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Como colocar seu livro em livrarias: o que a loja pede, a consignação e a conta

Para pôr o livro numa livraria física, o autor procura o comprador de uma livraria da cidade pelo canal que a loja pede, com um exemplar pronto para a prateleira, e fecha por escrito uma consignação: a loja só paga o que vende e fica com 30% do preço na Rede de Livrarias UFG e 40% em duas livrarias americanas. A conta decide antes do livreiro: no exemplo com números publicados, o exemplar comprado sob demanda dá prejuízo, e a margem aparece com tiragem de gráfica, folgada nas centenas.

Você tem o livro impresso em casa e passa toda semana pela livraria do bairro imaginando um exemplar na mesa da entrada. Não sabe se entra com o livro debaixo do braço ou manda um e-mail, nem o que dizer se o livreiro perguntar o desconto, a nota ou o que acontece com o que não vender.

O que você leva

O caminho do livro impresso até a prateleira de uma livraria física, na ordem de fazer: o que a loja exige, a conta que diz se o exemplar dá margem, de onde vêm os exemplares, qual livraria procurar e como, o acordo de consignação com as cláusulas a escrever, a nota fiscal e o que fazer depois que o livro entra.

Pra quem é

Imprimiu o livro, quer vê-lo na livraria da cidade e não sabe a quem falar, o que a loja vai pedir, quanto ela fica de cada exemplar nem se, no fim, sobra alguma coisa.

Nesta página
  1. O que a livraria exige para aceitar um livro de autor independente?
  2. Vale a pena colocar o livro na livraria? A conta do exemplar
  3. Tiragem ou impressão sob demanda: de onde vêm os exemplares da loja?
  4. Direto na livraria ou por uma distribuidora?
  5. Livraria independente ou rede: qual procurar primeiro?
  6. Como oferecer o livro ao livreiro?
  7. Consignação ou compra: como funciona o acordo e quanto a livraria fica?
  8. Precisa de nota fiscal e CNPJ para deixar o livro na livraria?
  9. O que fazer depois que o livro entra na loja?
  10. A jornada em uma tabela
  11. A conta do exemplar consignado
  12. Antes de procurar a livraria: o checklist
  13. Modelo de contato com o comprador
  14. As cláusulas do acordo de consignação
  15. Perguntas frequentes
  16. O que fazer com isso
Estante de livraria com livros de capas diferentes voltadas para fora.
A prateleira da loja é o destino do exemplar que o autor leva ao livreiro. Foto de Serra Nur Çevikdal no Pexels

Preço vem com a data na frase. O que estiver sublinhado em mostarda é análise nossa; o resto tem fonte no fim da página. Termo com ponto abre a definição ao passar o mouse.

O que a livraria exige para aceitar um livro de autor independente?

Duas portas se fecham antes de qualquer conversa: a origem do exemplar e o próprio objeto. Nas políticas lidas, a livraria recusa o livro sem título na lombada, com capa ou projeto gráfico ruins, ou mais caro do que em outro canal.

A política da Talking Leaves, livraria de Buffalo, no estado de Nova York, é a mais detalhada entre as lidas: em geral só estoca livro com o título impresso na lombada e não aceita nada grampeado ou em espiral; não consigna sem ver o exemplar; não vende o livro mais caro do que ele custa em outro lugar; prefere livro com ISBN, sem exigir; recusa livro não retornável e se reserva o direito de recusar o publicado pela Amazon ou por empresas dela.

Na Scarthin Books, livraria do condado de Derbyshire, na Inglaterra, o motivo mais comum de recusa, depois da distribuição, é capa e projeto gráfico ruins; a loja raramente aceita infantil, romance policial, história de família e autobiografia autopublicados e não considera nada com capa ou texto feitos por IA. A Chiltern Bookshops, outra livraria do Reino Unido, diz que a proposta tem mais chance quando o livro é de interesse local.

No Brasil, o ISBN não é opcional para quem quer a cadeia do livro: a lei manda que ele conste da quarta capa do livro impresso, regra que a página sobre impressão de livros traz, e o número, o código de barras e a ficha se pedem à CBL, como mostra o guia sobre como tirar ISBN no Brasil. O termo de consignação para autores da feira literária da Editora UNIFAL-MG, em 2024, pedia livro publicado com ISBN registrado e identificava o autor pelo CPF.

A lombada também é condição concreta: na UICLAP, plataforma de impressão sob demanda, o livro com menos de 60 páginas sai grampeado, sem lombada, como mostra o guia sobre como calcular a lombada de um livro. O teste prático, na nossa leitura, é pôr o exemplar ao lado de três livros do mesmo gênero na estante da própria loja: título legível de lado, capa que não destoa, preço na mesma faixa. O que falha nesse teste se resolve antes de procurar o livreiro, no código de barras do ISBN, na capa ou na gráfica.

Vale a pena colocar o livro na livraria? A conta do exemplar

Vale quando o exemplar custa ao autor bem menos do que sobra do preço de capa depois da parte da loja; no exemplo abaixo, com exemplar comprado sob demanda, não sobra. A conta é leitura nossa, com números publicados, e a fórmula completa está no fim da página.

O exemplo do Clube de Autores, plataforma brasileira de impressão sob demanda, mostra o problema. Num livro simulado de 250 páginas, em julho de 2026, o autor pagava R$ 45,99 por exemplar num pedido de 25, e o livro ia à loja da plataforma por R$ 63,95, números que o guia sobre como funciona a impressão de um livro desenvolve. Consignado pelo mesmo preço de capa:

parte da livraria o autor recebe por exemplar vendido menos o custo do exemplar (R$ 45,99)
30% (Rede de Livrarias UFG) R$ 44,77 − R$ 1,22
40% (Talking Leaves, Bear Pond) R$ 38,37 − R$ 7,62
cerca de 50% (eDOC Brasil, no guia sobre a impressão) R$ 31,98 − R$ 14,01

Subir o preço de capa só para a livraria esbarra na regra de lojas como a Talking Leaves, que não vende o livro mais caro do que em outro lugar. E nada obriga o varejo on-line a acompanhar o preço da loja física: o projeto de lei de preço fixo do livro, o PLS 49/2015, apelidado de Lei Cortez, espera o Plenário do Senado desde 25/11/2024. Nem a livraria segura o preço de capa na internet: a Leitura dá ali descontos de 5% a 20%, contou em maio de 2026 o presidente da rede, Marcus Teles.

A tiragem muda a conta. Em 2024, a Printstore, gráfica paulista, publicou para um A5 de cerca de 200 páginas a faixa de R$ 25 a R$ 40 por exemplar em 50 unidades e de R$ 7 a R$ 12 em 300, faixas que o guia sobre como funciona a impressão de um livro compara com as do sob demanda. O preço de capa que empata é o custo dividido pelo que fica com o autor; com 40% para a loja, custo ÷ 0,6. Na nossa conta, os 50 exemplares pedem capa de R$ 41,67 a R$ 66,67 só para não perder; os 300 empatam entre R$ 11,67 e R$ 20.

Na nossa leitura, o frete pesa contra o autor na ida e na volta: na consignação de cauda longa, segundo o diretor comercial de editora Jaime Mendes em 2020, o custo do frete torna inviável trazer o livro de volta. O livro tem imunidade de impostos sobre o próprio objeto pela Constituição (art. 150, VI, d), alcance que a página sobre o e-reader detalha. Como fica a tributação do que o autor recebe está no guia sobre se o escritor precisa de CNPJ.

Tiragem ou impressão sob demanda: de onde vêm os exemplares da loja?

Pilhas de livros recém-impressos ao lado de uma máquina de gráfica.
Os exemplares da loja saem de uma gráfica ou de uma plataforma sob demanda. Foto de Manuel Campagnoli no Pexels

Os exemplares da loja vêm de uma gráfica ou de uma plataforma brasileira, não da Amazon, e a escolha entre tiragem e sob demanda depende de quantas saídas o livro tem. Na nossa leitura, para uma loja basta um punhado de exemplares; a tiragem se justifica quando há mais lojas, um evento ou venda direta para somar.

No Brasil, o motivo de deixar a Amazon de fora é prático: o impresso da KDP não é vendido na Amazon.com.br, e a cópia de autor pedida à KDP vem pela Amazon.com, importada, sem frete grátis, como mostra o guia sobre como publicar livro físico na Amazon. Na nossa leitura, para o autor daqui o impresso sob demanda passa pelo Clube de Autores ou pela UICLAP, e a tiragem, por gráfica.

Em livrarias dos Estados Unidos e do Reino Unido que publicam a regra há outro motivo, e ele é de princípio. Laura Stanfill, editora da Forest Avenue Press, de Portland, disse num painel com Jane Friedman, em março de 2026, que o autor que se autopublica pela Amazon dificilmente consegue uma sessão de leitura em livraria, que o livreiro provavelmente não vai comprar nem consignar o livro, e que uma loja de Portland pede ao autor que declare se o livro é da Amazon, porque não o quer na prateleira. A saída que ela aponta é imprimir por outro caminho.

A Scarthin escreve em maiúsculas que não estoca nenhum livro da plataforma de autopublicação da Amazon. Para o autor brasileiro que um dia oferecer o livro a uma loja de fora, a origem do exemplar conta.

Quantos exemplares, o primeiro pedido responde. A ALLi (Alliance of Independent Authors), associação internacional de autores independentes, escreve que a maioria dos compradores testa com poucos exemplares, "low single figures". A Talking Leaves põe uma quantidade limitada na estante por cerca de três meses e só consigna mais se vender. As gráficas que aceitam pedido pequeno, com a tiragem mínima de cada uma, estão no guia sobre gráfica para imprimir livro, e a escolha entre offset, digital e sob demanda, no guia sobre como funciona a impressão de um livro.

Direto na livraria ou por uma distribuidora?

Sem distribuidora, o autor de um título vai direto à livraria, e a consignação é a porta lateral para o livro que a loja não encontra no catálogo de quem ela já compra. A Bear Pond Books, de Montpelier, no estado de Vermont, oferece consignação ao livro autopublicado ou que não está disponível pela Ingram, a atacadista de quem compra; o livro que está no catálogo entra pelo pedido normal.

Entrar no catálogo tem um preço que o autor paga na devolução: a IngramSpark, braço de autopublicação da Ingram, diz que a livraria física em regra não encomenda livro sem devolução e cobra do autor o exemplar devolvido, mais frete, e a própria plataforma aponta o livro não retornável para quem não tem fôlego para isso. No Reino Unido, a Scarthin prefere e a Chiltern recomenda o livro na Gardners, a atacadista, com o desconto-padrão do comércio.

A distribuidora trabalha para a editora: nos Estados Unidos, em 2010, a autora Cathy Clamp contou que o distribuidor não aceitava editora com menos de dez títulos, e o guia sobre quem vende seu livro lê disso que a distribuidora não é a porta de quem tem um título só.

As plataformas de autopublicação prometem outra entrada. O Clube de Autores paga ao autor 20% do preço de capa nas livrarias e marketplaces parceiros, como mostra o guia Amazon KDP ou Clube de Autores. Em 2018, ao lançar o selo Clube Select, a plataforma anunciou destaque "nas prateleiras de grandes livrarias parceiras" para os títulos que vendiam bem; entre os varejistas nomeados, só a Livraria Cultura era livraria com lojas físicas, e o próprio presidente, Ricardo Almeida, disse que a chance de isso acontecer com um autor independente era pequena. A Cultura fechou as últimas lojas entre o fim de 2025 e o início de 2026.

A condição que decide é uma pergunta: o livro está no catálogo de quem a loja já compra? Se não está, a conversa é direta, com o livreiro. Como levar o livro às lojas digitais e aos catálogos de uma vez está no guia sobre como distribuir seu livro em todas as lojas.

Livraria independente ou rede: qual procurar primeiro?

Interior de uma livraria pequena, com estantes de madeira e um balcão.
A livraria independente decide o que estoca com o próprio livreiro. Foto de Huy Phan no Pexels

Na nossa leitura, a livraria independente da própria cidade é o primeiro endereço: as políticas para o autor local lidas aqui são de lojas como a Talking Leaves, a Bear Pond e a Scarthin, e a ALLi separa as duas: nas redes, a política de compra é ditada pela central; as independentes compram de vários fornecedores e por vários caminhos.

O retrato brasileiro mais antigo aponta para a loja pequena. Em 2006, um estudo da Universidade Federal da Paraíba com 18 autores independentes de João Pessoa achou a divulgação e a venda nas mãos do próprio autor e as vendas restritas às pequenas livrarias que recebem por consignação.

Fora daqui, a Talking Leaves reserva a consignação a autores da região oeste do estado de Nova York, que pagam US$ 10 por ano para ser sócios da loja, sem garantia de que o livro entre. No Winter Institute de 2023, encontro da American Booksellers Association, a associação das livrarias independentes americanas, livreiros se mostraram dispostos a receber autores locais autopublicados, segundo a Publishers Weekly. Quem decide a compra numa loja assim é o livreiro independente que está nela.

Uma rede concentra a venda presencial. Na pesquisa Panorama do Consumo de Livros, da CBL com a Nielsen BookData, de janeiro de 2025, a Leitura foi a loja de 34,9% das compras presenciais, à frente da Livraria da Vila (3,2%) e da Martins Fontes (3,1%); em 2025 a Leitura tinha 123 lojas em 24 dos 27 estados. A rede atribuiu parte do salto de vendas de 2022 a lançamentos, sessões de autógrafos e debates nas lojas. Nenhuma página de cadastro de fornecedor da Leitura apareceu nas buscas desta pesquisa, em outubro de 2026.

Para quem mora longe de uma livraria, a questão é outra: Marcus Teles, presidente da Leitura e da Associação Nacional de Livrarias (ANL) em 2023, disse em 2025 que o Brasil ainda tem muitas cidades grandes sem livraria. O país inteiro tinha 2.972 livrarias no anuário da ANL de 2023, número que o guia sobre quem vende seu livro traz.

Como oferecer o livro ao livreiro?

Pelo canal que a loja publica: a regra muda de uma livraria para outra, e as políticas lidas discordam até sobre aparecer pessoalmente. A Bear Pond manda o autor ir à loja levar os exemplares e preencher uma ficha de consignação; a Scarthin pede e-mail ao comprador, com nome no site, e pede que ninguém apareça sem aviso, com o exemplar na mão, esperando decisão rápida; a Chiltern quer e-mail com foto da capa e um release, e responde em até duas semanas. O comprador de livraria é quem decide.

O roteiro da ALLi tem oito passos: escolher a loja onde a chance é maior; visitá-la antes como cliente (disposição, horários, site, agenda de eventos, clientela); descobrir o nome de quem compra; marcar hora, porque ele está atendendo o público; reunir o material para mostrar; preparar respostas às perguntas prováveis; ouvir o comprador e responder; e não esperar que ele peça uma caixa inteira de cara. Ela prevê três respostas: sim, preciso de tempo, não, e manda aceitar o não com elegância.

Tempo conta: a Talking Leaves leva duas semanas ou mais para decidir, não recebe pedido de consignação entre o Dia de Ação de Graças e o Ano-Novo e trata o pedido de sessão de autógrafos à parte da decisão de estocar.

O que levar, o livreiro diz. Kevin Coolidge, autor e um dos donos da livraria independente From My Shelf Books & Gifts, escreveu em 2017, no blog da IngramSpark, que o autor deve ter pronta uma ficha de uma página com contato, foto, biografia, prêmios e dados do livro, saber dizer qual é o público (a resposta de que o livro é para todo mundo está errada, escreveu) e responder onde o livro está disponível, qual é o atacadista e qual é o desconto para a livraria, sem citar loja on-line, muito menos a Amazon.

Quando a resposta é sim, ela pode vir na hora: Ben Galley, autor independente britânico, contou à ALLi que a Waterstones de Guildford pediu oito exemplares ali mesmo e, esgotados em dois dias, pediu mais. O modelo de contato no fim desta página junta o que essas lojas pedem.

Consignação ou compra: como funciona o acordo e quanto a livraria fica?

Fluxo do exemplar consignado: autor, livraria, venda ou devolução, pagamento ao autor.
Na consignação a loja só paga o que vende; o que não vende volta ao autor. Diagrama: Verse

Nas fontes brasileiras lidas, o autor de um título deixa o livro em consignação: a livraria fica com os exemplares, paga só o que vende, num acerto periódico, e devolve o resto. O acerto é "muitas vezes mensal", na descrição do podcast da PublishNews com editores e livreiros em 2022; Jaime Mendes descrevia em 2020 acertos mensais, quinzenais e até semanais, em que a livraria manda a relação do que vendeu e só então a editora emite a nota de venda.

A consignação não é regra em toda parte: no Reino Unido, a Scarthin não recebe exemplar do autor em regime de venda ou devolução, e a Chiltern diz que é muito raro receber estoque direto do autor; lá, o caminho é estar na Gardners.

A parte da livraria, nos termos e descrições lidos, vai de 30% a 50% do preço:

  • Rede de Livrarias UFG: 30% sobre o valor do livro, com acerto a cada dois meses, num protocolo de 2014 do Cegraf, o centro editorial e gráfico da Universidade Federal de Goiás.
  • Feira da Editora UNIFAL-MG (2024): 30% de comissão sobre as vendas, preço definido pelo autor em comum acordo com a editora; é feira de editora universitária, não livraria.
  • Bear Pond (Vermont): 60/40, a loja fica com 40% do preço que o autor define, e o livro é do autor até ser vendido.
  • Talking Leaves (Nova York): paga ao autor 60% do preço de capa, depois de vender.
  • Prática brasileira descrita pela eDOC Brasil: a livraria fica em geral com cerca de 50%, com acerto em 30 a 120 dias, número que o guia sobre como funciona a impressão de um livro traz.

No Código Civil, a consignação é o contrato estimatório; se a devolução do livro inteiro ficar impossível, ainda que sem culpa da loja, ela continua obrigada a pagar o preço (art. 535), e o livro consignado não pode ser penhorado pelos credores da livraria enquanto não for pago (art. 536). Em 2020, a Saraiva, em recuperação judicial, perdeu na Justiça ações de editoras que pediam a devolução de livros em consignação, segundo o d24am.

O risco do autor é outro: não receber. Em março de 2020, livrarias e distribuidores avisaram que não passariam acerto de consignação, e em 2018 a Saraiva deixou de pagar por seis meses o que devia, contou Mendes.

Os livreiros defendem o modelo, um deles com ressalvas. Elisa Quadros, dona da Lúcia Livraria, em Iriri, no Espírito Santo, escreveu em agosto de 2026 que a consignação é uma relação de confiança em que a editora divide com a livraria independente o risco do estoque. Alexandre Martins Fontes, presidente da ANL, chamou-a em 2025 de "mal necessário": as livrarias não têm capital para comprar todo o estoque, e a consignação traz custos e riscos, como o furto.

O acordo vale o que está escrito. A Talking Leaves escreve que não responde pelo exemplar que some durante a consignação, que o frete de ida e volta é do autor e que doa o que não for retirado em 30 dias depois do aviso. O que o termo assinado diz sobre perda é o que o autor precisa ler antes de assinar. As cláusulas a combinar estão no fim desta página; o termo, na página sobre consignação.

Precisa de nota fiscal e CNPJ para deixar o livro na livraria?

Do lado de quem consigna, a consignação tem duas notas, a da remessa e a do faturamento depois da venda, e o que muda para o autor é quem as emite. Numa resposta de 2024 da Secretaria da Fazenda de São Paulo sobre consignação mercantil, a mercadoria chega ao consignatário com o código fiscal 5.917, de remessa em consignação, e, depois de vendida, o consignante emite um documento de "simples faturamento", sem destaque de imposto, referenciando a nota da remessa. Na prática de editora, a nota de venda só sai depois de a livraria informar o que vendeu.

Para o autor com CPF, a resposta depende da loja. No protocolo de 2014 da Rede de Livrarias UFG, o autor leva ao Cegraf os documentos pessoais (CPF, RG, dados bancários e contato) "para que possa ser emitida uma NF-e de consignação". O termo da feira da UNIFAL também identificava o autor só pelo CPF. A pergunta para a loja, antes de entregar os exemplares, é como ela registra a entrada: com nota do autor ou com nota dela. Quem vai vender com frequência, em várias lojas, formaliza a atividade, e as opções estão no guia sobre se o escritor precisa de CNPJ.

O que fazer depois que o livro entra na loja?

Acompanhar o acerto, decidir no fim do prazo entre repor e retirar, e levar gente à loja. Na consignação, o acerto é o momento de saber quanto vendeu; no controle da editora de Jaime Mendes, acerto atrasado mais de 30 dias bloqueava novas saídas em consignação para aquela loja. O prazo é o do acordo: a Talking Leaves avalia o livro em cerca de três meses, consigna mais se vende e, se não vende, avisa o autor para buscar os exemplares; sem resposta em 30 dias, doa.

Na nossa leitura, o evento é o que o autor tem a oferecer à livraria além do livro. Num texto de livreiro estrangeiro traduzido pela PublishNews em 2009, a livraria trata a sessão de autógrafos como investimento dela, em exemplares, prateleira e equipe, e pede ao autor que traga público pela própria lista de contatos. No Winter Institute de 2023, livreiros disseram que o evento serve para trazer cliente à loja, não só para vender o livro do convidado.

Quando o autor leva os próprios exemplares ao evento, a regra é combinar antes. O livreiro Kenny Brechner, da DDG Booksellers, no Maine, escreveu em 2016, num blog da Publishers Weekly, que essa venda sai direto do bolso da livraria, que o evento custa caro em equipe, e que o justo, combinado antes, é a loja ficar com 20% da venda, metade dos 40% de desconto-padrão. Como organizar a noite de autógrafos, do convite à mesa, está no guia sobre como lançar um livro.

A jornada em uma tabela

O caminho do livro até a prateleira, etapa por etapa
etapa decisão custo e prazo típicos (fonte) onde se executa
1. Livro pronto para a loja ISBN, código de barras, título na lombada, capa no padrão do gênero, preço igual ao de outros canais ISBN, código de barras e ficha comprados à parte na CBL como tirar ISBN no Brasil, código de barras do ISBN
2. A conta consignar só se o exemplar custar bem menos que o preço × (1 − parte da loja) parte da loja de 30% a 50% (ver a conta) a conta abaixo
3. Exemplares gráfica ou plataforma brasileira, poucos exemplares por loja primeiro pedido de poucos exemplares (ALLi) gráfica para imprimir livro
4. Direto ou distribuidora direto, se o livro não está no catálogo de quem a loja compra — como distribuir seu livro em todas as lojas
5. Que livraria independente da cidade primeiro — livraria independente
6. Contato pelo canal que a loja publica, com ficha de uma página resposta em duas semanas ou mais; evitar o fim de ano (Talking Leaves) modelo de contato abaixo
7. Acordo consignação por escrito acerto mensal a bimestral (PublishNews, Rede UFG); ~3 meses de prateleira (Talking Leaves) cláusulas abaixo
8. Nota perguntar à loja como registra a entrada nota de remessa (código 5.917) e de faturamento (Sefaz-SP) escritor precisa de CNPJ
9. Depois acompanhar o acerto, repor ou retirar, levar público frete por conta do autor (Talking Leaves) como lançar um livro

A conta do exemplar consignado

O que o autor recebe por exemplar vendido = preço de capa × (1 − parte da livraria) − custo do exemplar − frete por exemplar. Preço de capa que empata = (custo do exemplar + frete) ÷ (1 − parte da livraria).

Com 40% para a loja, o divisor é 0,6: um exemplar de R$ 45,99 pede capa de R$ 76,65 para empatar; um de R$ 12, capa de R$ 20. Antes de imprimir, ponha na fórmula o orçamento real do seu livro em duas quantidades e o preço que ele tem nas lojas on-line, que uma livraria como a Talking Leaves não aceita superar.

Antes de procurar a livraria: o checklist

  • O livro tem ISBN e código de barras na quarta capa.
  • O título está impresso na lombada (sem grampo, sem espiral).
  • A capa aguenta a comparação com três livros do mesmo gênero na estante da loja.
  • O preço de capa é o mesmo das lojas on-line.
  • A conta acima fecha com o custo real do exemplar.
  • Há exemplares impressos fora da Amazon para entregar.
  • O nome do comprador da loja e o canal que ela pede estão anotados.
  • A ficha de uma página está pronta.
  • A pergunta sobre a nota (do autor ou da loja) está na lista.

Modelo de contato com o comprador

E-mail (assunto: Livro de autor local para consignação: Título): quem é o autor e onde mora; o livro em uma frase (gênero, público, o que o diferencia); por que interessa àquela loja (tema local, evento, público que o autor leva); formato, páginas, ISBN e preço de capa, igual ao das lojas on-line; a proposta (consignação de poucos exemplares, prazo, evento opcional); foto da capa e release anexos; quando o autor pode levar um exemplar.

Ficha de uma página: capa, título, autor, ISBN, formato, páginas, preço; sinopse em três linhas; público (não todo mundo); biografia curta com foto e cidade; prêmios ou imprensa, se houver; condições (consignação, percentual proposto, acerto); contato.

As cláusulas do acordo de consignação

  • Partes e identificação: quem consigna (CPF ou CNPJ) e quem recebe.
  • Exemplares: quantidade entregue, anotada e conferida na entrega, como no termo da UNIFAL.
  • Preço de capa: quem o define e se pode mudar.
  • Parte da livraria: o percentual e sobre qual base (preço de capa ou valor vendido).
  • Acerto: periodicidade (mensal, bimestral), relação do que vendeu e forma de pagamento.
  • Prazo de permanência: quanto tempo o livro fica antes da avaliação.
  • Devolução: como e em quanto tempo o encalhe volta, e quem paga o frete.
  • Perda, furto e dano: quem responde; o Código Civil põe o preço na conta da livraria quando a devolução do exemplar inteiro fica impossível (art. 535).
  • Nota fiscal: quem emite a de remessa e a de venda.
  • Rescisão: como qualquer das partes encerra o acordo.

Perguntas frequentes

Livraria aceita livro de autor independente?

Algumas aceitam, em consignação e com regra própria. A Rede de Livrarias UFG recebia o autor com CPF e cobrava 30% no protocolo de 2014, e livrarias americanas como a Talking Leaves mantêm programa para o autor da região.

Quanto a livraria fica na venda de um livro?

Nos termos e descrições lidos, de 30% a 50% do preço. São 30% na Rede de Livrarias UFG, 40% em livrarias americanas como a Bear Pond e, em geral, cerca de 50% segundo a eDOC Brasil, no guia sobre como funciona a impressão de um livro.

Livraria aceita livro impresso pela Amazon?

No Brasil a questão quase não se põe: o impresso da KDP não é vendido na Amazon.com.br e a cópia de autor chega importada, como mostra o guia sobre como publicar livro físico na Amazon. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, livrarias como a Scarthin recusam por princípio o livro da plataforma da Amazon.

Precisa de CNPJ para deixar o livro em consignação?

Depende da loja. Na Rede de Livrarias UFG, o autor levava só documentos pessoais, com CPF, para a emissão da nota de consignação; quem vende com frequência formaliza a atividade, no guia sobre se o escritor precisa de CNPJ.

O que acontece se a livraria fechar com meu livro em consignação?

Pelo Código Civil, o livro consignado não pode ser penhorado pelos credores da livraria enquanto não for pago (art. 536). Em 2020, a Saraiva, em recuperação judicial, perdeu na Justiça ações de editoras que pediam a devolução de livros em consignação, segundo o d24am.

Quanto tempo o livro fica na livraria?

O tempo do acordo. A Talking Leaves avalia em cerca de três meses e avisa o autor para retirar o que não vendeu; por isso o prazo de permanência é uma cláusula a escrever.

O que fazer com isso

Faça a conta primeiro, com o orçamento real e o preço que o livro já tem on-line: se o exemplar comprado sob demanda deixa prejuízo, a tiragem de gráfica vem antes da livraria. Com os exemplares na mão, procure a independente da cidade pelo canal dela, leve a ficha, feche a consignação por escrito, pergunte sobre a nota e volte no acerto. Ao lado do balcão, o livro tem outros caminhos: a Amazon, no guia sobre como publicar e vender na Amazon KDP; as lojas de e-book, em além da Amazon; e quem leva o livro às lojas pela editora, em quem vende seu livro.

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escritor precisa de cnpjcomo distribuir seu livro em todas ascomo lancar um livro

Quem fala sobre isso 5pessoas

  • Kevin Coolidgeautor da série infantil The Totally Ninja Raccoons; toca com a mulher a livraria independente From My Shelf Books & Gifts (bio do artigo, 2017)

    Obra sobre oferecer o livro ao livreiro independente: "Selling a Book to Independent Booksellers", blog da IngramSpark, 2017.

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  • Alexandre Martins Fontespresidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL) em setembro de 2026; editor e livreiro da Livraria Martins Fontes

    Cargo na associação das livrarias brasileiras, presidente da ANL (2025–2026); em 2025 falou da consignação entre editoras e livrarias.

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  • Elisa Quadrospublicitária e dona da Lúcia Livraria, em Iriri (ES) (bio do artigo, 2026)

    Obra sobre a consignação entre editoras e livrarias independentes: "Livrarias e o custo da bibliodiversidade: quem divide a conta?", A Gazeta, 2026.

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  • Kenny Brechnerdono da livraria DDG Booksellers, em Farmington, no Maine; escreve no ShelfTalker, blog de livreiros da Publishers Weekly (2016)

    Obra sobre a venda do livro do autor em evento na livraria: "When Authors Bring Their Own Books to Events", Publishers Weekly, 2016.

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  • Jaime Mendescolunista do PublishNews; foi diretor comercial do GEN Grupo Editorial Nacional (2013–2019) e da Cosac Naify (2011–2012) e gerente comercial da Zahar (bio da coluna, 2020)

    Obra sobre a consignação entre editoras e livrarias: a coluna "E agora, José? Fazer diferente para seguir em frente (ou não)", PublishNews, 2020, abre com uma seção sobre o acerto.

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O que a rede diz 6 vozes

  • Capa do post de Lucas de Lucca: As Livrarias Não querem seu livroYouTube

    Reclama que a livraria cobrar 50% do preço de capa no livro consignado não se sustenta para autores e editoras independentes, e que isso acaba encarecendo o livro para quem compra.

    Lucas de LuccaYouTube ↗
  • Capa do post de Escreva seu Livro: Como FUNCIONAM as LIVRARIAS? Qual o critério das livrarias para escolher livros? [DROPS #296]YouTube

    Discute que critério a livraria usa para escolher os livros que vai vender e se a editora pequena ou o autor independente consegue chegar à prateleira.

    Escreva seu LivroYouTube ↗
  • Capa do post de Marina Blanc: Como LANÇAR seu LIVRO em uma livraria | Marina BlancYouTube

    Mostra como fazer o lançamento do próprio livro dentro de uma livraria.

    Marina BlancYouTube ↗
  • Capa do post de @ferleitelivrosTikTok

    Pergunta a outros escritores se já conseguiram vender os próprios livros em grandes livrarias; o vídeo reuniu 60 comentários.

    @ferleitelivrosTikTok ↗
  • Capa do post de @nyla.brooks11TikTok

    Em inglês: conta o caminho que usou para pôr o livro independente na Barnes & Noble da cidade, entrando na loja com o ISBN e pedindo para falar com quem compra os livros; lembra que cada loja decide as próprias compras e que o pior que se ouve é um não.

    @nyla.brooks11TikTok ↗
  • Capa do post de @megsmithermanTikTok

    Em inglês: diz que pôr o livro autopublicado numa livraria é menos difícil do que parece; é preciso pedir sem medo e ter o livro disponível pela IngramSpark.

    @megsmithermanTikTok ↗

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Autoria: Verse MediaRevisado em 20 out. 2026Passos conferidos em 20 out. 2026Publicado em 20 out. 202631 fontes · 27 no integral

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VERSE MEDIA. Como colocar seu livro em livrarias: o que a loja pede, a consignação e a conta. Enciclopédia Verse, 20 out. 2026. Disponível em: https://www.versemedia.com.br/enciclopedia/plataformas-e-canais/lojas-e-marketplaces/como-colocar-seu-livro-em-livraria-fisica. Acesso em: [data].

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