o leitor segue para a próxima. Fielding diz ter sido fiel a essas inscrições, ao contrário de Montaigne, que promete uma coisa e entrega outra. Ele fala do título no topo do capítulo, não do sumário; reunidos no sumário, na nossa leitura, esses títulos viram a promessa do livro inteiro. No sumário da edição digitalizada pelo Project Gutenberg, eles aparecem por extenso, como o do capítulo que conta aventuras de Joseph na estrada "scarce credible to those who have never travelled in a stage-coach".

Esses resumos de abertura são outro sentido da palavra: o Michaelis registra sumário também como a indicação, em poucas linhas, no começo de um capítulo, do assunto que ele trata. Reunidos numa lista, fazem um sumário analítico; fora da ficção, o de Os sertões (1902) é o exemplo brasileiro, em as partes de um livro.

Sumário executivo, rito sumário e sumário de urina

"Sumário" vem do latim summarium, segundo o Michaelis, o Aulete e o Priberam. Como substantivo, é também o resumo dos pontos principais de uma matéria, e o Aulete registra, no uso editorial, a seção do livro que expõe as ideias dele em síntese. O sumário executivo é esse resumo num plano de negócio: o manual do SEBRAE o define como o resumo do plano, não uma introdução, e manda escrevê-lo por último, embora ele seja a primeira parte.

Como adjetivo, sumário é o que se faz resumidamente ou sem formalidades, como um julgamento sumário; no direito, qualifica a ação ou o processo em que se dispensam algumas formalidades. No processo civil, o procedimento sumário deixou de ser um rito próprio com o Código de 2015: quando uma lei remete a ele, vale o procedimento comum, com as mudanças da lei especial. E, no laboratório, "sumário de urina" é um dos nomes do exame de urina tipo 1, também chamado EAS ou EQU.

Para quem escreve

O sumário de um romance mostra os títulos de capítulo juntos, antes da primeira página; título que resume promete, e título que revela a virada entrega a surpresa a quem só folheou. Onde ele fica, e quando o romance impresso pode dispensá-lo, está no guia de as partes de um livro.

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O guia completoAs partes de um livro, da capa ao colofão — A ordem das partes de um livro é costume de oficina, não regra de lei.

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Autoria: Verse MediaRevisado em 26 set. 2026Passos conferidos em 26 set. 2026Publicado em 26 set. 202613 fontes · 10 no integral

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VERSE MEDIA. Sumário. Enciclopédia Verse, 24 set. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/producao-editorial/fisico/sumario. Acesso em: [data].

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