Estrutura em Três Atos
Estrutura em Três Atos é um modelo que divide a história em apresentação, confronto e resolução, ligadas por dois pontos de virada, os plot points, e difundido pelo professor de roteiro Syd Field no livro Screenplay (1979). Não é de Aristóteles, embora a atribuição circule.
Nesta página
O guia sobre como escrever um livro trata de que estrutura usar; aqui está o que o termo designa e de onde vem.
Como a estrutura em três atos se divide?
Segundo Chris Heckmann, na StudioBinder (2022), o paradigma de Field parte da ideia de que toda história se conta em três atos, apresentação (set-up), confronto e resolução, com dois pontos de virada ligando as três partes. Field foi o primeiro a publicar um manual de massa para roteiristas que propôs essa estrutura, articulada por plot points, como essência de um roteiro bem-sucedido, segundo Alex Pappademas, no Grantland, em 2013. A estrutura é comum no cinema clássico e em outras formas narrativas ligadas ao Ocidente.
É verdade que os três atos vêm de Aristóteles?
Não. Na Poética, no capítulo XVIII, Aristóteles divide a tragédia em duas partes, a complicação (desis) e o desenlace (lysis), separadas pela virada da fortuna, e não em três. Em Aristotle's Poetics for Screenwriters (2002), obra de divulgação de Michael Tierno, a atribuição é tratada como falsa, e Aristóteles propõe começo, meio e fim.
E os cinco atos?
A regra dos cinco atos aparece em Horácio, na Arte Poética: a peça que quer ser pedida e reapresentada não deve ser nem mais curta nem mais longa que cinco atos. Até o século XVIII a maioria das peças era dividida em cinco atos, e Shakespeare em geral segue a convenção, segundo Henry L. Snuggs, autor de Shakespeare and Five Acts (1960).
Com o que não confundir?
A estrutura em três atos não é o esquema de cinco partes do escritor alemão Gustav Freytag, a pirâmide de Freytag. Também não é a estrutura em quatro partes ki, shō, ten, ketsu, que Andy Kirkpatrick, no Journal of Second Language Writing (1997), liga à composição chinesa de poesia em quatro versos.
O que muda para quem escreve?
Quem usa os três atos num livro usa um modelo difundido num manual de roteiro, o Screenplay de Field (1979). O guia sobre como estruturar um livro mostra quando aplicá-lo.
Continue por aqui
O guia completoComo escrever um livro: o passo a passo, da ideia ao ponto final — Para escrever um livro, siga sete etapas nesta ordem: ter a ideia, testá-la como premissa, decidir quanto planejar, fixar uma meta de trabalho, terminar o primeiro rascunho, revisar e entregar o texto a primeiros leitores; publicar vem depois.Também nesta enciclopédia
Termos vizinhos
Lidas no texto integral
- Aristóteles, Poética, trad. S. H. Butcher, Macmillan, 1895, cap. XVIII (texto local).
- Horácio, Ars Poetica, vv. 189–190. https://www.thelatinlibrary.com/horace/arspoet.shtml
- Alex Pappademas, "Remembering Syd Field", Grantland, 20 nov. 2013. https://grantland.com/features/remembering-syd-field/?print=1
- Chris Heckmann, "Who is Syd Field — Biography & Work of a Screenwriting Legend", StudioBinder, 15 maio 2022. https://www.studiobinder.com/blog/syd-field-screenwriting/
- Gustav Freytag, Freytag's Technique of the Drama, trad. Elias J. MacEwan, Chicago, Griggs, 1894 (texto local), cap. II.
Lidas em resumo ou pela referência
- Michael Tierno, Aristotle's Poetics for Screenwriters, Hyperion, 2002, ISBN 0786887400.
- Henry L. Snuggs, Shakespeare and Five Acts: Studies in a Dramatic Convention, 1960.
- Khatib, Storytelling in World Cinemas, 2013, p. 167, ISBN 978-0-231-16336-1.
- Andy Kirkpatrick, "Traditional Chinese text structures...", Journal of Second Language Writing, set. 1997, doi:10.1016/S1060-3743(97)90013-8.
VERSE MEDIA. Estrutura em Três Atos. Enciclopédia Verse, 4 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/oficio-narrativo/estrutura/estrutura-em-tres-atos. Acesso em: [data].
Achou um erro ou um número vencido? Escreva para enciclopedia@versemedia.com.br com o endereço desta página.
Enciclopédia Verse · Estrutura Voltar ao topo