Como escrever terror: do gótico ao slasher
Para escrever terror, escolha que medo o livro vai causar (o pavor do que se anuncia, o horror do que aparece ou a repulsa do corpo), monte um mundo comum crível antes de a ameaça entrar, adie e dose o que mostra e escolha o subgênero pela fonte do medo. Na nossa leitura, o terror que não assusta raramente falha no monstro: falha no mundo comum, que não convenceu, ou na dose, que entregou de uma vez o que devia ser adiado.
Você escreveu o capítulo em que a coisa finalmente aparece, releu e achou que estava assustador. O leitor de teste devolveu dizendo que deu nojo, ou que não deu nada. Agora você olha a cena sem saber se o problema é o monstro, o ritmo ou tudo o que veio antes dele.
A decisão de que medo o livro vende (pavor, horror ou repulsa) e de qual subgênero o entrega, o mundo comum montado antes da ameaça, a ameaça construída e dosada (o que sugerir, o que mostrar, quando), e a tabela para conferir que o subgênero escolhido cumpre o que promete.
Escreveu o capítulo do monstro, da casa ou do assassino e o leitor de teste disse que não deu medo; ou deu nojo e não medo; ou a história virou uma fila de sustos, sangue e clichês que ele já viu no cinema.
Nesta página
- O que é terror para quem escreve?
- Por que o leitor quer sentir medo?
- Como criar medo numa história de terror?
- Quanto sangue e gore pôr num livro de terror?
- Como escrever um livro de terror: por que o mundo comum vem antes do monstro?
- Como criar um monstro para um livro de terror?
- Quais são os subgêneros do terror e qual escrever?
- Como escrever terror no Brasil: o que a tradição mostra?
- Perguntas frequentes
- O que fazer com isso
Preço vem com a data na frase. O que estiver sublinhado em mostarda é análise nossa; o resto tem fonte no fim da página. Termo com ponto abre a definição ao passar o mouse.
O que é terror para quem escreve?
O terror se define pela emoção que causa no leitor, e cada autor que o definiu põe a fronteira do gênero num lugar diferente; antes de escrever, vale saber de que lado dela o livro está.
A primeira fronteira passa pelo desconhecido: o contista H. P. Lovecraft abre o ensaio Supernatural Horror in Literature (1927) dizendo que a emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e que o medo mais antigo e mais forte é o do desconhecido; a frase serve para defender a dignidade do conto de horror como forma literária. No mesmo texto, ele separa o conto verdadeiro, em que há uma atmosfera de pavor inexplicável diante de forças exteriores e desconhecidas, da literatura do medo apenas físico, e deixa de fora o horror que no fim se explica; os adereços dessa receita e o mal explicado, como clichês, estão em clichês de terror.
A segunda fronteira passa pelo monstro, e é ali que o filósofo Noël Carroll a põe em The Philosophy of Horror (1990). A ficção de horror quer provocar o que ele chama de art-horror, e para isso a criatura precisa parecer à personagem ameaçadora e, além disso, impura, uma coisa que contradiz as categorias da cultura.
A Horror Writers Association (HWA), associação de escritores do gênero, põe a fronteira no leitor. Num texto de 2021, define horror como a ficção que provoca medo intenso ou pavor, com ou sem sobrenatural, e cita o antologista Douglas E. Winter: "Horror is an emotion" (horror é uma emoção).
As três definições servem a livros diferentes. Um romance de assassino humano, sem nada que a ciência desconheça, cabe na definição da HWA e fica fora da de Carroll; um conto em que o fantasma se revela truque fica fora da de Lovecraft (leitura nossa). Para quem escreve, a pergunta útil é o que o livro promete.
Para medir a cena, serve a régua do romancista Stephen King. Em Danse Macabre (1981), livro de não ficção sobre o gênero, ele descreve três níveis: o terror no alto, o horror abaixo e, no fundo, o reflexo de náusea da repulsa. Na nossa leitura, a escada vira diagnóstico: diz onde a cena mirou e onde caiu, como mostra o diagnóstico de três andares mais abaixo.
A frase "terror é o que não se vê, horror é o que se vê" não está no ensaio da romancista gótica Ann Radcliffe a que costuma ser atribuída; de onde vem a ideia de que terror e horror são coisas diferentes está na diferença entre terror e horror.
Por que o leitor quer sentir medo?
O medo de ficção dá prazer numa dose: medo de menos entedia, medo demais deixa de divertir, e num livro quem controla a dose é quem escreve.
Uma medida direta vem de um estudo de campo do Recreational Fear Lab, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, publicado em 2020 na Psychological Science: 110 visitantes de uma casa assombrada, de 12 a 57 anos, com monitor cardíaco. O prazer subiu com o medo até um ponto e caiu depois dele, numa curva em U invertido, e o melhor ficou num ponto de excitação na medida certa ("just right", nos termos do estudo). O estudo mede uma experiência física, não a leitura; levá-lo para o livro é leitura nossa.
O gosto tem explicação adaptativa em Why Horror Seduces (Oxford University Press, 2017), do pesquisador Mathias Clasen, do mesmo grupo. Para ele, o horror explora uma tendência humana, e adaptativa, de sentir prazer no faz de conta que deixa viver emoções negativas intensas em contexto seguro: o medo de ficção funciona como simulação de ameaça, do jeito que o esconde-esconde simula predador e presa.
O pesquisador Coltan Scrivner, também do grupo, mediu outra peça, a curiosidade mórbida, que ele define como a motivação para buscar informação sobre fenômenos perigosos, numa escala de 24 itens. Num estudo com 256 pessoas nos Estados Unidos, replicado numa casa assombrada dinamarquesa, o grupo separou três tipos de fã de horror: os que buscam a adrenalina, os que aguentam o medo para crescer e os que usam o medo para lidar com a ansiedade.
Carroll dá outra resposta, que interessa a quem monta enredo: o prazer vem da curiosidade, da narrativa que descobre, prova e confirma o monstro impossível, e a repulsa é o preço que o leitor paga por ela. Lidas juntas, as duas explicações pedem coisas diferentes do texto: a curiosidade pede descoberta em etapas; a simulação pede um perigo em que o leitor consiga se pôr (leitura nossa).
O contista inglês M. R. James, autor de histórias de fantasmas, escreveu em 1929 que o verdadeiro objetivo do conto de fantasma é provocar no leitor um "pleasing terror" (terror agradável). Na nossa leitura, o agradável depende da dose, e na página a dose se monta em escada, como a das batidas na porta de "The Monkey's Paw", que a seção seguinte lê de perto.
Como criar medo numa história de terror?
Na prosa, o medo vem da espera e da sugestão: o pavor nasce do que se anuncia e demora, e o susto funciona melhor como descarga de um pavor que o texto já montou.
A técnica tem formulação antiga. No ensaio "On the Supernatural in Poetry", publicado em 1826, depois da morte de Ann Radcliffe, a romancista gótica põe na voz de um personagem a defesa da obscuridade, que deixa algo para a imaginação exagerar, contra a confusão, que mistura as imagens e não deixa nada à mente. O exemplo é de Shakespeare: o fantasma de Banquo choca por contraste, num efeito súbito e passageiro, e o de Hamlet desperta um terror sombrio que fica muito tempo na mente.
Lovecraft formula uma regra parecida em "Notes on Writing Weird Fiction" (a aproximação com Radcliffe é nossa): atmosfera, e não ação, é o que a ficção estranha mais deseja; a ênfase vai para a sugestão sutil, para indícios imperceptíveis e detalhes escolhidos, e não para catálogos secos de acontecimentos incríveis.
Na nossa leitura, o fim de "The Monkey's Paw" (1902), conto do inglês W. W. Jacobs, mostra essa técnica num caso em que a ameaça nunca aparece. O primeiro desejo feito à pata de macaco pede duzentas libras; o filho do casal morre preso nas máquinas da fábrica, e a firma paga duzentas libras de compensação. Dez dias depois da morte, a mãe exige o segundo desejo, e o pai, antes de fazê-lo, lembra que só reconheceu o filho pelas roupas. O texto não descreve o morto: planta a imagem e deixa o leitor carregá-la.
Depois do desejo, nada acontece, e na nossa leitura é a demora que assusta. A vela se apaga, o pai sente alívio pela falha do talismã, e o casal fica no escuro ouvindo o relógio; uma escada range, um rato corre na parede. Então vem uma batida tão baixa e furtiva que mal se ouve, depois outra, depois uma terceira pela casa, depois uma alta, e por fim uma fuzilaria. O leitor mede a aproximação pelo volume.
O clímax é uma corrida entre dois gestos que o leitor só ouve do andar de cima: a mãe destranca a porta (a corrente, o ferrolho de baixo, a cadeira arrastada para alcançar o de cima) enquanto o pai tateia o chão atrás da pata. O texto chama o que está do lado de fora apenas de "the thing outside" (a coisa lá fora). O pai faz o terceiro desejo, as batidas param, a porta se abre para um vento frio e a última imagem é uma estrada vazia sob o lampião.
O susto tem lugar nesse esquema, como descarga. No cinema, o jump scare assusta pela surpresa, em geral com som alto, e pode ser a descarga repentina de um longo suspense; o "Lewton bus", nome que vem do produtor Val Lewton, é o ônibus que entra freando em Cat People (1942) no lugar do monstro esperado. Na prosa não há som nem corte; na nossa leitura, o equivalente é a frase curta de revelação depois de uma cadência longa.
Dois textos da revista americana Writer's Digest dizem coisa parecida (aproximação nossa). O escritor Clay McLeod Chapman chama o pavor de medo enraizado do que está por vir, que mora na consciência da personagem, e o horror rápido e fácil, de mero jump scare. Jessica Page Morrell, autora de Bullies, Bastards & Bitches, num trecho do livro publicado pela mesma revista, manda pôr o elemento assustador cedo, como o arranhar nas paredes do começo de O exorcista, e adiar o confronto, mas com prazo: em geral, até o fim do primeiro ato, o leitor precisa estar envolvido com a realidade física da ameaça.
A dúvida também é motor. O romancista Paul Tremblay contou que manteve vivas, até o fim de A Head Full of Ghosts (2015), as duas explicações para o que acontece na casa, possessão ou doença, de modo que qualquer uma pudesse desabar a qualquer momento. O escritor e pesquisador Oscar Nestarez lê na romancista americana Shirley Jackson um método parecido: ela distrai, chama atenção para um detalhe que parece irrelevante e golpeia uma ou duas linhas depois.
Lovecraft pede que, diante do prodígio, as personagens mostrem a mesma emoção avassaladora que gente parecida mostraria na vida real, e resume: "Never have a wonder taken for granted" (nunca trate um prodígio como coisa natural). Lido com o pavor de Chapman, que mora na consciência da personagem, é por essa reação que o medo chega ao leitor (leitura nossa).
O adiamento, por sua vez, tem prazo: adiar sem que nada aconteça vira tédio, e o tédio é a ponta esquerda da curva da seção anterior (leitura nossa). O prenúncio e o ritmo narrativo são os termos dessa mecânica, e a regra geral do suspense, a do leitor que sabe mais que a personagem, está no guia sobre tensão narrativa.
Quanto sangue e gore pôr num livro de terror?
Mostrar ou esconder é dosagem, não regra: a decisão sai da promessa do subgênero e do mercado a que o texto vai.
O polo da sugestão tem defensores com obra. M. R. James escreveu em 1929 que a reticência pode ser doutrina antiga, mas é sã do ponto de vista da arte: "Reticence conduces to effect, blatancy ruins it" (a reticência produz efeito, o escancarar arruína). O mesmo ensaio, porém, recusa o conto brando: pede malevolência, rostos maus, formas que perseguem no escuro e "a modicum of blood, shed with deliberation and carefully husbanded" (um pouco de sangue, derramado com deliberação e economizado com cuidado). Reticência, para ele, é economia, não ausência.
O polo oposto também tem dono. King disse à Paris Review, em 2006, que queria que Cujo parecesse um tijolo atirado pela janela do leitor, e que o tipo de livro que ele faz deve ser uma agressão pessoal, algo que perturbe, e não só porque dá nojo. O crítico Philip Brophy, num ensaio de 1983 sobre o cinema de horror contemporâneo (Alien, de 1979, e The Thing, de 1982), descreveu um gênero que mostra em vez de sugerir e que transmite o medo pela tortura de um corpo sem controle. A ponte do cinema para a prosa é leitura nossa.
Na prosa, o extremo ganhou nome em 1986, splatterpunk, e uma linhagem, a do horror sem limites do escritor britânico Clive Barker e dos Books of Blood (1984–85), segundo o romancista Robert McCammon; quem criou o termo e a polêmica que ele causou estão no verbete.
As diretrizes de envio das revistas de conto dizem onde cada uma põe o teto. A revista Apex põe entre o que não quer o gore ou a crueldade gratuitos, só pelo choque; a The Dark avisa que, apesar do nome, não é mercado para horror gráfico e violento. O podcast Tales to Terrify aceita sangue e vísceras desde que haja algo mais fundo; a Dread Machine pede que o texto evite clichês. No outro polo, o PseudoPod diz não observar tabu nenhum sobre o conteúdo das histórias. Todas as diretrizes foram consultadas em 16/10/2026.
James pede sangue economizado com cuidado, e o Tales to Terrify, algo mais fundo que o sangue; na nossa leitura, o sangue que funciona é o que custa a uma personagem que o leitor já conhece, e o que não funciona é o que cai sobre figurantes. O teto, o subgênero e a revista dizem; a medida de cada cena, quem diz é o andar do medo que ela mira.
Como escrever um livro de terror: por que o mundo comum vem antes do monstro?
O impossível assusta quando entra num mundo que o leitor reconhece; o capítulo que constrói o comum é o que deixa o monstro entrar, e dois autores do gênero chegam a essa regra por caminhos diferentes (leitura nossa).
King diz que o que ele faz é como uma rachadura no espelho: os livros dele, desde Carrie, observam a vida comum da classe média americana do momento, e fantasmas, vampiros ou criminosos nazistas na vizinhança são a mesma coisa, a intrusão do extraordinário na vida comum e o modo como se lida com ela. Temos medo, diz ele, do caos, do estranho, da mudança; em "The Mist", a mulher presa no supermercado quer de volta a caixa de cogumelos que o gerente tirou dela. Em King, o comum parece ser o próprio assunto.
Lovecraft chega ao mesmo conselho por outro lado. Para ele, o acontecimento inconcebível só vence a desvantagem com realismo cuidadoso em todas as partes da história, menos na que toca o único prodígio, e personagens e acontecimentos devem ser coerentes e naturais em tudo o mais. Em Lovecraft, parece ser o andaime do prodígio.
Drácula (1897), do irlandês Bram Stoker, abre como o diário de viagem de um advogado, Jonathan Harker, com o horário do trem e o atraso de uma hora anotados. Harker come frango com páprica, acha bom mas dá sede, e anota que precisa pegar a receita para a noiva, Mina; atribui o sono ruim e os sonhos estranhos ao cão que uivou a noite toda, ou à páprica. Ele pesquisou antes no British Museum e registra que nenhum mapa dá a localização exata do castelo.
Os sinais chegam pelos outros, nunca pelo monstro. O estalajadeiro e a mulher se benzem quando Harker pergunta pelo conde, e depois a mulher dele, a velha que o recebera, implora de joelhos que ele não vá e lhe põe um crucifixo no pescoço; Harker acha tudo ridículo, mas registra que não está tranquilo. Na nossa leitura, o capítulo funciona porque cada detalhe comum é verificável e cada um vira perda depois: o mapa que acaba, o crucifixo que fica, o sonho que não era da páprica.
O mesmo vale para o fantasma. M. R. James observou que nas histórias de fantasma modernas o cenário e as personagens são do tempo de quem escreve, e que quem vê o fantasma precisa falar mais ou menos como o leitor; no século XV, escreveu ele, qualquer coisa podia acontecer. E vale para a casa: Nestarez lê em Shirley Jackson a ordem de primeiro convencer da verdade das personagens, mulheres de vida simples sob forte pressão, e só então cercá-las de irreal, numa casa de medidas levemente erradas.
O comum brasileiro também serve. No conto "Demônios", do romancista Aluísio Azevedo, autor de O cortiço, o primeiro sinal do fim do mundo é um objeto doméstico, o relógio de bolso parado, sem corda; como a abertura deixa a explicação razoável cair está em como começar um conto de terror. Depois, a casa conhecida vira necrotério cômodo por cômodo, com o cão morto na porta da sala de jantar e o criado estendido junto à mesa. O escritor André Vianco disse em 2018 que a brasilidade do terror dele está na ligação forte com o cotidiano.
Há também a abertura que troca o comum pela atmosfera: a primeira frase de "The Fall of the House of Usher" (1839), do americano Edgar Allan Poe, gasta um dia de outono inteiro, opaco, escuro e sem som, antes de o narrador avistar a casa. O efeito único que Poe decidia antes de escrever está no guia sobre como escrever um conto; o que o mundo comum faz pela crença do leitor é o termo suspensão de descrença.
Como criar um monstro para um livro de terror?
O monstro assusta pelo que mistura e pelo que retém, mais do que pelo tamanho; quem escreve decide que categorias ele quebra e em que ordem o leitor descobre isso.
Carroll dá o critério, já visto na definição: a impureza do monstro é contradição de categorias, e a criatura é ao mesmo tempo duas coisas que a cultura separa, como vivo e morto (o exemplo é nosso). Na nossa leitura, Drácula põe esse mecanismo em ação antes de o conde aparecer. Na estalagem, Harker ouve palavras que não entende e procura no dicionário poliglota: Satã, inferno, bruxa e duas palavras que querem dizer a mesma coisa, algo que é lobisomem ou vampiro. O monstro chega como categoria misturada antes de chegar como corpo.
Lovecraft deu a quem escreve uma lista de verificação. Toda história de horror, diz ele em "Notes", envolve cinco elementos: o horror ou a anormalidade de base; os efeitos gerais dele; o modo de manifestação, o objeto que o encarna e o que se observa; os tipos de reação de medo; e os efeitos específicos nas condições dadas. Na nossa leitura, os cinco separam o que o monstro é do que ele faz aparecer, e a maior parte do texto mora no terceiro e no quarto.
Para o horror cósmico, Lovecraft escreveu a regra numa carta de 5 de julho de 1927 a Farnsworth Wright, editor da Weird Tales: só as cenas e as personagens humanas devem ter qualidades humanas, tratadas com realismo implacável; ao cruzar para o Exterior, é preciso deixar a humanidade no limiar.
O monstro pode ser humano. A definição de Carroll exige uma criatura que a ciência não reconhece, e por isso deixa de fora o psicopata, limite que o pesquisador Matt Hills discute em The Pleasures of Horror (2005). Robert Bloch, escritor da Weird Tales, publicou Psycho em 1959, romance que o diretor Alfred Hitchcock filmou no ano seguinte e de onde o slasher também nasce.
Do lado do ofício, Jessica Page Morrell pede que o monstro ou a ameaça pareça ter a vantagem e ser imparável, e que a história teste o caráter da personagem. Explicar demais desfaz as duas coisas (leitura nossa): Jacobs termina na estrada vazia, sem mostrar o que bateu, e, na leitura de Nestarez, A assombração da Casa da Colina, de Shirley Jackson, nunca resolve o mistério, o que intensifica o horror.
Quais são os subgêneros do terror e qual escrever?
Cada subgênero do terror promete uma fonte de medo diferente e cobra de quem escreve uma coisa diferente; escolher o subgênero é escolher a fonte de medo que o livro precisa sustentar até a última página.
Que medo o seu livro vende
| subgênero | de onde vem o medo | o que a forma exige de quem escreve | a armadilha | marco |
|---|---|---|---|---|
| horror gótico | o passado que volta num lugar fechado | o lugar isolado com história e uma moldura que o leitor aceite (o manuscrito achado) | o castelo de cenário, sem segredo | The Castle of Otranto, do escritor inglês Horace Walpole (1764, com data de 1765 na folha de rosto), publicado como tradução de um manuscrito italiano |
| história de fantasmas | o morto que não foi embora | cenário e gente do tempo de quem escreve; a testemunha fala como o leitor | o fantasma num passado distante, onde tudo podia acontecer | M. R. James, "Some Remarks on Ghost Stories" (1929) |
| horror cósmico | a indiferença do universo | o humano com realismo implacável e o Exterior sem qualidade humana | o pastiche de Lovecraft | carta de Lovecraft a Farnsworth Wright (1927) |
| weird e new weird | o estranho sem nome de catálogo | mundo construído sobre modelos reais e complexos, mistura de ficção científica, fantasia e terror | o estranho como enfeite, sem efeito | o termo "new weird", que a Encyclopedia of Science Fiction atribui ao escritor britânico M. John Harrison (2002), e a definição dos editores Ann e Jeff VanderMeer (2008) |
| folk horror | a comunidade isolada e o sistema moral torto | a paisagem que isola, a moral que se entorta e a violência que sai disso | o ritual sem paisagem que isole | a cadeia descrita pelo crítico Adam Scovell a partir de três filmes britânicos de 1968 a 1973 |
| slasher | o assassino que persegue e a sobrevivente | levar a sobrevivente a sério | a final girl reduzida a conforto e a camp (o exagero que vira piada) | o termo "final girl", da teórica do cinema Carol J. Clover (1987); na prosa, The Final Girl Support Group, do romancista Grady Hendrix |
| body horror | o próprio corpo fora de controle | o corpo como lugar da ameaça | o nojo no lugar do medo | Philip Brophy cunha o termo em 1983, sobre o cinema |
| terror psicológico | a mente que não confia em si | manter vivas as duas explicações | resolver a dúvida cedo | A Head Full of Ghosts, de Paul Tremblay (2015) |
| creepypasta | o relato anônimo que parece verdadeiro | verossimilhança de relato real e circulação por cópia | a lenda contada demais | Slender Man, nascido no fórum Something Awful, segundo a Time (2014) |
| splatterpunk | o excesso como afronta | o sangue com custo e o mercado certo | o gore gratuito, que Apex e Tales to Terrify recusam | o termo de David J. Schow (1986) |
As colunas "o que a forma exige" e "a armadilha" são leitura nossa a partir das fontes desta página: a de fantasmas vem de James, a do cósmico da carta de Lovecraft e das diretrizes da Dread Machine, que diz ser muito improvável aceitar pastiche de Lovecraft, a do slasher de Hendrix, a do terror psicológico de Tremblay e a do splatterpunk de James e das revistas. Vários marcos são de cinema porque os termos nasceram lá; a ponte para a prosa é nossa.
Duas linhas pedem mais que a tabela. O terror psicológico pede que o texto sustente a dúvida sobre a mente de quem narra ou de quem sofre, como Tremblay fez com possessão e doença, e que o detalhe irrelevante prepare o golpe, como Nestarez lê em Jackson. O horror cósmico pede o contrário do herói que vence: a premissa de Lovecraft é que as leis, os interesses e as emoções humanas não têm validade no cosmo, e por isso as cenas humanas têm de ser reais, com realismo implacável, para que a indiferença pese (leitura nossa).
O que o leitor de cada subgênero já viu demais, e como virar o clichê, está em clichês de terror.
O diagnóstico de três andares. Quando o leitor de teste diz que não deu medo, a escada de King indica onde procurar.
- Mirou pavor e não chegou: a ameaça apareceu cedo demais ou de uma vez. Procure o primeiro momento em que o leitor vê a coisa e pergunte se ele podia só ouvir, como em "The Monkey's Paw".
- Mirou horror e não chegou: o monstro apareceu sem preparo. Procure o mundo comum antes dele (a seção sobre o mundo comum) e a reação da personagem, que precisa ser a de gente real.
- Deu nojo em vez de medo: a cena caiu no último andar. Procure o sangue que não custa nada a ninguém que o leitor conheça.
O diagnóstico é nosso; os critérios de cada andar vêm de King, Jacobs, Lovecraft e James.
Como escrever terror no Brasil: o que a tradição mostra?
O terror brasileiro existe desde o século XIX e ficou fora da história literária por escolha da crítica, e quem escreve hoje herda dele duas vantagens: o monstro humano e o cotidiano reconhecível (leitura nossa).
Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, morto aos 20 anos, saiu em 1855, póstuma, com cenas de violência, orgia, incesto e canibalismo. O pesquisador Júlio França, da UERJ, explica o esquecimento: a crítica da época preferia a literatura que tinha a missão de construir uma ideia de país; e, segundo a Pesquisa FAPESP, tratava o horror como escapismo. O acervo Tênebra e a antologia Tênebra: narrativas brasileiras de horror (1839–1899), organizada por França e Nestarez (Fósforo, 2022, 27 contos), recuperam esse corpus.
Entre os nomes recuperados estão Maciel da Costa, Américo Lobo, Maria Benedita Bormann, Cruz e Sousa, Machado de Assis, Aluísio Azevedo e Júlia Lopes de Almeida, com Ânsia eterna (1903). A pesquisadora Ana Paula dos Santos resume um traço da tradição: nas narrativas do gótico brasileiro, em geral, há mais personagens monstruosos do que propriamente monstros. Na nossa leitura, é a mesma porta que a HWA abre ao aceitar o horror sem sobrenatural.
Há quem use o gênero contra o realismo, não como fuga dele. Cristhiano Aguiar, cujo Gótico nordestino venceu o prêmio literário da Biblioteca Nacional em 2022, disse que lendas e causos nordestinos alimentam os contos dele de maneira indireta, e que tenta implodir a convenção realista com ecos do gótico, do terror e do fantástico. Corpos secos, romance de zumbis escrito a oito mãos (Luisa Geisler, Marcelo Ferroni, Natalia Borges Polesso e Samir Machado de Machado), venceu o Jabuti em 2021 na categoria romance de entretenimento.
O gênero também tem caminho próprio no mercado. André Vianco publicou Os sete por conta própria, com dinheiro do FGTS, numa tiragem de mil exemplares, e o livro foi relançado pela Novo Século em 2001. A DarkSide Books, editora dedicada a terror, fantasia e suspense, foi fundada em 2012. A associação brasileira do gênero, a ABERST, dá às categorias de terror do seu prêmio os nomes de Rubens Lucchetti e de Lygia Fagundes Telles, o que diz quem a cena trata como fundadores (leitura nossa); o prêmio em si está no termo suspense.
Fora daqui, há um dado de mercado: no Reino Unido, a categoria de horror e histórias de fantasmas subiu 23% em volume nas 42 semanas até 19/10/2024, depois de um ano recorde em 2023, segundo a The Bookseller, com dados da Nielsen BookScan. Aqui, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil não pergunta pelo gênero, como registra o guia sobre suspense e mistério.
Perguntas frequentes
Terror e horror são a mesma coisa?
Para quem escreve, não exatamente: a distinção do ensaio de Ann Radcliffe (1826) separa o terror da incerteza do horror que congela, e King acrescenta a repulsa como um terceiro andar. A história da distinção e o uso dos dois termos em português estão em diferença entre terror e horror.
Como escrever um conto de terror?
Com um efeito decidido antes, como Poe defendia para o conto, e uma ameaça só, porque o conto tem pouco espaço para uma escada longa de medo (leitura nossa). O método, do começo ao fim, está em como escrever um conto de terror, e a forma em si, no termo conto de terror.
De onde tirar a ideia de uma história de terror?
De duas coisas que se encontram. King contou à Paris Review que Cujo juntou um susto real com um são-bernardo na oficina de um mecânico e, semanas depois, o medo de a mulher ficar presa num carro enguiçado; a regra que tirou disso foi "You see something, then it clicks with something else" (você vê uma coisa, e ela se encaixa em outra). Premissas para começar estão em ideias para história de terror.
Quais clichês de terror evitar?
Os que o leitor do gênero já viu tantas vezes que perderam a força. O escritor Tim Waggoner, num texto da Writer's Digest, aconselha não ficar com a primeira ideia, nem com a segunda, e desconfiar da terceira, porque as primeiras costumam ser repetição do que já se viu ou leu. A lista está em clichês de terror.
Terror precisa ter sobrenatural?
Não para a HWA, que aceita o horror mundano desde que provoque medo ou pavor e põe The Lovely Bones, de Alice Sebold, ao lado de Salem's Lot, de King. Para Lovecraft, o conto estranho verdadeiro (o weird tale) sugere a suspensão das leis da natureza. O slasher, o subgênero do assassino humano, nasce também da literatura, com Psycho (1959), de Robert Bloch.
Como escrever terror psicológico?
Sustentando a dúvida: a ameaça pode estar fora ou dentro da cabeça de quem narra, e o texto não decide cedo, como Tremblay fez em A Head Full of Ghosts. O termo terror psicológico tem a definição e a história.
Onde publicar um conto de terror, e quanto pagam?
Nas revistas e nos podcasts do gênero; os que esta página consultou são de língua inglesa. Em 16/10/2026, a The Dark pagava 5 centavos de dólar por palavra para contos de 2.000 a 6.000 palavras, abaixo dos 8 centavos que a SFWA, associação americana de ficção científica e fantasia, chama de tarifa profissional; o PseudoPod pagava os 8 centavos por contos de 1.500 a 6.000 palavras.
Quantas páginas tem um livro de terror?
Não há número fixo de páginas para o terror: o tamanho muda com a forma, do conto de 2.000 palavras que a The Dark aceita ao romance. As faixas de palavras por gênero, com fonte, estão em quantas páginas deve ter um livro.
O que fazer com isso
Antes do próximo capítulo, escreva três coisas: em uma linha, o andar do medo que o livro promete (pavor, horror ou repulsa) e o subgênero que o entrega, conferido na tabela; numa lista, cinco detalhes do mundo comum que o leitor possa verificar e que a ameaça vai quebrar; e, cena a cena, o mapa da dose, onde o leitor só ouve, onde vê e onde o sangue custa. Com as três à vista, o "não deu medo" vira um defeito que tem endereço.
A espera pela resposta, o enigma e o thriller estão no guia sobre como escrever suspense e mistério; o meio e o clímax do livro, em tensão narrativa; a abertura, em como começar um livro; e a forma curta, em como escrever um conto.
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Guias que saem daqui
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Quem fala sobre isso 5pessoas
- H. P. Lovecraft †contista e ensaísta norte-americano (1890–1937), autor de ficção estranha (weird fiction)
Obra sobre o tema: o ensaio "Notes on Writing Weird Fiction", 1937, sobre como escrever a história de horror sobrenatural.
Página ↗ - M. R. James †contista, medievalista e reitor britânico (1862–1936), autor de histórias de fantasma
Obra sobre o tema: o ensaio "Some Remarks on Ghost Stories", The Bookman, 1929, sobre como a história de fantasma provoca medo no leitor.
Página ↗ - Stephen Kingromancista norte-americano (nascido em 1947), autor de romances de horror
Obra sobre o tema: Danse Macabre, 1981, estudo de não ficção sobre o gênero de horror em livros, filmes e televisão.
Página ↗ - Tim Waggonerromancista norte-americano de horror e fantasia sombria (nascido em 1964); professor de escrita criativa no Sinclair College, em Dayton (Ohio), em 2020
Obra sobre o tema: Writing in the Dark, 2020, guia de escrita de ficção de horror; trecho publicado na Writer's Digest no mesmo ano.
Página ↗ - Júlio Françaprofessor associado de Teoria da Literatura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); coordenador do grupo de pesquisa Estudos do Gótico e coeditor da revista Abusões, em 2025
Obra sobre o tema: "O medo na ficção literária brasileira", Abusões, 2025, panorama de duas décadas de pesquisa sobre a ficção gótica e de medo no Brasil.
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O que a rede diz 6 vozes
YouTubeDepois de anos recebendo livros de autores independentes, lista os cinco erros mais comuns de quem começa a escrever terror e diz como resolver cada um.
Hora do TerrorYouTube ↗
YouTubeNuma conversa com os canais Dossiê do Felipe e Hora do Terror, discute como o terror funciona em filmes, jogos e livros, o que separa terror, suspense e horror e o que faz uma história de terror ser boa, com dicas para quem quer escrever.
FicçomosYouTube ↗
YouTubeDiz que o terror é um gênero de impacto forte e que quem escreve precisa seguir alguns princípios para alcançar o leitor; reúne cinco dicas do que não pode faltar numa história do gênero.
Novo OrbeYouTube ↗
YouTubePara quem está começando a escrever terror, junta dez dicas que diz terem funcionado na própria escrita.
Antonio VoorheesYouTube ↗
TikTokRespondendo a uma pergunta de seguidor, explica como criar e sustentar a tensão numa história de terror psicológico, e diz que o mesmo vale para qualquer história (em inglês).
@aspace2writeTikTok ↗
TikTokNuma série que ensina a escrever terror em 30 segundos, dedica um episódio ao folk horror (em inglês).
@k.e.koontzTikTok ↗
O que está acontecendo
- Stephen King e Mike Flanagan explicam por que fizeram de 'Carrie' série focada na crueldade em tempos de redes sociais ↗
Série de oito episódios traz uma abordagem na qual humilhação da protagonista vira cyberbullying e os horrores incluem simulações de ataques a tiros na escola
- HWA Cancels Their Member Sèphera Girón After Pro-AI Newsletter Column Sparks Backlash ↗
The Horror Writers Association voted to strip Sèphera Girón of her trustee position after a column she wrote for the organization’s official member newsletter argued the group’s anti-AI culture had curdled into hypocrisy and witch-hunting.
- O que explica o sucesso de ‘Não Mexa’, duologia de terror japonês recém-publicada no Brasil ↗
Escritor Mikito Chinen fala a VEJA sobre nova obra de terror que mistura lendas urbanas japonesas a traumas contemporâneos
- The Black List and Zando are hunting for the next great horror novel. ↗
Attention, thrill-seekers. The Black List and Zando are teaming up on a mission to identify the next great horror novelist. Could it be you? The inaugural Evil Twin Manuscript Initiative will selec…
- Universo dos Livros anuncia “Betwixt”, antologia de terror com participação de Junji Ito ↗
“Betwixt: A Horror Manga Anthology” será lançado no Brasil pela Universo dos Livros. A antologia de terror conta com capa de Junji Ito.
A Verse Media faz infraestrutura para quem escreve e publica livros no Brasil. A Enciclopédia é a parte pública disso: páginas escritas a partir de fonte aberta, com preço e data na frase, para que um autor decida sem depender de quem vende o serviço. Toda afirmação de fato tem fonte listada. O que é análise nossa está marcado no texto. Fato que nenhuma fonte sustenta não entra. A pesquisa e a redação usam modelos de linguagem com regras de fonte e checagem independente; a revisão é humana.
Lidas no texto integral
- H. P. Lovecraft, Supernatural Horror in Literature (1927; versão revista de 1933–34), The H. P. Lovecraft Archive.
- H. P. Lovecraft, "Notes on Writing Weird Fiction", The H. P. Lovecraft Archive.
- H. P. Lovecraft, carta a Farnsworth Wright, 05/07/1927, em leitura integral transcrita pela H. P. Lovecraft Historical Society (Voluminous, ep. 60).
- Ann Radcliffe, "On the Supernatural in Poetry", New Monthly Magazine, 16, 1826, na edição de Rictor Norton (Gothic Readings).
- Horror Writers Association, "What is Horror Fiction?", horror.org, 20/06/2021.
- Nathaniel Rich e Christopher Lehmann-Haupt, "Stephen King, The Art of Fiction No. 189", The Paris Review, n. 178, 2006.
- W. W. Jacobs, "The Monkey's Paw", em The Lady of the Barge (1902), Project Gutenberg.
- Bram Stoker, Dracula (1897), cap. I, Project Gutenberg #345.
- M. R. James, "Some Remarks on Ghost Stories", The Bookman, dez. 1929 (transcrição integral).
- Edgar Allan Poe, "The Fall of the House of Usher" (1839), em The Works of Edgar Allan Poe, Raven Edition, vol. 2, Project Gutenberg #2148.
- Aluísio Azevedo, "Demônios", Wikisource.
- Horace Walpole, The Castle of Otranto, Project Gutenberg #696.
- Philip Brophy, "Horrality: The Textuality of the Contemporary Horror Film" (1983; reimpresso em Screen, v. 27, 1986), página do autor.
- Robert R. McCammon, "The Splatterpunk Files", robertmccammon.com.
- Adam Scovell, "Where to begin with folk horror", BFI, 08/06/2016.
- The Encyclopedia of Science Fiction, entrada "New Weird" (David Langford, 2021).
- Jessica Roy, "Behind Creepypasta, the Internet Community That Allegedly Spread a Killer Meme", Time, 03/06/2014.
- Tim Waggoner, "Done to Death: How to Avoid Horror Genre Clichés", Writer's Digest, 30/09/2020 (trecho de Writing in the Dark, 2020).
- Clay McLeod Chapman, "Writing Desire and Dread", Writer's Digest, atualizado em 10/08/2026.
- Jessica Page Morrell, "Scare Tactics: 7 Tricks for Writing Terrifying Horror Fiction & Monster Stories", Writer's Digest, 30/10/2018.
- Paul Tremblay, entrevista a Heather Scott Partington, Electric Literature, 16/06/2015.
- Grady Hendrix, entrevista a Elizabeth Tabler, Grimdark Magazine, 26/08/2020.
- Oscar Nestarez, "Shirley Jackson: a mestra dos mestres", Blog da Companhia (Companhia das Letras).
- Diego Barbosa, "Onças, vampiro, noiva-cadáver: a face gótica do Nordeste em nove histórias", Diário do Nordeste, 08/03/2022 (entrevista com Cristhiano Aguiar).
- Rodrigo Fonseca, "Entrevista: Escritor André Vianco", Jornal do Brasil, 11/10/2018.
- Juliana Vaz, "Desprezada pela crítica, literatura de horror ganha a atenção de pesquisadores", Pesquisa FAPESP, n. 334, dez. 2023.
- Júlio França, "O medo na ficção literária brasileira", Abusões (UERJ), 2025.
- ABERST, "Vencedores do VIII Prêmio ABERST de Literatura", 25/01/2026.
- Alex Call, "Horror and Ghost Stories 2024", The Bookseller, 01/11/2024.
- Instituto Pró-Livro, Retratos da Leitura no Brasil, 6ª ed., 2024.
- Diretrizes de envio de Apex Magazine, The Dark, Tales to Terrify, The Dread Machine e PseudoPod (consulta em 16/10/2026).
Lidas em resumo ou pela referência
- Andersen, Schjoedt, Price, Rosas, Scrivner e Clasen, "Playing With Fear: A Field Study in Recreational Horror", Psychological Science, 31, 2020.
- Coltan Scrivner, "The psychology of morbid curiosity", Personality and Individual Differences, 183, 2021.
- Scrivner, Andersen, Schjoedt e Clasen, "The Psychological Benefits of Scary Play in Three Types of Horror Fans", Journal of Media Psychology, 35, 2023.
- Stephen King, Danse Macabre, Everest House, 1981 (pela citação, com página, de Thompson, ELLIDS, 3.4, 2020).
- Noël Carroll, The Philosophy of Horror, or Paradoxes of the Heart, Routledge, 1990 (por Zsolt Bátori, Proceedings of the European Society for Aesthetics, 2, 2010, e por Matt Hills e Brigid Cherry).
- Matt Hills, The Pleasures of Horror, Continuum, 2005.
- Mathias Clasen, Why Horror Seduces, Oxford University Press, 2017 (pela resenha de Darryl N. Jones, Journal of Cognitive Historiography, 5, 2020, e pela entrevista ao New Books Network).
- Douglas E. Winter, citado pela Horror Writers Association.
- Carol J. Clover, "Her Body, Himself: Gender in the Slasher Film", Representations, n. 20, 1987.
- Robert Bloch, Psycho (1959).
- John Kenneth Muir, Horror Films FAQ, 2013, e "Cat People jump scare", /Film, 18/11/2020 (jump scare e Lewton bus).
- Ann e Jeff VanderMeer (org.), The New Weird, Tachyon, 2008 (pela Encyclopedia of Science Fiction).
- Prêmio Jabuti 2021 e prêmio literário da Biblioteca Nacional 2022, pela Pesquisa FAPESP.
- André Vianco e Os sete: Correio Popular, 30/05/2013; PublishNews, 05/04/2016.
- DarkSide Books: PublishNews, 10/03/2015.
- SFWA, tarifa profissional de 8 centavos por palavra desde 2019.
VERSE MEDIA. Como escrever terror: do gótico ao slasher. Enciclopédia Verse, 16 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/generos-e-tropes/terror-e-suspense/como-escrever-terror. Acesso em: [data].
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